04 fevereiro 2017

Der Spiegel

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America first

A Arte d(n)a Resistência

 


MoMA Takes a Stand: Art From Banned Countries Comes Center Stage


 


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Zaha Hadid


 


This work is by an artist from a nation whose citizens are being denied entry into the United States, according to a presidential executive order issued on January 27, 2017. This is one of several such artworks from the Museum’s collection installed throughout the fifth-floor galleries to affirm the ideals of welcome and freedom as vital to this Museum, as they are to the United States.


 


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Marcos Grigorian


 


This work is by an artist from a nation whose citizens are being denied entry into the United States, according to a presidential executive order issued on January 27, 2017. This is one of several such artworks from the Museum’s collection installed throughout the fifth-floor galleries to affirm the ideals of welcome and freedom as vital to this Museum, as they are to the United States.


 


 


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Parviz Tanavoli


 


This work is by an artist from a nation whose citizens are being denied entry into the United States, according to a presidential executive order issued on January 27, 2017. This is one of several such artworks from the Museum’s collection installed throughout the fifth-floor galleries to affirm the ideals of welcome and freedom as vital to this Museum, as they are to the United States.


 


 


A partir de Yvette Centeno


 

29 janeiro 2017

Manual de despedida para mulheres sensíveis

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Filipa Leal


 


 


Ser digna na partida, na despedida, dizer adeus com jeito,


não chorar para não enfraquecer o emigrante, 


mesmo que o emigrante seja o nosso irmão mais novo,


dobrar-lhe as camisas, limpar-lhe as sapatilhas


com um pano húmido, ajudá-lo a pesar a mala


que não pode levar mais de vinte quilos


(quanto pesará o coração dele? e o meu?),


três pares de sapatos, um jogo de lençóis, o corta-vento,


oferecer-lhe a medalha que a Mãe usava sempre que partia


e que talvez não tenha usado quando partiu para sempre,


ter passado o dia à procura da medalha pela casa toda


(ninguém sai mais daqui sem a medalha, ninguém sai mais daqui),


pensar que a data escolhida para partir é a da morte da Mãe,


pensar que a Mãe não está comigo para lhe dobrar as camisas


e mesmo assim não chorar, nunca chorar, 


mesmo que o Pai esteja a chorar, mesmo que estejam todos a chorar,


tomar umas merdas, se for preciso: uns calmantes, uns relaxantes,


uns antioxidantes para não chorar; andar a pé para não chorar,


apanhar sol para não chorar, jantar fora para não chorar, conhecer gente,


mas gente animada, pintar o cabelo e esconder as brancas, 


que os grisalhos são mais chorões, dizer graças para não pôr também


os amigos a chorar, os amigos gostam é de nós a rir, ver séries cómicas 


até cair, acordar mais cedo para lhe fazer torradas antes da viagem,


com manteiga, com doce de mirtilo, com tudo o que houver no frigorífico,


e não pensar que nunca mais seremos pequenos outra vez,


cheios de Mãe e de Pai no quarto ao lado,


cheios de emprego no quarto ao lado quando ainda existia Portugal.


 


É tanto o que se pede a um ser humano do século vinte e um.


Que morra de medo e de saudade no aeroporto Francisco Sá Carneiro.


Mas que não chore. 

28 janeiro 2017

Sessenta horas de trabalho por semana

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Se dividirmos 60 horas por 7 dias (1 semana, incluindo sábado e domingo), verificamos que dá 8,5 horas por dia. Ou seja, o que Nuno Carvalho explica é que as leis laborais deveriam permitir que um colaborador pudesse trabalhar 8,5 horas por dia, sem sábados nem domingos, para a Padaria Portuguesa.


 


Se quisesse folgar ao sábado, poderia trabalhar 10 horas por dia, caso quisesse folgar sábado e domingo, poderia colaborar 12 horas em cada dia útil da semana. Claro que tudo isto sem pensar em horas extraordinárias.


 


Tudo isto é mesmo muito extraordinário.

A escalada do inimaginável, de novo

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Trump assina decreto para impedir entrada no país de "terroristas islâmicos radicais"


Proibição de Trump afeta até muçulmanos com autorização de residência


Irão reage a decisão "insultuosa" de Trump e proíbe entrada de norte-americanos


 

Os mestres do fado

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Confesso que fui um pouco apreensiva assistir a este espectáculo. O meu gosto pelo fado passa mais pela rotura que Alain Oulman, com Amália Rodrigues, dando significado e expressão às palavras e aos poemas para além da beleza da música e dos trinados da guitarra e da voz que a acompanha, que se apodera de quem ouve num sentimento de doce e melancólica tristeza, dispensando a compreensão racional. Por outro lado tinha muita curiosidade em relação ao fado tradicional de Lisboa e às casas onde ele se canta, a solo ou à desgarrada.


 


O grande auditório estava repleto. A minha primeira surpresa surgiu ao ouvir as vozes poderosas e potentes de fadistas com mais de 70 anos. De repente, aqueles anciãos e anciãs, de fatos completos e xailes com lantejoulas, em penteados mais ou menos armados, em cima de uns saltos mais ou menos absurdos, com mais ou menos facilidade de locomoção, adquiriram uma presença e uma dignidade difíceis de descrever.


 


O dedilhar da guitarra soberbamente tocada, com o respectivo acompanhamento da viola e do baixo, aos quais se juntou um quarteto de violinos, elevando-se com o arranque das vozes moduladas, penetraram no corpo e na alma num enlevo que muito se assemelha ao que acontece com as mornas ou com o flamenco. Percebo bem o fascínio que o fado exerce, sendo um êxito em países cuja compreensão da língua é nula mas que comungam na apreciação da música e da voz, da guitarra e da quase magia que se instala, como uma névoa de um ópio invisível.


 


Obrigada a estes Mestres - António Rocha, Artur Batalha, Filipe Duarte, Nuno Aguiar, Maria Amélia Proença, Maria Armanda, Maria da Nazaré e Cidália Moreira. Foi uma noite verdadeiramente surpreendente.


 

Desarrezoado amor, dentro em meu peito

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Desarrezoado amor, dentro em meu peito


Tem guerra com a razão, amor que jaz


E já de muitos dias, manda e faz


Tudo o que quer, a torto e a direito.


 


Não espera razões, tudo é despeito,


Tudo soberba e força, faz, desfaz,


Sem respeito nenhum, e quando em paz


Cuidais que sois, então tudo é desfeito.


 


Doutra parte a razão tempos espia,


Espia ocasiões de tarde em tarde,


Que ajunta o tempo: enfim vem o seu dia.


 


Então não tem lugar certo onde aguarde


Amor; trata traições, que não confia


Nem dos seus. Que farei quando tudo arde?


 


Sá de Miranda

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...