Tenho uma janela aberta para o Tejo
uma ponte entre margens desunidas
como amantes eternamente separados
que vivem de memórias
de longínquos olhares
de palavras partilhadas
num qualqer tempo suspenso.
Tenho o Tejo numa janela debruçada sobre a ponte
em desequilíbrio de amor permanente
de um doce amargo gosto dependente
como as margens que atravesso
na memória quotidiana dos teus olhos.