Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
... Estou a ouvir o André Macedo na RTP3 e até me parece estar a dizer coisas sensatas, ele e António José Teixeira.
Por outro lado, estou convencida que a maioria das pessoas está farta deste tema e o que quer é que Mário Centeno e o Governo continuem o seu trabalho!
Mário Centeno é o Ministro das Finanças de um governo que, após os anos de chumbo que vivemos, conseguiu cumprir não todas as promessas, mas algumas delas bem importantes, nomeadamente o défice, ao mesmo tempo que devolvia alguns dos rendimentos que tinham sido retirados dos cidadãos, não provisoriamente como a PAF nos queria fazer crer, mas definitivamente como a PAF prometia em Bruxelas.
Herdou um enorme imbróglio no sector financeiro, com o problema do BANIF a explodir-lhe nas mãos, para além do problema da CGD que, não esqueçamos, Passos Coelho gostaria muito de privatizar. Conseguiu uma vitória negocial em Bruxelas, precisamente sobre a mesma CGD, que todos tinham vaticinado impossível.
Ao querer uma administração profissional, acabou por ceder onde não devia ter cedido - permitir que António Domingues e a sua equipa exigissem o inaceitável. Não tenho dúvidas que o terá feito de boa fé e a bem do País, mas o Estado tem que se dar ao respeito e não pode permitir que os Administradores ditem as leis que querem e que não querem cumprir.
A oposição de direita não tem conseguido vender aos cidadãos a sua cartilha; há distensão social, as pessoas têm mais esperança, os indicadores económicos estão a melhorar, tudo lhe corre mal.
Usando de uma linguagem boçal, dando cambalhotas de incoerência e criando casos, a direita política viu nesta atabalhoada negociação entre o governo e a administração da CGD a oportunidade para atacar Mário Centeno. Tudo serve, até mesmo a publicação das SMS trocadas entre ele e António Domingues. Já não há nada que seja privado, nem as mensagens que se trocam no telemóvel.
E não há boa notícia que abafe a gritaria da direita, secundada por uma comunicação social que faz parte do combate político, cujos comentadores vêm os seus comentários desmentidos pela realidade, à medida que a Geringonça se mantém a governar e até a Europa elogia a governação.
Por muito bom Ministro que Mário Centeno tenha sido e seja, penso que a sua permanência no governo será uma fonte de desgaste permanente. Ou a base política de apoio - PS, BE e PCP - consegue marcar a agenda mediática de forma a calarem a direita, ou Mário Centeno terá que pagar com a sua demissão o erro que cometeu com António Domingues. É muito injusto, mesmo muito, mas não me parece haver muitas alternativas.
Nota: não consigo compreender como Marques Mendes se mantém a fazer as figuras que faz; como Lobo Xavier sabe da existência de SMS comprometedoras ou não; como estas duas personagens se mantém como conselheiros de Estado.
Parece que a estratégia de Passos Coelho e de Assunção Cristas com a TSU não terá tido grande resultado.
Veremos se o arrastar do assunto CGD e Mário Centeno mantém, reduz ou aumenta a distância entre a Geringonça e a (ex-) PAF.
Desço o rio desta noite
nas margens de pedras amuradas
sem qualquer cais de serenidade.
Aguardo a noite deste rio
nos muros de margens empedradas
sem querer mais que serenidade.
A dor dos outros
Está fora da janela.
Entristece-nos
Como um ciclo de chuvas
Mas não nos molha os pés
Nem os cabelos.
Por vezes avistamo-la
Na soturna rua
Que a medo atravessamos.
Ou no café
Onde uma mão se estende.
Vamos então ao armário maior
Buscar o dó, a pena.
E ao porta-moedas
Rebuscar uns trocos.
Alguns de nós
Mas poucos, muito poucos,
Guardaram bagas
Que o tempo lhes ditou.
Verdades que hibernaram
No gelo das idades
E germinaram em caverna escura.
Só esses têm a coragem de ver
Que a dor dos outros
É sempre a nossa dor
Que anda em viagem.
E que, curvada,
Ao peso da bagagem
Nos persegue
E procura.
Dorothy Vaughan & Kathryn Johnson & Mary Winston Jackson
Temos grande tendência a considerar as gerações mais novas ignorantes e irresponsáveis, sem interesse naquilo que achamos ser o essencial de conhecimentos, sentimentos, educação e cultura.
Outro dia, depois de assistir ao filme Elementos Secretos (Secret Figures), bastante agradável e leve, pus-me a pensar na estranheza com que nos apercebemos de que apenas há cerca de 50 anos havia segregação racial nos EUA, e o que isso significava no dia a dia das pessoas segregadas, para além da discriminação de género. O filme passa-se à volta do ano em que nasci. Como é possível para nós, hoje em dia, acreditarmos que havia uma sociedade compartimentada pela cor da pele? Talvez daqui a 50 anos a reacção dos nossos netos ou bisnetos seja a mesma quando virem as histórias contadas à volta de outros grupos e outras minorias, desencadeando incredulidades idênticas às que me assaltaram durante o filme.
Num salto de raciocínio apercebi-me de que, na altura em que assisti pela primeira vez ao documentário The World at War, nos anos setenta do século passado, tinham passado apenas 30 anos do fim da II Guerra Mundial. Que sabia eu do assunto? O que tinha aprendido no liceu? Eram matérias versadas nos currículos? Hitler, Mussolini, Estaline, o Holocausto, o anti-semitismo, a Guerra Civil Espanhola?
Por isso mesmo, quando nos espantamos com o desconhecimento dos jovens sobre o 25 de Abril de 1974, que aconteceu já há mais de 40 anos, é melhor percebermos que eles são tão ignorantes como nós éramos e o seu interesse ou desinteresse é semelhante ao que era o nosso.
As memórias têm que ser também construídas, activadas e reactivadas, para que os novos entendam o que se passou antes da sua geração, antes daquilo que lhes parece óbvio, permanente, eterno, e que é apenas uma fracção de segundo num tempo circular, que pode desaparecer, retroceder ou perecer.
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...