21 agosto 2016

O baú de Hamburgo (2)

O baú de Hamburgo começa em 1966 com a entrega de um baú proveniente de Hamburgo, numa espécie de hotel/ dancing/ bar de uma vila no norte de França, dirigido a uma misteriosa Rosa Friederich. Um dos amigos da mulher que explora o dito hotel - Madame Olga - para além de actor amador, é um curioso vigarista (chama-se Louis Clovis). Logo que pode abre o baú, abandonado numa cave visto que ninguém sabe quem é Rosa Friederich, e descobre uma fotografia de um copo-de-água realizado em 1938, em que se vê o noivo - Paul Lassenave, a noiva - Rosa Friederich, o padrinho do noivo - Julien Lassenave, irmão de Paul, e outra pessoa que não conta para a história.


 


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Paul Lassenave (Paul le Person) & Germain Lassenave (Julien Thomast) & Louis Clovis (Raymond Bussières)


 


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 Julien Lassenave (Jacques Monod) 


 


A partir daqui, e enrolando as personagens umas nas outras, a trama desenvolve-se à volta do desaparecimento e possível assassinato de Rosa Friederich, 9 anos antes (1957).


 


Devo confessar que me foi bastante difícil perceber o enredo, pois o meu francês não é particularmente fluente. Além disso, não se pode dizer que o som estivesse nas melhores condições. Felizmente, no início de cada episódio, há um resumo do(s) anterior(es), feito por um narrador com muito boa dicção, o que ajudou imenso.


 


O ritmo desta série é cerca de 1/10 do ritmo das séries actuais. A qualidade da representação vai do razoável/ aceitável ao muito mau. Ao contrário das séries americanas não há música ambiente, os actores aparecem como de facto são, sem preocupações de maquilhar imperfeições ou escolher modelos/ estrelas de beleza e sedução, não sei se pela época em que foi filmada se por causa do estilo europeu, neste caso o francês. Provavelmente pelos dois motivos. Contrasta com a música alegre e saltitante de abertura de cada episódio; pelo contrário, a música com que terminam é lenta, triste e lúgubre. O guarda-roupa também é bastante parco, vendo-se Paul Lassenave usar um casaco crivado de nódoas do princípio ao fim da história. A fealdade das personagens e do local, a rigidez dos costumes e a sobriedade da encenação, contribuem para a sensação de realidade, que nunca se perde.


 


Lúgubre é uma boa palavra para classificar a história e a forma como foi filmada. Mas, apesar de tudo, mantém o interesse até ao fim e o desfecho é inesperado. Não tem um final feliz, combinando bem com o tom de toda a série.


 


Foi, portanto, um êxito! Desvendou-se o mistério de Rosa Friederich e eu passei umas belas horas a (re)ver uma série que me tinha deixado encantada há cerca de 40 anos e que, ainda hoje, mantém o espectador em suspenso. Entretanto, apercebi-me que havia mais quem se lembrasse e procurasse a série, alguns tão obcecados como eu.


 


...la fin.


 


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ADENDA: Deram-me a informação preciosa de que O baú de Hamburgo passou na RTP, aos domigos à tarde, a partir de 13 de Junho de 1976.


 

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