17 janeiro 2015

Resposta da Rita


Ana Carolina


Edu Krieger


 


Não levei o seu sorriso


Porque sempre tive o meu


Se você não tem assunto


A culpada não sou eu


 


Nada te arranquei do peito


Você não tem jeito faz drama demais


Seu retrato, seu trapo,seu prato,


Devolvo no ato pra mim tanto faz


 


Construí meu botequim


Sem pedir nenhum tostão


A imagem de são francisco


E aquele bom disco estão lá no balcão


 


Não matei nosso amor de vingança


E deixei como herança um samba também


Seu violão nunca foi isso tudo


E se hoje está mudo por mim tudo bem

Samba que nem Rita à Dora


Seu Jorge


 


O Chico falou que a Rita levou


O sorriso dele e o assunto


Eu sofri seu sofrer mas pergunto


Se o meu ele ia aguentar


 


A quem tanto queria um presunto


Dei meu corpo morrendo de amar


Onde havia horizonte defunto


Pois o sol a brilhar


 


(O Chico falou)


 


O Chico falou que a Rita levou


O sorriso dele e o assunto


Eu sofri seu sofrer mas pergunto


Se o meu ele ia aguentar


 


A quem tanto queria um presunto


Dei meu corpo morrendo de amar


Onde havia horizonte defunto


Pois o sol a brilhar


 


Num instante eu tirei


Suas mãos lá do tanque


Presenteei


Máquina de lavar


Contratei pra passar


Dona Sebastiana


Testemunha ocular do esforço que eu fiz


Para ver tudo azul


E até Carvão e Giz


Teria final feliz na África do Sul


 


Acontece ô Chico


Você mesmo disse


Que a Rita levou o que era de direito


Acontece que a Dora sem ter o direito


Levou tudo que eu já iria lhe dar


 


Se não deu pra formar um conjunto


O meu som não podia dançar


Se não deu pra gente ficar junto


É um lá, outro cá


 


Lhe dediquei


Lhe dediquei


Uma trova, um soneto e um samba-canção


Mas é que a danada não tem coração


Tem não, tem não


Sem mais e sem menos, resolve ir embora.


 


Lhe dediquei


Uma trova, um soneto e um samba-canção


Mas é que a danada não tem coração


Tem não, tem não


Sem mais e sem menos, resolve ir embora.


 


O Chico falou que a Rita levou


O sorriso dele e o assunto


Eu sofri seu sofrer mas pergunto


Se o meu ele ia aguentar


 


A quem tanto queria um presunto


Dei meu corpo morrendo de amar


Onde havia horizonte defunto


Pois o sol a brilhar


 


Num instante eu tirei


Suas mãos lá do tanque


Presenteei


Máquina de lavar


Contratei pra passar


Dona Sebastiana


Testemunha ocular do esforço que eu fiz


Para ver tudo azul


E até Carvão e Giz


Teria final feliz na África do Sul


 


Acontece ô Chico


Você mesmo disse


Que a Rita levou o que era de direito


Acontece que a Dora sem ter o direito


Levou tudo que eu já iria lhe dar


 


Se não deu pra formar um conjunto


O meu som não podia dançar


Se não deu pra gente ficar junto


É um lá outro cá


 


Lhe dediquei


Lhe dediquei


Uma trova, um soneto e um samba-canção


Mas é que a danada não tem coração


Tem não, tem não


Sem mais e sem menos, resolve ir embora.


 


Lhe dediquei


Uma trova, um soneto e um samba-canção


Mas é que a danada não tem coração


Tem não, tem não


Sem mais e sem menos, resolve ir embora.


 


(Lere...)


 


Lhe dediquei


Uma trova, um soneto e um samba-canção


Mas é que a danada não tem coração


Tem não, tem não


Sem mais e sem menos, resolve ir embora.

Do diletantismo (pouco) militante

compota abobora chocolate.png


Hoje lembrei-me desta minha amiga e colega por duas vezes. Primeiro porque ouvi, por acaso, um programa na TSF (Património à mesa) sobre história da alimentação e dos alimentos, hábitos culturais ligados à gastronomia e à mesa, dos ricos e dos pobres. Ana Marques Pereira foi uma das convidadas e ainda bem. Desde há muito tempo que lhe conheço o gosto e a curiosidade por estes e outros temas, que ela não é pessoa para se esgotar num único interesse. Há cerca de 1 ano organizou uma exposição sobre licores, publicou um livro, e até eu participei numa aula sobre a confecção dos mesmos.


 


A segunda foi ao ver um episódio de uma série com a Miss Marple, detective amadora criada por Agatha Christie. E lembro-me de discutirmos as nossas adaptações preferidas dos detectives de Agatha Christie: Poirot e Miss Marple. Na realidade, embora concorde que a série protagonizada por David Suchet é a que melhor representa a personagem de Hercule Poirot, um detective belga muito vaidoso, pequeno e de cabeça ovóide, com um bigode magnificente e umas células cinzentas bem activas, não a acompanho quando considera que a Jane Marple de Joan Hickson é fiel ao retrato que dela faz a sua criadora.


