Faltam-me as palavras para dizer o que penso do que se está a passar com a Operação Marquês. Vão-se ultrapassando os limites que julgamos já serem inultrapassáveis. É assustador.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
15 setembro 2016
Dos ataques impostos às classes altas
São realmente extraordinários os argumentos que se ouvem contra o novo imposto sobre o património. As classes médias, na boca de vários comentadores políticos e económicos, repentinamente tem poder de compra e rendimentos que lhes permitem ter património imobiliário que ultrapasse os €500.000. Exactamente, a escassíssima quantia de €500.000 que, segundo o inefável José Gomes Ferreira, facilmente se atinge.
Na opinião de Helena Garrido, outra comentadora altamente competente e imparcial, que apenas se preocupa com a economia, o problema deste populismo de esquerda é que tem um enorme perigo de abrandamento da economia. É difícil de acreditar, mas vale a pena ouvi-la dizer que o prometido imposto irá levar os desgraçados pagadores a não comprarem nem construirem casa, logo mais arrefecimento da economia.
Também é interessante ouvir/ ver a entrevista que o mesmo José Gomes Ferreira fez a Maria Luísa Albuquerque (que, por curiosa coincidência, está acessível na PSD TV). Foi uma conversa amena, em que Maria Luísa Albuquerque foi aproveitando as deixas simpáticas que lhe foi deixando o entrevistador, para explanar a sua opinião, mostrando como esta Geringonça está a desgraçar o País, que estava em tão bom caminho com o seu próprio governo.
Confesso que ainda conseguem surpreender-me.
"(...) Ora, "em qualquer país que leva os impostos a sério", este grupo de privilegiados garante habitualmente cerca de 25% da receita do IRS do ano (palavras de Azevedo Pereira). Por cá, os nossos multimilionários apenas asseguravam 0,5% do total de imposto pessoal. Ou seja, (conclusão nossa), como estamos em Portugal, onde estas coisas da igualdade perante a lei e a equidade tributária são aplicadas com alguma flexibilidade, os "multimilionários" pagam 500 vezes menos do que seria suposto. (...)" - Elisabete Miranda - 12 Dezembro/2015
11 setembro 2016
Florence Foster Jenkins
É difícil de acreditar, mas é mesmo verdade. Florence Foster Jenkins foi uma herdeira rica que, provavelmente, poderia ter sido uma excelente pianista se não sofresse uma lesão no braço. Incapaz de aceitar a impossibilidade de continuar uma carreira como artista, Florence Foster Jenkins volta-se para o bel canto.
É um desastre inimaginável. Canta horrivelmente mal, desafina, não tem a menor noção do ritmo. Mas a sua paixão pela música, o dinheiro que tinha e que distribuía prodigamente pela elite local, que se aproveitava da sua generosidade, impediam-na de perceber a anedota em que os seus recitais se transformavam.
O seu amante - St. Clair Bayfield - tudo fazia para que as suas performances se mantivessem mais ou menos privadas, comprando jornalistas, críticos e amigos para que a fossem aplaudir e para que escrevessem boas críticas.
Florence Foster Jenkins é um filme que se vê com ternura. Apesar de ser de amor, não deixa de nos dar um olhar cruel sobre os artistas e sobre quem se acotovela e se acoita à sua volta, fazendo-nos reflectir nos salamaleques e nas trocas de favores que existem neste, como noutros meios.
Meryl Streep, que fez questão de ser ela própria a cantar, faz (mais) um excelente papel, tal como Hugh Grant e Simon Helberg, o pianista. A não perder.
10 setembro 2016
A sorte não os protegeu
A morte de dois militares, o internamento de outros dois (ainda) e a necessidade de assistência médica a mais alguns, na sequência de um exercício incluido no Curso de Comandos, é algo que nos deve causar a maior consternação e preocupação.
Não sabemos o que se passou. As notícias que têm vindo a público - "golpes de calor", rabdomiólise, insuficiência hepática aguda - devem ser olhadas com grande cautela. Seja como for, algo de terrivelmente errado aconteceu. É preciso que tudo seja apurado, com rigor, calma e celeridade, para que as decisões subsequentes não resultem de pressões mediáticas mas de responsabilidades apuradas.
Não faço ideia se o Regimento de Comandos tem ou não cabimento no tipo de Forças Armadas do nosso País, nem me parece que este seja o melhor momento de o apurar. Mas este terrível acontecimento faz aumentar na opinião pública o sentimento de rejeição a toda a Instituição Militar. Por outro lado convinha que, de uma vez por todas, se questionem a viabilidade e a necessidade de um Hospital das Forças Armadas (HFAR). Pelo que pudemos ver, o HFAR não tem capacidade nem meios para socorrer um grupo de 10 militares. E se houvesse um acidente com muitos mais? É preciso que haja coragem política para o desmantelar, de uma vez por todas, assumindo que não há razão para o manter, ou, pelo contrário, para investir no seu reequipamento, em material e recursos humanos, rapidamente.
As responsabilidades são dos decisores políticos e militares. O status quo não serve a ninguém, e muito em particular às próprias Forças Armadas.
27 agosto 2016
Moral e bons costumes



Tudo tapado, alguns destes outfits não deixam as caras destapadas. Vão começar a proibi-los também?
Este tipo de medidas não só são atentados contra a forma de viver e sentir ocidentais, como é totalmente contraproducente e apenas acentua a vitimização de quem se diz excluído e marginalizado. Esperemos que o bom senso impere.
