11 maio 2016

Um dia como os outros (167)

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(...) De qualquer forma, os factos falam por si, basta ir ler os estatutos de alguns colégios com contratos de associação. Um caso engraçado é o do Colégio Rainha Santa Isabel (CRSI), em Coimbra, a menos de 2 kms de excelentes escolas públicas, como a Escola Secundária de Dona Maria ou a Avelar Brotero. Como “visão educativa” a CRSI tem “somente em vista a glória de Deus e a salvação do mundo” e quer que “todas as nossas acções tendam para este nobre fim”. No item da acção educativa diz que quer viver “em bom entendimento, formando um só coração e uma só alma, pertencendo totalmente a Deus.” Diz ainda que “como escola católica que é, todas as turmas do CRSI iniciam o seu dia fazendo oração comum ou comunitária, pensada e adaptada para cada faixa etária, iniciando o nosso dia com a bênção e o encontro com Jesus Cristo.” A 350 metros está o Colégio São Teotónio, também com contrato de associação, que na sua página diz que o “objetivo do Colégio de São Teotónio enquanto Escola Católica é educar a partir dos referenciais do humanismo cristão”. Nada contra. Mas com o dinheiro dos contribuintes dum Estado laico, não. Aliás, tenho a certeza absoluta de que se uma escola islâmica com estas características fosse financiada com os nossos impostos, grande parte da direita se atirava ao ar. E muito bem, eu também me atiraria. (...)


 


Luís Aguiar Conraria

O carrossel argumentativo

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Tal como a Penélope, a rádio que me acompanhou por alguns minutos, no caminho para o trabalho, foi a Antena 1. E ouvi boquiaberta, a propósito da revisão dos financiamentos estatais à escolas privadas com contratos de associação, outro argumento diferente daqueles que têm sido bombardeados a toda a hora e momento nos jornais, nas televisões, nas rádios, para que se consiga a lavagem cerebral do costume - a esquerda radical quer destruir o ensino privado.


 


Pois para a Helena Garrido o que interessa é a qualidade do ensino, partindo obviamente do princípio que a qualidade está do lado da escola privada. E se houver uma escola privada e uma pública lado a lado, se a privada tiver mais qualidade, deve fechar-se a pública.


 


Claro que não se pode voltar a investir na requalificação das escolas como foi feito pela Parque Escolar e como defendeu António Costa a premência de se voltar a fazer. Não, isso seria enterrar milhões. A qualidade, como facilmente se pode perceber, não tem nada a ver com isso, mas na escola pública. E também não é argumento, para quem defende o rigor das contas e os cortes nas gorduras do Estado, a poupança que representa para o mesmo Estado acabar com os subsídios às escolas privadas quando as públicas estão subaproveitadas.


 


Mas o mais interessante é assistir à emergência de novos argumentos quando se percebe que os anteriores não servem o propósito pretendido. Já ouvi vários: um ataque à Igreja Católica, impedir que os mais pobres tenham acesso ao ensino privado, coarctação da livre escolha das famílias entre público e privado, e por fim este argumento da qualidade.


 


Há apenas um ponto em que estou totalmente de acordo com Helena Garrido - Mário Nogueira nunca foi um factor de qualidade e de modernização na Escola Pública, muito pelo contrário. Esteve sempre do lado das forças mais retrógradas e reaccionárias, sendo um dos grandes responsáveis por muita da degradação da tão falada qualidade da Escola Pública. 


 


Ao contrário da Penélope, ando com o sentido de humor pouco apurado.

09 maio 2016

Um dia como os outros (166)

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(...) Entretanto, como no passado, há uma campanha montada no espaço público. Colégios que há anos pagam salários baixos e mantêm professores precários, às vezes com recibos verdes à margem da lei, apregoam a importância do emprego. Deputados que foram afoitos a degradar a escola pública e os apoios sociais falam da “igualdade” entre as crianças. Empresas que vivem de subsídios pagos com os impostos de todos contestam o ataque à “livre concorrência”. Está bom de ver que quem dirige esta campanha não está preocupado com os pais, com professores nem com os alunos, por mais que os instrumentalize para interesse próprio. Está apenas a querer manter uma renda ilegítima. (...)


