20 julho 2014

Dos ressentimentos amargurados

Em todas as declarações que faz, António José Seguro mostra o ressentimento e a amargura que a candidatura de António Costa lhe causa. Até em relação à resposta de António Costa quanto ao que pensava sobre a hipótese de António Guterres avançar para a Presidência da República, consegue distorcer as palavras dele para verrinosamente comentar que não é no interior dos partidos que se iniciam as candidaturas presidenciais.


 


A hipocrisia política e a falta de engenho deste Secretário-geral são difíceis de irmanar.


 


Ao contrário de António José Seguro acho que é muito importante saber quem será o candidato presidencial apoiado pelo PS. É indispensável que a esquerda democrática apoie uma figura que devolva a dignidade à Instituição e na qual todo o povo se possa rever logo após as eleições. Cavaco Silva, em contradição com todos os seus antecessores, não soube ser uma referência do país.


 


Cada vez que António José Seguro ataca António Costa mostra que não está ao nível do cargo para o qual tem mandato no partido, mostra quão longe está da estatura que se exige a um Primeiro-ministro.

16 julho 2014

Margens


 


 


Tenho uma janela aberta para o Tejo


uma ponte entre margens desunidas


como amantes eternamente separados


que vivem de memórias


de longínquos olhares


de palavras partilhadas


num qualqer tempo suspenso.


 


Tenho o Tejo numa janela debruçada sobre a ponte


em desequilíbrio de amor permanente


de um doce amargo gosto dependente


como as margens que atravesso


na memória quotidiana dos teus olhos.

15 julho 2014

Primárias no PS


 


Participar nas eleições primárias do PS, para quem se revê nos princípios e valores da democracia solidária, é indispensável para uma clarificação e uma renovação deste partido e do sistema partidário em Portugal.


 


Enquanto assistimos a três anos de propaganda ideológica que convenceu muita gente que a saúde, a educação, a segurança social, a protecção dos mais velhos e dos mais desfavorecidos é um delírio de uma esquerda velha e ultrapassada, pois a verdade é protagonizada pelos mercados e pelo lucro, sendo o aumento da pobreza e da desigualdade social uma realidade inelutável e quase divina, o ambiente político foi-se deteriorando, com a anulação e autofagia do Presidente da República e dos partidos da oposição, sendo o PS o expoente máximo desta degradação. Após o resultado das últimas eleições autárquicas, que confirmaram  a falta de liderança e o descrédito de António José Seguro, tarda a definição urgente de uma alternativa carismática a este Secretário-Geral.


 


Seja para votar em António Costa seja para votar em António José Seguro, é muito importante que a tão falada sociedade civil se empenhe na democracia – escolhendo e votando. Não são as manifestações que demitem governos. São os votos livres, anónimos e conscientes que dão legitimidade ao poder representativo. Não nos demitamos das nossas responsabilidades.


 


A inscrição para as directas já pode ser feita online. Vamos a isso.

12 julho 2014

Curtas 2

É na terra que o corpo acaba, ou que as cinzas se derramam pela acção da gravidade.


 


E no entanto olhamos para cima, perdidos entre as nuvens de um céu em que crentes ou incréus, instintivamente ligamos à eternidade.

Curtas 1

Na ficção o amor descreve ciclos, começa e acaba de forma avassaladora, com o encontro ou com a separação dos amantes. Vivem um do outro, vivem um para o outro, não vivem um sem o outro. Há redenção e morte, paixão e ventura.


 


Na vida real a morte de um amante arrasta a solidão do outro, dia a dia, hora a hora, até que a solidão seja um hábito. A separação redunda em esquecimento ou amargura, sem negligência, feridas abertas ou lágrimas dolorosas, apenas a nitidez da rotina de sobreviver, ou de encontrar outro alguém com quem se vai partilhando o que resta da existência.


 


O que mais assusta é a banalidade, a quotidiana vivência das actividades mais ou menos reduzida ao primitivo e instintivo acto de manter o funcionamento do corpo.

02 julho 2014

Quando




Arpad Szenes: Sophia


Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.

Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.

Será o mesmo brilho, a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta,
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Nova morada - do Sapo para o Blogger

Resilience Paula Crown O Sapo vai deixar de ser uma plataforma de alojamento de blogs. Tudo acaba. Os blogs estão em agonia e só mesmo algu...