16 agosto 2014

Das promessas irreformáveis

Não sei se há alguém que ainda acredite no que Passos Coelho diz, seja nas festas do Pontal seja em entrevistas encomendadas. Quanto à sua promessa de não mexer na Segurança Social é apenas motivo de maior preocupação pois será o que, provavelmente, ele tentará fazer.


 


Seria muito importante que Passos Coelho e o PSD explicassem exactamente o que pretendem fazer, quais as reformas preconizadas para a próxima legislatura. Pode ser que, no meio do arrazoado de palavras ditas naquele tom de voz pausado e de barítono, tenor e baixo, de lábios em rictus serius e cabelo bem arrumadinho, não esquecendo os óculos a condizer com o perfil tecnocrático, pudéssemos prever a forma de desmantelamento que se está a preparar.


 


Os apelos ao compromisso com o PS são só mais um episódio de mistificação, repetitivo e cansativo.


 


Enfim, nada de novo.

Do velho ciclo

Também li a moção de António José Seguro. A minha opinião, por muito que me esforce, não é imparcial - é um texto cheio de lugares-comuns, páginas de palavras que não querem dizer rigorosamente nada. Apela aos piores instintos populistas com as palavras em bold - compromisso, luta contra a corrupção, código de ética, responsabilidade, solidariedade, modernidade, cumprir Portugal, etc.


 


Vale a pena ler. Ninguém se deve demitir de perceber quais as soluções que quem se apresenta a votos sugere. E quais as ideias, ou a falta delas, dos que se propõem ser líderes.

15 agosto 2014

TSF - Telefonia Sem Fios

A TSF estará para sempre ligada ao meu início de vida de casada e ao meu início de vida profissional em Anatomia Patológica. Lembro-me muito bem que acordava com a TSF, em 1988, ainda a TSF era uma rádio pirata.


 


Sempre um pouco antes da hora a que tinha que me levantar, hábito que mantenho até hoje, ficava na cama a acordar, a ouvir música e as primeiras notícias do dia.


 


Também esta música de Jon Andersen está associada a estas memórias.


 






There you have it
You see this love regretting
There's something wrong again
But you had it
In the palm of your hand

Your heart has started bleeding
You gotta get out
You're leaving
You're on your own forever

It's not the space or time or whether
You can leave
You want, you can't have
You need, you can't touch
You plead, it's enough, enough

There's something happening to ya
Love can see right through ya
In a world of make believe
Don't go throwing it all away

Hold on to love
Hold on to love
Treat it as a good thing
Be always ready
With that electric feeling

You work so hard
To be in love with her
She tries so hard
You gotta let it go

Hold on, hold on
Hold on, hold on

The more and more yo uhear it
The more it seems to make sense
To hold love in the palm of your hand

But you think that round the corner
They're queuing up to hold her
But that won't make a difference in the end

There's never space or time or whether
Yo u can leave
You want, you can't have
You need, you can't touch
You plead, it's enough, enough

There's something happening to ya
Love can see right through ya
In a world of make believe
Don't go throwing it all away
Hold on to love
There's nothing more important
Treat it as a good thing
Be always ready
With that electric feeling

You work so hard
To be in love with her
She tries so hard
You gotta let it go

Hold on, hold on
Hold on, hold on
Hold on, hold on

You work so hard
To be in love with her
She tries so hard
You gotta let it go

Hold on, hold on
Hold on, hold on
Hold on, hold on

Hold on to love
There's nothing more important
Hold on to love
Don't let it pass you by
Hold on to love
There's nothing so important
Hold it in the palm of your had
Yeah, yeah

Hold on to love
There's nothing more important
Hold on to love
Don't ever let it pass you by

Hold on to love
Hold on to love
Treat it as a good thing
Treat it as a good thing
Treat it as a good, good thing


Da mobilização que urge

 


António Costa tem uma moção bem estruturada e com ideias fortes, não concretizadas quase nunca, embora indique alguns caminhos chave. Não cede ao populismo e tenta uma postura mais distanciada, de alguém que está interessado em resolver alguns problemas. Assume que o melhor é conseguir uma maioria absoluta, assume que terá que haver compromissos à esquerda, assume que é preciso lutar por uma política europeia que não penalize países como Portugal, assume que é necessário inverter o rumo político apostando nos direitos dos cidadãos, na regulação financeira e no mercado de trabalho, no investimento e modernização do Estado. Goste-se ou não, tem algumas ideias de combate.