 


José Soeiro

08 maio 2016

Escola Pública

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Uns anos depois volta a guerra das associações de ensino privado com a manipulação informativa a que já nos habituámos, tentando deixar, outra vez, tudo como estava.


 


O que é interessante é o epíteto com que se quer desvalorizar estas decisões governativas dizendo depreciativamente que é uma questão ideológica. É de facto uma questão ideológica. Enquanto os que estiveram no poder na última legislatura têm como objectivo o Estado mínimo, tendo desmantelado o que puderam dos serviços públicos, com a redução da despesa do Estado do lado da vergonhosa redução salarial, redução de investimento na melhoria das condições e nas instalações e equipamentos, para que a iniciativa privada crescesse à custa do outsourcing dos serviços públicos, os que estão no poder agora preferem rentabilizar os serviços do estado e reduzir a multiplicação dos gastos, gerindo os dinheiros públicos e reduzindo a despesa mas do lado do que se gasta em contratualização externa do que deveria ser assegurado internamente.


 


Não está em causa a liberdade de escolha. O Estado deve assegurar para todos os cidadãos a escola pública de qualidade. Só assim será possível escolher entre o público e o privado, com o corolário óbvio de que as escolas privadas deverão se pagos por quem os quer utilizar e não pelo Estado. A não ser que o Estado não consiga assegurar a obrigatoriedade constitucional que, felizmente, é cada vez menos o caso.


 


Parece-me claríssimo que é, de facto, uma questão ideológica. O desemprego dos professores existe e será cada vez maior por causa da acentuada quebra da natalidade, por causa da forma como se distribuem os alunos por turma, se reorganizaram os horários e as ofertas curriculares, etc., etc. E convenhamos que o desemprego dos professores do estado foi enorme nos últimos anos.


 


É muito interessante ouvir as pessoas que tanto vilipendiaram as obras de remodelação das escolas, transformando-as em espaços modernos e adequados para todos os que dela necessitam e em igualdade de circunstâncias, virem agora usar o argumento da falta de condições para justificar a manutenção do status quo, facilitando e incentivando o esvaziamento do ensino público e a proliferação de escolas privadas, financiadas pelo Estado.

29 abril 2016

Da necessária multiplicação da UBER

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As manifestações a que assistimos hoje, com as marchas lentas dos taxistas nas 3 principais cidades do país são o último grito de uma época que está a desaparecer. A adaptação aos novos tempos pode ser difícil e dolorosa, mas é inevitável. Neste caso em concreto é muito bem-vinda a concorrência a um sector que não evoluiu e cuja imagem está muitíssimo degradada, por responsabilidade própria.


 


Não é impedindo que haja novas formas de angariação de passageiros, outras empresas que se disponham a servir melhor o público, com mais formação, mais profissionalismo e melhor educação, com carros mais limpos e seguros, que não precisam de arranjar trocos, com facturas automáticas e avaliações de satisfação imediatas, que estão à distância de umas teclas de telemóvel e que vão ter com os clientes, que os taxistas podem travar a inexorável marcha da inovação e da tecnologia. Não faltam casos de clientes vigarizados pelos motoristas, pagando muito mais do que deviam, com queixas de indelicadezas e grosserias, recusas de viagens curtas, conversas azedas que não foram pedidas, desaforos e perigosas corridas por essas estradas fora.


 


Se é preciso regulamentar a UBER ou qualquer outra empresa que se regulamente; se é preciso fiscalizar que se fiscalize. Mas a agressividade existente é prenunciadora da inevitabilidade. O que os taxistas deveriam era reivindicar melhor formação, melhores carros, mais profissionalismo, patrões que cumpram os seus deveres quanto aos direitos laborais, implementação de formas de pagamento com cartões electrónicos, facturas automáticas, etc. Mas antes de tudo e mais importante, mais civismo. Esperemos que o governo seja firme e promova a necessária e modernização deste sector de transportes.


 

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...