20 setembro 2014

Mobilizar Portugal


 


O desapego dos cidadãos à política e aos políticos é directamente proporcional à incompetência e vacuidade dos protagonistas. Prova disso é a mobilização para as primárias do PS - quando há uma causa importante, quando os cidadãos têm um motivo para aderirem à política fazem-no.


 


Este facto é verificável em Portugal e noutros países europeus. A participação na votação para o referendo escocês teve uma percentagem histórica de 85,6%. É a evidência de que há interesse e envolvimento da sociedade para resolver os problemas que sentem importantes.


 


O ataque de populismo de António José Seguro, rivalizando com Marinho e Pinto, na tentativa de apelar aos instintos mais primários de culpabilização dos responsáveis eleitos por todos os males do universo é patético e, espero eu, contraproducente. A hipotética proposta de alteração da lei eleitoral, a dormir desde há vários anos, para além das insinuações sobre a promiscuidade entre negócios e políticas, demonstram bem as habilidades de que é capaz.


 


Nas primárias do PS está em causa a escolha de alguém que nos saiba e possa representar, não uma pessoa que afirma ter-se anulado estrategicamente para conseguir ter o partido na mão e que coloca o seu direito a ser candidato a Primeiro-ministro à frente dos interesses do país. Está em causa a hipótese de alternativa a este governo.


 


Depois das primárias a disputar a 28 de Setembro se, como acredito, António Costa vencer, espero que António José Seguro se demita de Secretário-geral do PS. Os recentes agendamentos de discussões parlamentares fazem-me temer que o não fará.

Da minha janela


O Tejo


 


A verdadeira dor


a que não se bebe em lágrimas


a que não se aperta em aflição


entre os nós dos dedos


a que não embacia os cabelos


a que não se encarquilha na porosidade


e fragilidade do esqueleto


está na funda e incompreensível solidão


no silêncio de um mar que não termina


num infinito universo que elimina


a sôfrega vastidão do tempo.

15 setembro 2014

Maria de Lurdes Rodrigues


 


Da justiça temos uma ideia romântica de igualdade, imparcialidade e infalibilidade. De um sistema de justiça queremos que seja rápido, certeiro e rigoroso.


 


Não conheço Maria de Lurdes Rodrigues. Pertenço a uma área profissional totalmente distinta, nunca me cruzei com ela nem profissional nem socialmente. Tenho dela, no entanto, a maior das admirações e um enorme respeito pelo que tem lutado pelo serviço público de Educação, nomeadamente no governo de Sócrates.


 


Não seria intelectualmente honesto da minha parte se, agora, viesse a desacreditar todo o processo em que está envolvida. Ainda tenho esperança que o objectivo da justiça seja ser certeira e rigorosa, já que não é igual para todos os cidadãos, muito menos rápida.  Espero portanto, tal como todos o devemos fazer para todos os processos, o desenrolar dos acontecimento e a conclusão de que, ao contrário de ter prevaricado no exercício de um cargo público, o honrou e dignificou, como eu penso que o fez.


 


No entretanto presto-lhe a minha homenagem.

13 setembro 2014

Dos populismos e dos demagogos


 


Marinho e Pinto conseguiu uma votação expressiva nas eleições para o Parlamento Europeu com uma campanha populista, contra os maus políticos e a má política. Seria ele o paladino da moral e dos costumes da seriedade e do serviço público, em pose de Estado, um verdadeiro missionário pelo povo.


 


Mas descobriu que no Parlamento Europeu era só corrupção e ladroagem, um escândalo de ordenado que, no entanto, ele tem que aceitar, muito a contragosto, pois é pobre e a filha é emigrante. Descobriu que é noutros palcos e noutras arenas que a sua luta será mais grandiosa e mais popular. Por isso manifesta a sua disponibilidade para se candidatar às legislativas e/ ou à Presidência da República. A seu tempo o veremos decidir por qual ou a sequência de campanhas e eleições que se somarão.


 


No entretanto vai abalroando o partido que lhe deu guarida e já vai criar um novo partido, para o qual procura apoios.


 


Espero que lhe dêem muitas oportunidades de falar, de mostrar como defenderá o povo, no qual se inclui, dos demagogos e dos populistas. Mais uma vez, ninguém pode dizer que não sabia e que foi enganada. Está tudo à vista.


 


A democracia é mesmo uma superior forma de organização social.

Vamos a jogo

Toda a gente percebeu a razão e o objectivo destas primárias no PS convocadas por António José Seguro - arrastar o mais possível a situação impossível dentro do partido, para arrefecer os ânimos exaltados com os resultados das europeias. Todos os estratagemas foram usados.


 


António Costa sabia disso e aceitou o repto. Disse, e quanto a mim muito bem, que não discutia os formalismos mas sim a substância, ou seja, a liderança do PS e portanto a a liderança da oposição.


 


Sendo assim não vale a pena estarmos agora com suspeições de golpes da parte de apoiantes de Seguro ou de apoiantes de Costa. Quem se inscreveu como simpatizante para votar conhecia as regras do jogo. E é com essas que teremos de jogar.


 


Para mim estas eleições serviram para expor ainda mais o tipo de liderança de António José Seguro.  As entrevistas que vai dando, os vídeos que disponibiliza na campanha, demonstram bem a fibra deste candidato a Primeiro-ministro.


 


Ninguém pode dizer que não sabia, que não esperava, que foi enganado - está à vista. Não cabe na cabeça de António José Seguro que lhe possam disputar aquilo que considera ser o seu prémio, merecido pela paciência de ter esperado 3 anos para poder concorrer a umas legislativas. É isso que lhe dói - o oportunismo de António Costa. O país só lhe faz falta para concretizar a sua ambição pessoal.


 


Para mim, e penso que para muita gente, está em causa o voto nas legislativas - no PS, caso ganhe António Costa, ou noutro partido, em branco ou nulo, caso ganhe António José Seguro.

12 setembro 2014

Um dia como os outros (145)


(...) o secretário-geral do PS terá decidido esconder quem é e o que pensa para evitar cisões nas hostes do PS, escondendo-se portanto do País do qual quereria ser primeiro-ministro. (...)


 


(...) ele aventa que sabe coisas terríveis, às quais terá assistido bem caladinho e das quais nem depois de eleito chefe falou, para não chatear ninguém - sendo que nem agora, que finalmente se soltou, diz que coisas são. (...)


 


(...) Percebe-se que alguém que achou que ser falso era a forma certa de manter o partido e chegar ao Governo não entenda que raio fez de errado; que quem acusa de traição aquele que o desafia não tenha capacidade ética para vislumbrar que a maior das traições - aos outros e a si - é fingir ser-se o que se não é. (...)


 


(...) Quem se confessa capaz de ser nada para chegar onde quer é bem capaz de tudo.


 


Fernanda Câncio

11 setembro 2014

Um dia como os outros (144)


(...) Nota final: a diferença entre o debate moderado por Clara de Sousa, sobre política e os problemas do país, e o debate moderado por Judite de Sousa, sobre zangas de comadres, é da noite para o dia. Ontem, não houve interrupções inúteis e perguntas vazias. Firme, sóbria e eficaz. O que se quer de quem modera um debate. Uma raridade no jornalismo televisivo português.


 


Daniel Oliveira

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...