21 agosto 2016
O baú de Hamburgo (2)
O baú de Hamburgo começa em 1966 com a entrega de um baú proveniente de Hamburgo, numa espécie de hotel/ dancing/ bar de uma vila no norte de França, dirigido a uma misteriosa Rosa Friederich. Um dos amigos da mulher que explora o dito hotel - Madame Olga - para além de actor amador, é um curioso vigarista (chama-se Louis Clovis). Logo que pode abre o baú, abandonado numa cave visto que ninguém sabe quem é Rosa Friederich, e descobre uma fotografia de um copo-de-água realizado em 1938, em que se vê o noivo - Paul Lassenave, a noiva - Rosa Friederich, o padrinho do noivo - Julien Lassenave, irmão de Paul, e outra pessoa que não conta para a história.
Paul Lassenave (Paul le Person) & Germain Lassenave (Julien Thomast) & Louis Clovis (Raymond Bussières)
Julien Lassenave (Jacques Monod)
A partir daqui, e enrolando as personagens umas nas outras, a trama desenvolve-se à volta do desaparecimento e possível assassinato de Rosa Friederich, 9 anos antes (1957).
Devo confessar que me foi bastante difícil perceber o enredo, pois o meu francês não é particularmente fluente. Além disso, não se pode dizer que o som estivesse nas melhores condições. Felizmente, no início de cada episódio, há um resumo do(s) anterior(es), feito por um narrador com muito boa dicção, o que ajudou imenso.
O ritmo desta série é cerca de 1/10 do ritmo das séries actuais. A qualidade da representação vai do razoável/ aceitável ao muito mau. Ao contrário das séries americanas não há música ambiente, os actores aparecem como de facto são, sem preocupações de maquilhar imperfeições ou escolher modelos/ estrelas de beleza e sedução, não sei se pela época em que foi filmada se por causa do estilo europeu, neste caso o francês. Provavelmente pelos dois motivos. Contrasta com a música alegre e saltitante de abertura de cada episódio; pelo contrário, a música com que terminam é lenta, triste e lúgubre. O guarda-roupa também é bastante parco, vendo-se Paul Lassenave usar um casaco crivado de nódoas do princípio ao fim da história. A fealdade das personagens e do local, a rigidez dos costumes e a sobriedade da encenação, contribuem para a sensação de realidade, que nunca se perde.
Lúgubre é uma boa palavra para classificar a história e a forma como foi filmada. Mas, apesar de tudo, mantém o interesse até ao fim e o desfecho é inesperado. Não tem um final feliz, combinando bem com o tom de toda a série.
Foi, portanto, um êxito! Desvendou-se o mistério de Rosa Friederich e eu passei umas belas horas a (re)ver uma série que me tinha deixado encantada há cerca de 40 anos e que, ainda hoje, mantém o espectador em suspenso. Entretanto, apercebi-me que havia mais quem se lembrasse e procurasse a série, alguns tão obcecados como eu.
...la fin.
ADENDA: Deram-me a informação preciosa de que O baú de Hamburgo passou na RTP, aos domigos à tarde, a partir de 13 de Junho de 1976.
O baú de Hambourg (1)
Este foi um projecto ganhador, na tradição das melhores histórias policiais que tenho lido, passe o auto elogio.
O baú de Hamburgo – La malle de Hambourg – é uma série francesa de 1972, que passou na nossa TV há muitos anos, talvez em 1976 ou 1977, não consigo precisar, da qual eu devo ter visto alguns bocados de alguns episódios. Naquela altura a quantidade de televisão que víamos era muito inferior e os nossos interesses bem mais diversificados, pelo que fiquei sempre sem saber exactamente o fio da história, assim como a sua conclusão.
Tudo girava à volta de um baú proveniente de Hamburgo, embrulhando-se depois o enredo em crimes, teatro amador e muito mais de que não me lembrava. Mas a curiosidade ficou e durante todos estes anos tenho tentado descobrir a série para ver se ainda mantinha o interesse que na altura me despertou.
O problema é que eu não sabia nada da série – não sabia se era francesa, belga ou outra qualquer nacionalidade onde se falasse o francês. Não me lembrava do nome – sabia que tinha algo ver com um porto e o nome que me vinha à memória era Amsterdão. Aliás, provavelmente condicionada por Jacques Brel, procurava afincadamente o nome Le port d’ Amsterdam. Não conhecia qualquer dos actores, nem tão pouco o realizador. Enfim, descobrir o rasto de uma obscura série televisiva que tinha passado por Portugal há cerca de 40 anos era uma tarefa árdua e quase impossível de concretizar.
Já não sei como me surgiu o verdadeiro nome da cidade portuária – Hamburgo! E depois, de imediato, o resto do título – A mala de Hamburgo!
Porto de Hamburgo
A Internet, mais uma vez, demonstrou ser uma prodigiosa ferramenta para detectives modernos e pesquisadores de tesouros enterrados nas brumas do tempo e da memória. Devolveu-me rapidamente La malle de Hambourg. Portanto não era uma mala mas sim um malão, ou um baú.
E pronto, reconheci de imediato a cara do actor que aparece no trailer. Sim, era mesmo aquela. O problema era encontra-la à venda – pode comprar-se através do INA, como me confidenciou alguém que encontra séries ainda mais arrevesadas que esta. Outro problema era compreender o francês, pois nem pensar em legendas de qualquer tipo, nem mesmo na língua original, o que ajudaria bastante.
Mas a satisfação era tanta e a possibilidade de, finalmente, ver a série de fio a pavio, que arrisquei. Chegaram 10 DVD, pelo correio, pontualmente 10 dias após a encomenda, tal como prometido…
…à suivre…
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