24 novembro 2014

Dos julgamentos políticos

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Quando todas as sondagens previam a vitória inquestionável do PS nas próximas eleições, após o alívio geral com a saída de cena de António José Seguro, eis que se revigora esta maioria de direita, na esperança de que a prisão e a condenação pública de José Sócrates alastre o repúdio pelos políticos do PS, tentando misturar os eventuais crimes do ex-Primeiro-ministro com as políticas dos seus governos. Marcelo Rebelo de Sousa não se conteve – se António Costa vencer as eleições será um génio; Nuno Garoupa, considera que o País deve fazer um julgamento político de José Sócrates.


 


Do que se esquecem muitos dos comentadores e das pessoas que viram renascer a esperança à medida que passava o fim-de-semana, com o País colado à televisão para ver passar automóveis de um lado para o outro, é que o julgamento político de José Sócrates já foi feito nas eleições de 2009 e de 2011. Nas últimas, os cidadãos escolheram esta maioria que nos governa e não o PS com José Sócrates a liderá-lo. O porquê dessa derrota eleitoral pode ser olhada e explicada de várias maneiras, mas é assim que se julga politicamente alguém que teve responsabilidades governativas – em eleições. Por isso mesmo António Costa faz bem em separar o processo judicial do processo político. E por muito que queiram enlamear tudo o que fizeram Sócrates e os seus colaboradores, enquanto governantes têm sido julgados durante todos estes anos por todos nós.


 


Para além de Sócrates e do PS, os portugueses farão um julgamento político deste governo ruinoso, de quem os enganou e fez exactamente o contrário do que prometeu, de quem tem sido de uma incompetência que ultrapassou vários limites, nas pessoas dos seu responsáveis máximos - Passos Coelho e Paulo Portas. Também o farão desta esquerda tão à esquerda de toda a esquerda da esquerda, que não se cansa de nos lembrar, relembrar e prometer que esteve e estará sempre coligada com a direita para impossibilitar um governo do PS.

23 novembro 2014

Um dia como os outros (147)


 

Um dia como os outros (146)

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 (...) Temos visto nos últimos tempos com preocupação a permanente detenção de pessoas para interrogatório. A detenção só pode ser feita de acordo com aquilo que está estipulado no Código de Processo Penal (CPP) e, portanto, havendo perigo de fuga, flagrante delito, perigo de continuação da actividade criminosa ou havendo o perigo de alguma intranquilidade na comunidade (...)


(...) estar-se a estimular a justiça na praça pública, com pessoas a serem detidas sem que haja o gozo da presunção de inocência, à frente de câmaras de televisão, com fugas de informação que constituem violações do segredo de justiça, o que é crime em Portugal (...)


(...) Essa pessoa é um cidadão português, beneficia da presunção constitucional de inocência e vê irremediavelmente comprometida a sua honra e consideração, depois da visualização por toda a sociedade portuguesa da sua detenção (...)


 


Declarações de Elina Fraga, Bastonária da Ordem dos Advogados

Do próximo futuro

O PS elegeu, ontem, um novo Secretário-Geral. António Costa honrou a confiança que nele depositaram militantes e simpatizantes e fez aquilo que dele se espera: não renegou o passado do partido, nos seus bons e maus momentos, separou um caso de polícia do que é política e afirmou a prioridade nacional de encontrar uma alternativa para esta direita que nos governa.


 


Não faltará a caça às bruxas, visto que já há brigadas de ratos a inundarem as caixas de comentários de quem sempre defendeu a política dos governos de Sócrates. Ontem assisti com uma náusea profunda a várias declarações de um convidado da RTP - Paulo Morais - em reposta a perguntas no mínimo enjoativas de José Rodrigues dos Santos, com a assistência embasbacada e não reactiva de José Adelino Maltez.


