05 fevereiro 2017

A dor dos outros

mourners.jpg


The mourners


 


A dor dos outros


Está fora da janela.


Entristece-nos


Como um ciclo de chuvas


Mas não nos molha os pés


Nem os cabelos.


 


Por vezes avistamo-la


Na soturna rua


Que a medo atravessamos.


Ou no café


Onde uma mão se estende.


 


Vamos então ao armário maior


Buscar o dó, a pena.


E ao porta-moedas


Rebuscar uns trocos.


 


Alguns de nós


Mas poucos, muito poucos,


Guardaram bagas


Que o tempo lhes ditou.


Verdades que hibernaram


No gelo das idades


E germinaram em caverna escura.


 


Só esses têm a coragem de ver


Que a dor dos outros


É sempre a nossa dor


Que anda em viagem.


E que, curvada,


Ao peso da bagagem


Nos persegue


E procura.


 


Isabel Fraga

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