 


O regime político em que vivemos tem por base uma Constituição feita há 38 anos. É claro que já houve várias revisões constitucionais. Mas se há partidos e outras organizações sociais (a tal sociedade civil que só interessa para algumas coisas) que entendem ser necessária uma alteração profunda e radical da Constituição, que tal lançarem o debate público sobre o assunto? E se os partidos se unissem, fizessem o tal pacto de regime, para fazer um referendo em relação à eleição de uma Assembleia Constituinte?


 


Há 38 anos a organização da sociedade - as relações entre pais e filhos, Estado e sector privado, empregadores e empregados, o analfabetismo e o acesso à educação, os problemas de desenvolvimento do país fora das áreas urbanas, a pobreza e as desigualdades, o abandono das terras e, principalmente, o clima político que se vivia em Portugal e no mundo, eram muitíssimo diferentes dos de hoje.


 


O acesso à informação e a sua divulgação, a enorme melhoria das condições de vida das populações, a globalização e a banalização da manipulação informativa modificaram-se radicalmente. Continuar a apostar em organizações como os sindicatos, as associações patronais, em lutas de tipo greves e manifestações, na era da internet, do facebook e do twiter, das compras e das notícias online em que cada cidadão desenvolveu a capacidade de se julgar o centro do universo e ser, nem que seja por segundos, o protagonista do que considera ser a mudança, nem que seja momentânea, transformam muito do que são as bases da construção do nosso regime e dos nossos sistemas de equilíbrio de poderes, em estruturas frágeis e a precisar de renovação e/ ou relegitimação democrática. Se calhar poderá haver outras formas de luta, outras organizações, outro tipo de manifestações.


 


Não basta dizer que se quer aprofundar a democracia e aproximá-la dos cidadãos. Enquanto não se enfrentar sem medo e sem demagogia a ocupação de lugares das cúpulas das administrações locais e central por aparelhos partidários, a organização territorial e administrativa do país que está totalmente desadaptada da realidade, não será possível uma alteração da lei eleitoral em que as populações se revejam mais nos seus representantes.


 


Modernizar o país, o Estado, investir nas novas tecnologias, aliviar os cidadãos das burocracias e do tempo que gastam a resolver banalidades, como renovar o cartão do Cidadão - uma excelente ideia que ficou a meio caminho - investir no teletrabalho, na flexibilização dos horários, nos apoios de proximidade a quem quer ter filhos - creches, meios horários, etc., nos apoios aos mais velhos gerando oportunidades de trabalho, facilitar a mobilidade das famílias com a reordenação do território e a requalificação do parque imobiliário, investir na ciência e na investigação marítima (mas a sério, não apenas nas vésperas eleitorais em que todos se lembram da nossa riquíssima costa, para a esquecerem imediatamente após o dia da votação), são tarefas que podem mudar o ciclo de recessão e descrença instalado.


 


A democracia faz-se todos os dias e não devemos enquistar-nos em fórmulas e soluções que estão gastas. Onde estão os protagonistas das discussões para uma verdadeira renovação do regime? Talvez fosse essa uma das melhores formas de mobilizar o país.

Ebola


Ebola


 


 


Devemos estar muito atentos, preocupados, informados e sem pânicos nem alarmismos:


 


http://www.dgs.pt/paginas-de-sistema/saude-de-a-a-z/ebola.aspx


 


http://www.who.int/csr/disease/ebola/en/


 


http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs103/en/


 


http://www.who.int/csr/don/2014_08_13_ebola/en/


 


http://www.who.int/ith/updates/20140421/en/


 


Dos enganos mexicanos


 


Hoje tem estado um verdadeiro dia de Verão, com sabor a férias. Pouca gente em Lisboa, o ar morno, uma leve brisa refrescante, ideal para se almoçar numa esplanada em frente ao rio.


 


E porque não o restaurante La Siesta? Já há muito tempo que não íamos lá, pois a penúltima visita tinha sido decepcionante e a última nem sequer se tinha concretizado. Mas os anos passaram e podia ser que as coisas tivessem melhorado.


 


Lá fomos, uns minutos antes das 13:00h. Muitos lugares de estacionamento, um homem velhote em calções (ou cuecas) em frente à porta, por baixo de uma palmeira, acompanhado por uma criança nos mesmos preparos, a gozarem banhos de sol. Uma parte da esplanada em obras, com os andaimes bem visíveis e os plásticos que os cobrem esvoaçando como roupa a secar em corda.