 


Vai ser interessante assistir à reinvenção da história de forma a demonstrar que foram Sócrates e os seus sequazes os responsáveis por todas as vilanias acontecidas em Portugal e na Europa, ou mesmo no mundo, neta última década, tentando enlamear António Costa e a nova direcção. É uma prova de fogo que, por eles e por nós, espero bem que consigam superar.

22 novembro 2014

Da inevitabilidade dos efeitos colaterais

O país já tem mais um escândalo para se entreter, esquecendo os escândalos anteriores como os vistos gold a reposição das subvenções mensais vitalícias aos deputados - não há repúdio ao populismo que grassa pela sociedade, transformando os deputados numa raça a abater, que compreenda a prioridade nacional deste assunto.


 


António Costa, que reagiu com ponderação à mediática justiça de hoje, viu desaparecer a sua eleição como Secretário-Geral do PS, tragada pelo assunto pensionista e pelo rodar implacável e secreto da justiça. O governo deve estar a respirar de alívio e o PS de tristeza e ansiedade.

Lisboa menina e moça


Ary dos Santos & Joaquim Pessoa & Fernando Tordo & Paulo de Carvalho


 


Parabéns ao Carlos do Carmo


ao Vasco Palmeirim e à Rádio Comercial


 


No castelo, ponho um cotovelo


Em Alfama, descanso o olhar


E assim desfaz-se o novelo


De azul e mar


À ribeira encosto a cabeça


A almofada, na cama do Tejo


Com lençóis bordados à pressa


Na cambraia de um beijo


 


Lisboa menina e moça, menina


Da luz que meus olhos vêem tão pura


Teus seios são as colinas, varina


Pregão que me traz à porta, ternura


Cidade a ponto luz bordada


Toalha à beira mar estendida


Lisboa menina e moça, amada


Cidade mulher da minha vida


 


No terreiro eu passo por ti


Mas da graça eu vejo-te nua


Quando um pombo te olha, sorri


És mulher da rua


E no bairro mais alto do sonho


Ponho o fado que soube inventar


Aguardente de vida e medronho


Que me faz cantar


 


Lisboa menina e moça, menina


Da luz que meus olhos vêem tão pura


Teus seios são as colinas, varina


Pregão que me traz à porta, ternura


Cidade a ponto luz bordada


Toalha à beira mar estendida


Lisboa menina e moça, amada


Cidade mulher da minha vida


 


Lisboa no meu amor, deitada


Cidade por minhas mãos despida


Lisboa menina e moça, amada


Cidade mulher da minha vida

Da prata das palavras e do ouro do silêncio

Acordei para a notícia da detenção de José Sócrates. Não percebi se tinha fugido à justiça ou se estava a fugir, se se tinha negado a prestar declarações, se tinha tentado matar ou morto alguém. Apenas que, com a SIC a filmar, tinha sido detido no aeroporto no âmbito de uma investigação que está em segredo de justiça. Como é habitual este segredo é apenas para gerir melhor o circo mediático e os alvos que vão sendo atingidos.


 


Tudo isto é assustador: se José Sócrates for considerado culpado dos crimes de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção, é mais um golpe na nossa confiança nos representantes políticos, mais uma machadada na imagem dos servidores públicos, mais uma acha para a fogueira do populismo e do advento do moralismo totalitário dos movimentos que estão a crescer por todo o lado; se esta investigação acabar como a da Casa Pia e semelhantes, é mais uma demonstração da judicialização da política e do poder absolutista que vão tendo os Juízes, modelando a opinião pública através destas investigações que não condenam mas, sobretudo, não absolvem.


 


Vivemos em tempos em que não nos sentimos protegidos por este poder judicial - e isso é terrível. Por muito que se repita que até prova em contrário as pessoas são inocentes, é impossível apagar as suspeitas. E é por isso e para isso que estes circos se montam.


 


Continuo a pensar que José Sócrates foi um dos melhores Primeiros-ministros que tivemos na era democrática. Quero muito acreditar nas pessoas, e preciso muito de acreditar nas Instituições. Cada vez mais estas duas crenças são mutuamente exclusivas.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...