Bruxelas pediu duas vezes: saiam rapidamente da UE
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Não há volta a dar. É um golpe para a Europa
É o futuro da União Europeia que está em jogo. A decisão da Grã-Bretanha pode ser apenas o início de uma proliferação de referendos, em vários países, o que significará a implosão da União Europeia.
E não vale a pena refugiarmo-nos na justificação de que a culpa é da extrema direita. É um facto que a extrema direita é defensora do fim da União Europeia mas as razões de fundo não são apenas o populismo, a xenofobia e o racismo. Se for apenas essa a leitura deste resultado estaremos todos condenados a assistir ao desmoronar de um projecto de paz e prosperidade que foi o que esteve na base da construção de uma Europa unida.
A verdade é que muitos de nós, onde me incluo, queremos a continuação desse projecto e não de uma Europa totalmente divorciada dos valores que a fundaram, onde a actuação dos responsáveis políticos, internos e externos, muito têm contribuído para a insatisfação generalizada, o divórcio com as instituições europeias e o medrar de todos os fundamentalismos.
Não é de números nem do sobe e desce da libra ou do euro que deveríamos falar agora (por muito importante que isso seja) mas de política, de gente, de olhar para o que correu mal, para as razões do descontentamento, para as mudanças que se impõem. É preciso recuperarmos a soberania, o respeito pelas diferenças e pelas culturas dos vários povos, respeitando-os, de tratar cada país por igual, de olhar para a sociedade, para a demografia, para os movimentos de refugiados, para os desempregados, para a criação de riqueza. É preciso devolver às pessoas o direito de decidirem e de encontrar, em conjunto, soluções que permitam dinamizar a vida das populações.
Nada é impossível. Aproveitemos esta oportunidade.
(*) Título muito pouco original, concordo.
Hoje vota-se no Reino Unido se a Europa permanecerá uma União com a Grã-Bretanha ou sem ela.
Como já disse há dias, tenho muitas dívidas quanto ao que preferiria que acontecesse. Se por um lado penso que a União Europeia foi um projecto político que permitiu a paz durante tantos anos na Europa, também estou convencida que, a continuar como até agora sem que qualquer importante reforma das suas Instituições aconteça, aprofundará as desigualdades, os nacionalismos, a xenofobia e o racismo, para além da subversão dos princípios democráticos, com a total perda de capacidade dos povos e os seus votos decidirem e gerirem os respectivos destinos.
E no fundo isso é o que mais me preocupa – o medo do funcionamento da democracia. As campanhas que ambas as posições protagonizam são bem demonstrativas de que a sigla TINA (there is no alternative) não se coloca apenas em relação à política económica. Aliás, num assunto que é eminentemente político, os fantasmas que se agitam são de cariz económico e financeiro, um retrato daquilo a que se transformaram as prioridades na União Europeia.
Não sabemos muito bem as consequências do que será a decisão favorável ao Brexit, com o provável efeito dominó que poderá desencadear. Não nos lembramos já do que era Portugal (ou o resto da Europa) sem a livre circulação de pessoas, bens e serviços, sem a abertura e a troca de experiências e de culturas de uma comunidade tão diversa e rica. Mas é precisamente o esquecimento de que se devem respeitar as diferenças e de que a solidariedade foi um dos princípios fundadores deste projecto, com a subalternização da democracia à ditadura dos mais poderosos, que faz perigar e soçobrar o que parecia imutável.
Preferiria que o Bremain ganhasse e que esta situação fosse um alerta para os decisores políticos de cada país e da União Europeia. É preciso ser optimista. Mas de uma coisa estou absolutamente certa – nada é mais importante que o respeito pelo voto e pela democracia.
Para quem não teve oportunidade de ver já estão disponíveis na RTP Play os primeiros episódios deste excelente documentário - A PIDE antes da PIDE - realizado por Jacinto Godinho, com coordenação científica de Irene Pimentel.
Muito bem enquadrado e com a preocupação de rigor e entretenimento, aproveitando imagens de arquivo da RTP e de séries que cobriram vários episódios ali mencionados - o processo dos Távoras, Bocage, o regicídio, etc. E percebemos que somos um povo que desde há muitos séculos convive com informadores e repressão da liberdade de expressão do pensamento.
Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...