 


Mas isso são minudências de gente fina. Entrámos e o fresco e o ambiente ligeiramente sombrio foram muito acolhedores, com a decoração tal como a lembrava feita de chapéus, muito pau, palha, flores e cores garridas. Ninguém perguntou se havia reserva o que foi logo um alívio e uma surpresa muito agradável, pois a sala e a esplanada estavam praticamente vazias. Sentámo-nos e escolhemos: ensalada mixta con enderezo de aguacate (salada mista com abacate), tacos pastor (cubos de porco com queijo em totilhas de milho) e pollo con azafrán (frango com espinafres e açafrão). Nas bebidas as opções foram curtas - cervejas só de garrafa; das mexicanas - nem Sol, nem Dos Equis, só Corona. Portanto pedimos Corona e sangria a copo (estava bebível).


 


Para entreter fomos comendo totopos e salsa mexicana (salada de tomate em cubos com coentros e tiras de milho). O serviço não foi muito lento, felizmente, e os empregados são simpáticos, mas nada que nos envolva muito.


 


A comida, para dizer com franqueza, foi semelhante à que se comia num restaurante mexicano que existia no Centro Comercial Colombo, há bastante tempo já (não sei se ainda existe), na esquina daquela grande área de restauração, que ficou célebre porque, uma noite em que fomos lá jantar, a Empregada da recepção, devidamente paramentada com folclore mexicano, perguntou numa voz arrastada de quem está a fazer um frete monumental:


- Fumadores ou não fumadores?


Respondemos:


- Não fumadores.


Retorquiu:


- Só tem fumadores...


Houve logo quem se lembrasse de comentar, mais tarde e no recato de uma mesa dos fundos:


- Quer empregada esperta ou empregada burra?


- Empregada esperta.


- Só tem empregada burra...


 


Mas passemos adiante: a ensalada estava enjoativa, não sei se do abacate se do molho esbranquiçado e sem tempero, ou da cebola crua bastante potente; as tortilhas dos tacos pareciam ter sido compradas no Continente e descongeladas à pressa; o porco estava seco e a única coisa que ligava os vários pedaços era o queijo derretido, o que dificultava o trincar do taco, caindo inexoravelmente pedaços de porco para todo o lado; o frango estava razoável mas muito pouco condimentado.


 


As sobremesas ofereciam-se gulosas e ninguém resiste a um merengue con dulce de leche (caramelo) e manga ou a uma mousse de chocolate branco, que estava bastante boa e vinha com uma bola de gelado de chocolate e uma fatia de kiwi (dispensável).


 


O merengue, entre o pedido e a chegada à mesa, transformou-se em farófias; o dulce de leche desapareceu e a manga acompanhou-se de papaia. Não era mau, mas nem por sombras se aproximava do prometido. Café normal e conta astronómica!


 


À saída tinham desaparecido os veraneantes que deixaram, no entanto, um rasto de roupas e sacos amarrotados e pouco asseados.


 


Seguramente a não repetir. Estaremos outros 5 ou 10 anos sem nova investida experimental. Salva-se o espaço que é muito bom e a vista sobre o Tejo, de uma calma e uma paz deslumbrantes.

11 agosto 2014

Democracia tutelada

Arriscando algum comentário de quem cada vez se sente mais perdida no meio das várias revelações sobre o sistema financeiro e o sistema político, o que se tem passado com o tipo de resgate ao BES condicionado pelo BCE, escassos dias depois do Banco de Portugal ter concedido um empréstimo ao banco à beira de implodir, demonstra bem a incapacidade e a impossibilidade das instituições nacionais poderem tomar decisões sobre os problemas do País. Os centros de decisão estão na Europa e tudo se passa por trás dos eleitores.


 


Não vejo o Primeiro-ministro nem o Presidente terem a coragem de dizer seja o que for. Segundo o governador do Banco de Portugal, o testa de ferro desta solução, estivemos na iminência de uma crise sistémica, mas nenhum daqueles que foi eleito para resolver os nossos problemas se deu ao trabalho de aparecer a esclarecer, a serenar, a dar confiança, a explicar.


 


Há realmente muita coisa a mudar no nossos sistema político e uma delas, que todos se recusam a discutir por cobardia política ou falta de interesse, é a submissão política não democrática que das instituições dos países membros aos organismos europeus sem mandatos eleitorais.


 


Não sou contra a Europa mas sou contra esta Europa. 

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...