E pronto, já chegámos ao Outono, portanto ao Inverno. Não há ano em que o início de Novembro, com a habitual peregrinação a terras beirãs, não seja o princípio do frio e da chuva. Por muito bom tempo que esteja antes, no dia da feira arrefece e chove.
Muita gente mas pouca feira. Encolheu e especializou-se: castanhas foram mais que muitas, queijos e enchidos (maravilhosos) menos, muitíssimas tendas com roupa e sapatos; jeropiga para vários gostos, castanhas mais ou menos assadas e farturas, obviamente, quentes e polvilhadas de açúcar e canela.
Este ano houve um extra: como de costume as ruas onde montam as tendas ficam interditas ao trânsito e ao estacionamento. O largo de Sto. António é uma boa alternativa e costumo lá deixar o carro, todos os anos. Desta vez havia um lugarzito bem bom encostado ao passeio e lá deixei o reluzente carro, acabadinho de lavar no dia anterior.
Na manhã seguinte, quando o fui buscar, pensei que tinha havido uma limpeza de esgotos na cidade dos pombos, imediatamente acima do tejadilho do meu maravilhoso veículo, numa frondosa árvore. Era tanta porcaria, nos vidros, nas portas, misturada com penas, que parecia o resultado de uma guerra intestina (literalmente) da passarada.
Quando comentei, entre o ultrajada e ofendida, o facto com familiares, a frase - Onde o deixaste? No largo de Sto. António? - vinha acompanhada de um imparável sorriso de gozo misturado com pena, de quem já sofreu ou viu sofrer agruras semelhantes.
Antes de me vir embora a primeira coisa que fiz foi procurar um local onde pudesse lavar aquela bodeguice. Ao chegar à oficina o senhor que lá estava, com o mesmo imparável sorriso de gozo misturado com pena comentou - Ah, foi no largo de Sto. António...
Fiquei a saber que o Largo de Sto. António deve ser conhecido como o cagatório público dos pombos alcainenses.