 


Confesso  que não conheço nenhuma série nem nenhum filme que, a meu ver, consiga mostrar-nos uma velhota solteirona frágil, ligeiramente anafada, um pouco atarantada, coberta de malhas fofas, com uns olhos azuis penetrantes e inteligentes e que, sempre em conversa com os outros, deslinda os mais complicados e misteriosos crimes. A que está a passar agora no FOX Crime é muito interessante mas, mais uma vez, longe daquilo que eu imagino que seja a Miss Marple.


 


Não sei se a minha Miss Marple gostaria de cozinhar, mas suspeito que sim e que apreciaria a experimentação e a curiosidade de combinar produtos diferentes. No seguimento dessa minha hipótese já despachei uma das abóboras, fazendo um doce de abóbora com chocolate, cuja receita encontrei neste blogue fantástico, tal como o outro da mesma autora.


 


Juntei abóbora aos bocadinhos (enfim, mais aos bocadões) com açúcar (650 g por cada quilo de abóbora), canela (em pau, 2 por quilo), sumo e raspa de laranja (1 por quilo) numa grande panela que foi ao lume, e esperei mais ou menos pacientemente que começasse a fazer ponto. Nessa altura triturei a abóbora com a varinha mágica (é melhor retirar os paus de canela antes) e deixei que chegasse à tão ambicionada estrada. Depois parti chocolate de culinária (com 70% de cacau, 100 g por quilo) aos quadradinhos e deixei derreter, mexendo sempre. Foi um êxito, mais fora do que dentro de casa porque, como em tudo, Santos da casa não fazem milagres, dá Deus nozes a quem não tem dentes, etc.


 


Resta-me encontrar mais novidades para as outras arrumadas na cozinha, a estorvarem um pouco os passos de quem quer chegar à roupa. Enfim, tudo a seu tempo, que a vida não está para pressas nem inconseguimentos.

Perdidos

 


Richard Matzkin.jpg


Lovers hugging 


Richard Matzkin


 


Somos pássaros perdidos


entre os arrepios de uma vida


que nos encolhe e desabriga.


Somos trementes lábios


palavras sem nexo


perante a morte que nos desampara.


Somos únicos solitários abandonos


sem o sangue de quem nos quer.

Isto é fundamental

o pai tirano.jpg


Estive há dias a rever O Pai Tirano e, como de todas as vezes que o faço, ri deliciada com esta comédia.


 


É muito típico da nossa forma de viver dizermos mal de tudo o que somos e fazemos. Este filme estreou em 1941 e continua a ser uma excelente comédia. É uma história construída à volta do teatro, com o teatro e para o teatro, sendo um fantástico produto cinematográfico.


 


Com um argumento muitíssimo bem escrito, num jogo bem disposto e despretensioso entre o real e o figurado, brinca com os amores e desamores, com o conservadorismo e o modernismo, com as relações entre as classes e os géneros, com a pseudo intelectualidade sempre presente numa capital que se queria cosmopolita, com a vida quotidiana dos bairros da gente mediana e trabalhadora.


 


Com actores brilhantes, alguns por serem muito bons e outros por serem muito maus, é uma sucessão de situações hilariantes e disparatadas que prendem o espectador do princípio ao fim. Cá por casa há quem saiba as deixas, as do Sr. Seixas e de todos os outros, de cor e salteado.


 


Recomendo vivamente, contra todas as mazelas físicas, mas principalmente psíquicas, com repetição sempre que for preciso.


 


Isso é fundamental!

Fado triste


Vitorino


Vai ó sol poente


vai e não voltes


sem trazer no primeiro raio


notícias de quem se foi


numa madrugada amarga e triste


um navio de proa em riste


levou tudo o que eu guardei


 


Na caixa escondida dos afectos


no lembrar dos objectos


que enfeitavam o meu quarto


tudo perde a cor a forma o cheiro


ficaram só coisa esquecidas


da importância que tiveram


 


Volto sempre ao rio


às sextas-feiras p´ra lembrar


dias descuidados noites à toa


espero que o navio sempre queira


trazer de volta o sussurro


dos teus passos


numa rua de Lisboa

Dos significantes e do significado

jesuiescharlie.JPG


A afirmação Je suis Charlie não significa que se goste ou se concorde com o conteúdo dos cartoons, que se compreenda a ofensa de quem se sente provocado – são provocantes e ofendem.


 


Mas não é isso que está em causa – ser-se Charlie é o grito de revolta perante a inqualificável e inaceitável aceitação, mesmo que politicamente correcta, de que se não devem publicar esses cartoons.


 


É grave e significativo que se tentem de alguma forma justificar as reacções às ditas provocações – quais são aceitáveis e inaceitáveis, tanto as provocações como as reacções? Há pessoas que têm responsabilidades acrescidas e o Papa é uma delas. Nada, mesmo nada pode justificar o terrorismo.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...