14 agosto 2016

Palácio Nacional da Ajuda

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O Palácio Nacional da Ajuda - o seu projecto, construção, readaptação de projecto, etc. - é um bom retrato da forma como o País funciona. Quando as idades passam a ser mais avançadas, a tendência para vermos degradação e laxismo nas novas gerações é cada vez maior. Mas basta um pequeno conhecimento, mesmo que escasso e limitado, da nossa História, e percebemos que sempre fomos feitos da mesma massa, e que os pendentes arrastados e seculares são um princípio, um meio e um fim, uma mistura de incúria, lentidão, arrojo, capacidade de adaptação e de ultrapassagem de dificuldades, económicas e outras, megalomania e realismo.


 


O Palácio Nacional da Ajuda, projectado para residência real no rescaldo do terramoto de 1755, foi erigido como Real Barraca que, como é hábito entre nós, foi um palácio provisório por 33 anos, tendo sido destruído por um incêndio. Depois, entre projectos barrocos e reprojectos neoclássicos, invasões francesas e mortes reais, o Palácio vai sendo construído durante anos e anos, mais ou menos habitado e utilizado até ao reinado de D. Luís, altura em que foi (de novo) adaptado ao Rei e, sobretudo, à Rainha D. Maria Pia.


 


A visita ao Palácio dá-nos um vislumbre da vida doméstica de D. Luís, D. Mia Pia e da sua descendência, com os aposentos da Rainha e do Rei, a sala de bilhar, a sala da música, os quartos de dormir, as ante câmaras, as salas onde o Rei despachava, recebia os dignitários nacionais e estrangeiros, etc. Ainda hoje alguns aposentos são usados, nomeadamente para banquetes de Estado e para cerimónias de investidura de governos, tanto quanto percebi.


 


O Palácio precisa de obras e de cuidados de manutenção, como tantos outros palácios, museus e galerias, património arquitectural periclitante e a esboroar-se, parte da nossa memória colectiva. Por vezes vêem-se placas para que fiquemos a conhecer os mecenas - a GALP, o Millenium BCP - que financiaram alguma da reabilitação.


 


Outro dos motivos para a visita é a exposição (até ao fim deste mês) de pintura romena entre 1875 e 1945, constituída por quadros da Colecção Bonte, para mim uma revelação, primeiro por total desconhecimento da pintura romena e porque as obras são muitíssimo interessantes.


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13 agosto 2016

Da desinformação doméstica

Aqui está como a desinformação e manipulação informativas já fizeram escola. 


 


Em abono da seriedade jornalística é bom que se reponha a verdade dos factos:



  • A hora não era assim tão matinal: eram 09:00h.


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  •  A Edna não estava a par das tardias horas de repouso do amantíssimo esposo.


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  •  O carinhoso pequeno almoço está suspenso até à necessária retratação.


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11 agosto 2016

E se perder

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Maki Haku


 


1.


E se perder


não terei que mostrar nos olhos e na boca


o peso indizível dos ganhadores.


 


2.


Arrasto a pele e cubro de areia


os montes vazios em que me transformei.


 


3.


E se perder


já a lua alisará o mar


e a alma minguante secará em tempos desiguais.


 

31 julho 2016

É já amanhã...

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... que começa esta série na RTP 2.


 


A não perder. E assim terei a oportunidade de ver a série 2. Muito, muito bom!

29 julho 2016

E quais as conclusões políticas?

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Christine Lagarde


 


Afinal parece que as pessoas e os partidos que defendem e sempre defenderam uma reestruturação da dívida têm e tinham razão.


 


Quais vão ser as consequências? É agora que se vai avançar para a reestruturação da dívida? É agora que finalmente a Comissão Europeia vai fazer marcha atrás em relação à política que impôs nos últimos anos?


 


E se começássemos a falar de impostos mais progressivos para que quem mais tem seja quem mais pague? E se começássemos a falar da taxa Tobin? E se começássemos falar da redução dos horários de trabalho, não para 35h mas para 30h por semana, no público e no privado? E se começássemos a falar da renovação geracional dos quadros? E se começássemos a falar do aumento de emprego que isso significaria com a consequente melhoria na qualidade de vida, aumento da participação contributiva, perspectiva e segurança de emprego, para que as gerações que esperam indefinidamente a sua vez possam não ter que adiar cada vez mais a vontade de serem independentes, responsáveis, cidadãos activos, fundarem famílias, terem filhos? E se começássemos a pensar em investir na cultura, apostar na música como um elemento fundamental na educação e desenvolvimento das crianças e adolescentes?


 


E se retomássemos a ideia de procurar financiamentos para suprir as necessidades dos cidadãos em vez de as reduzirmos ao dinheiro existente? Não é assim que os empreendedores fazem? Não é isso o empreendedorismo?

28 julho 2016

Dos garruços revanchistas

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Bartoon


 


Finalmente a União Europeia decidiu com algum senso. Não digo muito porque a própria ideia de abrir um procedimento contra Portugal e Espanha por défice excessivo e o tempo que demorou até ao desfecho não fizeram nada bem, nem aos 2 países nem à própria União Europeia. Mas mais vale tarde que nunca.


 


Esta é uma vitória de António Costa e da Geringonça, em primeiro lugar, e de Marcelo Rebelo de Sousa em segundo. Tenho algum rebuço em parabenizar o trabalho de Carlos Moedas. Não percebo muito bem a entrevista em que se ufanou do difícil trabalho que tinha tido em convencer os seus Colegas - era o mínimo que se lhe exigia e, caso o resultado fosse o contrário, esperaria que se demitisse de imediato, tal como esperaria uma tomada de posição conjunta de todos os deputados europeus, em total repúdio. Mas enfim, está na moda a auto proclamação de importância e o auto elogio.


 


Estou convencida que o Brexit deu uma ajuda. Finalmente, tanto quanto é possível acreditar nas notícias que se lêem e ouvem, as cúpulas europeias terão percebido o inenarrável erro político de avançarem com penalizações, quando as populações nunca o compreenderiam e se afastariam ainda mais do que ainda se apelida de projecto europeu.


 


É também uma derrota de Passos Coelho, do PSD, do CDS e de todos os comentadores, analistas e jornalistas que, com ou sem mandato ideológico ou manobrista, fizeram uma autêntica campanha mediática endossando as inevitáveis sanções.


 


Mas claro que essa campanha de oposição sistemática e doentia contra o governo não acabou, nem acredito que tenha aclamado. Os jornais de hoje fazem eco dos inúmero problemas que antecipam, desde as medidas adicionais em 2016, com as sugestões da Comissão sobre o IVA, à monitorização trimestral das contas orçamentais pela Europa e à negociação do Orçamento de Estado para 2017 com o PCP, o BE e o PAN, com as manchetes da congelação salarial.


 


Ou seja: de fantasma em fantasma, a direita propagandista e revanchista vai somando garruços mas não desiste.


 


Que não desista também António Costa e a sua geringonça, que nós estamos a fazer o nosso papel - suspender a respiração pedindo que alguém não se coíba de nos resgatar a dignidade; a pedir-lhe que se lembre de medidas adicionais que penalizem aqueles que ganham com esta crise e com todas as crises; a aguentar os impostos (que não baixam), os parcos ordenados (que não sobem), as promoções nas carreiras (que não descongelam), o desemprego (que baixa muitíssimo pouco), e este calor insuportável (que não acaba). 


 


Vamos a banhos e a refrescos com a alma um pouco mais descansada, mas nada de adormecimentos, que em Setembro voltarão as Cassandras da desgraça a gritar os próximos dramas.

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...