03 novembro 2014

Largo de Sto. António

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E pronto, já chegámos ao Outono, portanto ao Inverno. Não há ano em que o início de Novembro, com a habitual peregrinação a terras beirãs, não seja o princípio do frio e da chuva. Por muito bom tempo que esteja antes, no dia da feira arrefece e chove.


 


Muita gente mas pouca feira. Encolheu e especializou-se: castanhas foram mais que muitas, queijos e enchidos (maravilhosos) menos, muitíssimas tendas com roupa e sapatos; jeropiga para vários gostos, castanhas mais ou menos assadas e farturas, obviamente, quentes e polvilhadas de açúcar e canela.


 


Este ano houve um extra: como de costume as ruas onde montam as tendas ficam interditas ao trânsito e ao estacionamento. O largo de Sto. António é uma boa alternativa e costumo lá deixar o carro, todos os anos. Desta vez havia um lugarzito bem bom encostado ao passeio e lá deixei o reluzente carro, acabadinho de lavar no dia anterior.


 


Na manhã seguinte, quando o fui buscar, pensei que tinha havido uma limpeza de esgotos na cidade dos pombos, imediatamente acima do tejadilho do meu maravilhoso veículo, numa frondosa árvore. Era tanta porcaria, nos vidros, nas portas, misturada com penas, que parecia o resultado de uma guerra intestina (literalmente) da passarada.


 


Quando comentei, entre o ultrajada e ofendida, o facto com familiares, a frase - Onde o deixaste? No largo de Sto. António? - vinha acompanhada de um imparável sorriso de gozo misturado com pena, de quem já sofreu ou viu sofrer agruras semelhantes.


 


Antes de me vir embora a primeira coisa que fiz foi procurar um local onde pudesse lavar aquela bodeguice. Ao chegar à oficina o senhor que lá estava, com o mesmo imparável sorriso de gozo misturado com pena comentou - Ah, foi no largo de Sto. António...


 


Fiquei a saber que o Largo de Sto. António deve ser conhecido como o cagatório público dos pombos alcainenses.

Naco na pedra

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A ideia de quatro dias inteirinhos e seguidos de férias animam qualquer um (ou qualquer uma) com o gozo dos pequeníssimos prazeres e rituais de lazer multiplicados por… infinito. Não sei se apenas pelo distender da falta de compromissos ou se pela curiosidade inata da minha pessoa, surpreendo-me muitas vezes com as cenas quotidianas.


 


Na calmaria de um almoço banal, com a única diferença de ser dia de semana e eu não estar a trabalhar e, além disso, estar muito bem acompanhada numa conversa amena e confortável, a degustar um polvo salteado com migas de espinafres, reparo na senhora que se sentava mesmo ao meu lado: cerca de cinquenta e tal anos, compacta sem ser gorda, cabelo penteado para fora, óculos com aros de massa, túnica de cor bordeaux e calças mais ou menos do mesmo tom, com um ar afirmativo e assertivo de quem manda e gosta de mandar. Repentinamente afasta irritada uma pedra que fumegava com uns nacos de carne em cima:



- Não sou capaz de comer isto assim; agonia-me a carne crua!



O empregado, solícito, sugere à senhora um bifinho da vazia ou do lombo, ou as outras iguarias que se ofereciam no menu. A senhora, soberba e mal-educada:



- Como só a salada!



O desgraçado do companheiro da frente fez-se mais magro e mais cinzento do que já era, murmurando qualquer coisa para dentro do prato e concentrando-se na sua própria refeição. Pouco tempo depois ambos abandonaram a mesa, ela com a mesma ferocidade indignada, deixando no prato os despojos do tomate da salada que, pelos vistos, também a enjoavam.


 


Enfim, há algumas coisas que se me afiguram misteriosas: se uma pessoa se agonia com carne crua, porque escolhe para o almoço naco na pedra?

31 outubro 2014

Da aculturação dos bruxedos

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Estou a ficar definitivamente velha e ranzinza. Embora desconfie que quando era nova e alegre (se é que isso algum dia aconteceu) nunca tenha percebido o fascínio pelos carnavais.


 


Mas agora, com esta nova moda do Halloween, mais uma importação ou aculturação, a juntar ao Valentine's Day, e com o jantar interrompido por uma miúda já bastante graúda a pedir doce ou travessura, faz-me grunhir de exaspero e enervação.


 


Truque ou travessura? Já nem o Pão-por-Deus, de que também nunca gostei, se salva neste estrangeirismo militante. Só me faltam mesmo as verrugas com pêlos no nariz, para me transformar numa bruxa de olhos vermelhos.


 


Nota: A propósito vale a pena ler este post que, embora tenha sido escrito já há 3 anos, continua cada vez mais actual.

