18 abril 2015

Das provocações da direita às reacções da esquerda

O debate lançado pelo Observador sobre a necessidade de uma nova Constituição deve interessar a todos. Aos que concordam e pensam ser necessário redigir uma Constituição e aos que não concordam e pensam ser necessário apenas ir revendo a Constituição existente.


 


De uma forma ou de outra ninguém deve ficar indiferente e recusar o debate. A esquerda não pode transformar o tema constitucional num tabu, como se se tratasse de um texto sagrado e clamando por blasfémia de cada vez que se fala - habitualmente a direita e com intuitos obviamente ideológicos - em fazer uma nova Constituição.


 


O que eu gostaria de ver era a esquerda a explicar porque não quer um novo texto Constitucional, o que pretende manter e o que pretende rever, quando, como e porquê. Se o debate está enviesado à direita a esquerda tem obrigação de o redireccionar.


 


A Constituição tem quase 40 anos e o mundo mudou. Não me causa qualquer espanto a defesa de uma nova Constituição. Penso mesmo que os partidos deveriam ser transparentes e explicarem o que querem mudar ou manter na Constituição, ficando assim com um mandato para a revisão, alteração ou mesmo para se eleger uma nova Assembleia Constituinte. O que me preocupa é perceber que da parte da esquerda há pânico em vez de ideias e de firmeza.


 


A este propósito, vale a pena ler este excelente texto de Domingos Farinho.

Da tolerância democrática

Não deixa de ser surpreendente que alguém se candidate a Presidente da República, uma das Instituições da nossa democracia, e tenha tanto desrespeito e desprezo por outra Instituição da nossa democracia. Aliás se não existisse um regime democrático (e Republicano) essa figura não teria oportunidade de poder candidatar-se sequer.

Da hipocrisia pornográfica

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 Mariano Gago


 


São quase pornográficas as declarações que ouvimos de Passos Coelho e de Nuno Crato, na hora em que vestem o luto e afivelam rostos de circunstância e pesar, elogiando o trabalho de um homem que dedicou muito da sua vida a construir tudo aquilo que os dois se apressaram a destruir.

17 abril 2015

Do voto de confiança

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Apesar dos erros que estão, na minha opinião, a ser cometidos pelo PS - política de alianças, estratégia presidencial, falha na liderança da agenda política, apesar das sondagens não demonstrarem a tão ansiada subida de intenções de voto, apesar de me indignar com as incapacidades da oposição, não me restam nenhumas dúvidas quanto à infinita diferença entre esta direcção do PS e a anterior.


 


António Costa tem tudo para ser um excelente Primeiro-ministro: cultura política, diplomacia, honestidade, frontalidade e bom-humor, experiência governativa e coragem para enfrentar adversidades. O PS, mais devagar do que eu gostaria, é certo, tem centrado a sua acção de forma hierarquizada em relação às prioridades que definiu, com bastante habilidade e realismo. É um alívio olhar para António Costa e para os seus colegas e perceber que podemos confiar neles.

Dos erros (ex) Presidenciais

Se Ramalho Eanes apoiar a candidatura de Sampaio da Nóvoa para as próximas eleições presidenciais, o PS perde a possibilidade de apresentar, de forma explícita ou não, qualquer outro candidato da área do centro-esquerda que possa ampliar a base de apoio e protagonizar uma verdadeira mudança de ciclo político no País.


 


Como está cada vez mais à vista, o PS foi ultrapassado pelos acontecimentos e não consegue arrancar com alma e coragem, deixando a iniciativa nas mãos das forças políticas mais ou menos marginais à esquerda e nas mãos da direita, com Marcelo Rebelo de Sousa em grande actividade dando gás a esta candidatura.


 


Considero-a (mais) um erro estratégico da esquerda, que se perde nos entrincheiramentos monolíticos e reage a tudo como actos provocatórios, sem que lhe ocorra, àquela histórica esquerda revolucionária, criativa e desestabilizadora, ter alternativas e imaginação. Em vez do descabelamento e das juras de amor eterno ao Texto Constitucional, recusando (por blasfema) a hipótese de discutir a possibilidade de se escrever uma nova Constituição, deveria preocupar-se em avançar com propostas que renovassem a democracia e obrigassem a direita ao desconforto.


 


Infelizmente estamos a assistir ao contrário. Por isso parece-me um erro também de Ramalho Eanes adiantar-se neste apoio, arrumando por mais 10 anos a questão presidencial.

16 abril 2015

Terra seca

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Dry Land


John R Walker


Chamaram-lhe tempo de cerejas


ao vasto encontro da bonomia


ao azul chamamento do mar.


 


Mas dos frutos as mãos já se desarmam


desapetecidos pela secura do olhar


e do tempo já a vida se demora


esquecida do que falta semear.

Dos totalitarismos esclavagistas

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 Laurence Valère


Anse Cafard Slave Memorial


 


Seremos todos altos, fortes, saudáveis e moralmente puros, com inúmeras virtudes públicas (vícios só os privados).


Governo quer proibir tabaco em todos os locais públicos fechados


Proibição de qualquer tipo de álcool a menores vai avançar


 


E será tudo a favor da Nação, todo o esforço e o suor dos nossos rostos brilharão para o esplendor nacional, de olhos postos no chão e humilde chapéu na mão, facebook para distrair e sol para desdeprimir - Portugal no seu melhor.


Empresas apoiadas pelo Estado pagam 505 euros a engenheiros e professores

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...