
Estive a ouvir aplicadamente as entrevistas de António José Seguro e António Costa à RTP e a de António Costa à TVI (não encontrei nenhuma recente de António José Seguro).
As críticas que se fazem a António Costa pelo facto de não apresentar medidas concretas aos problemas que se apresentam têm dois objectivos: um deles é, de facto, tentar perceber o que António Costa pensa e propõe; o outro, bastante versado pelos seus opositores, é a tentativa de que se comprometa com promessas que poderão ser utilizadas para o atacar na próxima campanha para as legislativas.
Nesse aspecto acho que António Costa se defendeu bem - propõe uma estratégia para o país, um plano de ideias gerais. A esta distância das próximas eleições, com as eventuais modificações que seriam bem vindas na política europeia, inclusivamente o problema da disciplina orçamental, o incentivo ao emprego, etc., compreende-se a contenção que tem. Por outro lado estará provavelmente a guardar-se para a próxima batalha eleitoral.
Mas gostaria muito que se tivesse rebelado contra a pergunta que lhe fez Paulo Magahães, falando da tralha socrática. É revoltante a forma como se tornou corriqueiro o achincalhamento de todos quantos trabalharam e defenderam a política dos governos de Sócrates. O que é a tralha socrática? É Maria de Lurdes Rodrigues, Correia de Campos, Pedro Silva Pereira, Carlos Zorrinho? O próprio António Costa? Seria muito refrescante e higiénico que António Costa se demarcasse das políticas com que não concorda sem aceitar tacitamente o insulto a Sócrates e ao grupo que o apoiou e que com ele trabalhou.
Quanto à entrevista que António José Seguro deu a Fátima Campos Ferreira, sinceramente, e bem sei que não sou isenta, foi confrangedora.
A sondagem da Aximage e os resultados que vão surgindo da disputa pelas federações no PS, são demonstrativas de que os militantes do PS não estarão assim tão satisfeitos com a liderança de António José Seguro, ao contrário do que os seus apoiantes sempre quiseram fazer crer. Esperemos que a inscrição dos simpatizantes seja mais expressiva e que as primárias sejam bastante concorridas.
Enfim, haja esperança - nas primárias e em tudo o resto.
Acrescento e esclareço: eu preferiria bastante que António Costa falasse já para o país, que nos enchesse com o que pensa fazer. Acho que prcisamos todos de acreditar que há alternativa a esta esgraça.