Abóboras

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A única assombração, nesta noite de bruxas, é mesmo a imagem das abóboras que tenho para transformar em alguma coisa natalícia...

Da mudança de imagem

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Nos próximos tempos este blogue vai trabalhar para a imagem. Ainda não sei bem como, mas vais ficar diferente.


 


Aguardemos...

26 outubro 2014

Da sobrevivência da Pensão Estrelinha

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Uma das coisas de que gosto, quando vou a congressos e cursos fora da localidade onde moro, é a hipótese de me poder deslocar a pé, entre o hotel e o curso ou congresso, seja em Portugal seja no estrangeiro.


 


Neste momento temos várias ferramentas que nos ajudam a escolher o alojamento, que nos informam da localização precisa, do preço e das facilidades que oferecem aos hóspedes.


 


Animada destes princípios e com uma fé inabalável na internet e no rejuvenescimento da nossa oferta turística, que é muito melhor do que em muitos outros países com grande propaganda, procurei um local no Porto, onde pudesse, a um preço módico, ficar perto do Hospital de Santo António, onde iria decorrer o curso durante uns 4 dias.


 


Google maps e booking.com, duas indispensáveis ferramentas de que me socorro sempre nestas ocasiões, foram, mais uma vez, a resposta às minhas perguntas: na Praça Carlos Alberto, a 5 minutos a pé do Hospital de Santo António, um Hotel a 42,00/ noite, com pequeno-almoço e internet! Que mais poderia querer


 


Na estação de Campanhã, após uma viagem de comboio onde devorei The right attitude to rain, estranhei que o taxista não conhecesse o maravilhoso Hotel. Bem, mas lá fomos. A Praça Carlos Alberto é fabulosa, lindíssima e animada. Numa das pontas via-se uma porta com o nome do Hotel. Tive um instante de apreensão, ao ver a estreiteza da ombreira e a decadência da pintura, mas nada que encolhesse o meu optimismo.


 


Carregando a mala, franqueei a porta. Esperavam-me dois lanços de escada íngreme até ao 1º andar, seguindo as setas que indicavam a recepção. Esta constava de um balcão e de um senhor medianamente simpático, que me pediu a identificação, me indicou a sala do pequeno-almoço nesse andar (atrás de uma porta em mau estado reconheciam-se algumas cadeiras esquálidas). Quando me disse que o meu quarto era o número trezentos e qualquer coisa, no 3º andar, perguntei pelo elevador. Sorrindo o senhor medianamente simpático explicou-me que não havia. Ou seja, carreguei a mala por mais dois andares de escadaria tão íngreme como a anterior. A chave era uma chave verdadeira, amarelada, com a etiqueta do número pendurada; a porta do quarto era grande, pesada e abriu-se com bastante dificuldade. Lá dentro dei com das camas lado a lado, num quarto com as paredes mal pintadas, um chão de madeira corrida e que rangia, sem armário. A casa de banho tinha uma banheira xs, com uma cortina de plástico que já vira melhores dias, um chuveiro pendurado com uma cor baça e desocupada e, mesmo a um canto do tecto, sobressaía um termoacumulador, que aqueceria (ou não) a água do banho.


 


Bom, testemos a internet - funcionava. Procurei vários hotéis mas, tal como me tinham afirmado, o Porto estava repleto de turistas e não havia lugar em lado nenhum, com excepção do IBIS São João.


 


Telefonei e reservei um quarto para os dias seguintes. Quando fiz o checkout, o senhor medianamente simpático não perguntou nada, nem porque razão não aproveitava uma única noite. Concluí que não deveria ser a primeira pessoa a prescindir de tão humilde conforto.


 


Mas tive pena. Prefiro uma caminhada pela manhã e não preciso de grande estadão para passar as noites. Mas não é preciso exagerar. E bastava uma pequena remodelação para ser uma maravilhosa pensão Estrela, em vez de estiolar em Estrelinha.

Da pAAAtÉtica falta de informação

 


É importantíssima a informação que, desde há uns dias, tem sido amplamente repetida e divulgada por toda a comunicação social, a par das pAAAtÉticas declarações de Passos Coelho - os resultados dos testes de stress aos bancos europeus.


 


Ficámos, portanto a saber que o BCP chumbou (nomenclatura originalíssima utilizada pelos jornalistas) nos tais testes de stress. Mas não ouvi nem li nada sobre a nota do BES nesses mesmo testes - sabemos que tinha passado em 2011 e que também estava em avaliação em 2013. Estranhamente não vejo nenhuma curiosidade em relação à sua performance; nem quais os restantes bancos europeus a sofrerem o tal chumbo.


 


Tenho muitas suspeitas de que estes resultados são totalmente irrelevantes e que não asseguram rigorosamente nada, muito menos a solidez de qualquer instituição bancária. Pior ainda - podem arrasar a credibilidade das Instituições avaliadoras.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...