Wildbirds & Peacedrums
Uma excelente série televisiva que acabou ontem na RTP2. Sóbria, gelada, pesada, assustadora, melancólica, sofrida, como todos nós. Uma música mesmo a condizer. Obrigada a quem ma encontrou.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Wildbirds & Peacedrums
Uma excelente série televisiva que acabou ontem na RTP2. Sóbria, gelada, pesada, assustadora, melancólica, sofrida, como todos nós. Uma música mesmo a condizer. Obrigada a quem ma encontrou.
Já por diversas vezes ficou bem provado a minha total ausência de clarividência política. Confesso a minha incapacidade para perceber vários fenómenos na sociedade portuguesa.
O primeiro é o fato de uma enorme percentagem dos meus concidadãos pura e simplesmente se absterem de votar. O alheamento e o encolher de ombros, a par do permanente ruído dos queixumes, são uma marca identitária que me custa a aceitar.
O segundo é o sentido de voto que resulta destas eleições, após quatro anos de empobrecimento e retrocesso. Escusamos de versejar e tentar relativizar a perda de maioria absoluta da coligação de direita. Para mim é mesmo incompreensível que tenha ganho, por muito ou por pouco.
O terceiro é a atitude de António Costa que, desde a primeira hora, teve o meu apoio. Após tão estrondosa derrota – não esqueço que defendi que era ele que poderia levar o PS ao governo, substituindo António José Seguro da sua liderança invertebrada, não tem uma palavra para o combate interno que, fatalmente, se seguirá. Mesmo que não se demitisse, e admito que até seja importante manter a serenidade neste período imediatamente anterior às presidenciais, o que estaria à espera era que, pelo menos, anunciasse a realização de um Congresso extraordinário onde poderia reforçar (ou não) a sua liderança. O PS vai precisar de ter um líder incontestado e, neste momento, ou António Costa assume o risco de pedir que o desafiem e lhe disputem o lugar de Secretário Geral, ou o PS vai continuar em lutas internas enfraquecendo-se e esboroando-se.
Mas claro, isto sou eu que não entendo o resultado das eleições. Uma coisa é certa – teremos PAF por mais uns belos tempos. Este modelo foi sufragado e o PS terá que ter força para conseguir negociar algumas das suas bandeiras eleitorais.
Quanto às presidenciais – e que tal o PS repensar também a sua estratégia? É que se anuncia mais uma estrondosa derrota, seja ela com Sampaio da Nóvoa ou com Maria de Belém.
Não foi a minha escolha. Mas foi clara e inequívoca. A coligação de direita, a confirmarem-se estes resultados, tem uma vitória estrondosa.
António Costa terá que se demitir. Fui sua apoiante desde a primeira hora e continuo sua apoiante. Mas a verdade é que esta é uma derrota muito expressiva.
É à coligação de direita que compete governar. Espero que o PS honre o seu lugar na oposição e não se perca em somas e cálculos que desvirtuem o resultado das urnas.
Não se esqueça
não se lamente
não se crispe
não se encolha
não se chore
não se arrepele
não se desgoste
não se desgrenhe
não se ajoelhe
não se arraste
não se atrase.
O dia é de erguer
os olhos
o corpo
a mente
o dia é de alegria
de renovação
de liberdade.
O dia é de votar!
Hoje é o dia da decisão, da nossa escolha, o dia em que podemos falar e em que a nossa voz será ouvida e cumprida.
Todos às urnas!
Vamos votar!
... aqui fica o link com toda a informação de que precisar:
Onde votar?
https://www.recenseamento.mai.gov.pt/index.html?
Cá em casa tudo se discute. Não há tabus nem atitudes paternalistas dos mais velhos perante os mais novos. E se as há, esbarram de imediato em argumentos bem estruturados e alicerçados em conhecimento. Ninguém se dá por satisfeito com abordagens superficiais ou estereotipadas aos vários assuntos em debate.
Mas há um tema, como agora muito se diz, em relação ao qual há unanimidade - é preciso votar. O voto universal, acessível a todos os cidadãos portugueses maiores de 18 anos, pobres e ricos, mulheres e homens, casados e solteiros, em uniões de facto ou independentes, com e sem filhos, doentes e saudáveis, analfabetos e letrados, foi implementado com a fundação do regime democrático a 25 de Abril de 1975.
É por isso uma conquista preciosa e delicada, uma arma poderosa na mão de todos e de cada um de nós. Será uma oportunidade desperdiçada não fazer uso dessa manifestação de cidadania, uma obrigação que temos enquanto membros de uma comunidade.
Que chova, que vente, que arda o sol, que troveje. Não serão os elementos que impedirão de nos afirmarmos cívica e exemplarmente, aguardando na fila o momento de decidir em igualdade, democrática e livremente, o nosso próximo futuro. Que ninguém abdique desse poder, que se negue a esse serviço público. É o exacto momento de ter voz.
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...