05 novembro 2013

Chez nous

 



Herbert Pagani

Megalopolis

 


 


 


Dehors, les rues sont pleines de vitrines
Y a des Noël qui te fascinent
Les gens achètent et s'imaginent
Que ça les rend heureux
Nous deux ont est loin d'être millionnaires
On mange de tout on vit par terre
Mais le bonheur est pensionnaire
Chez nous depuis toujours

Chez nous, ça sent la soupe et le bébé dormant
Les disques craquent car on les joue souvent
Nos chiens sont fous mais pas du tout méchants
Chez nous, la porte reste ouverte jour et nuit
Il y a toujours un plat de spaghettis
Et du café tout chaud pour les amis

Ici, le capital c'est la tendresse
On va puiser notre sagesse
Dans le silence des caresses
Alors, les grands discours les belles paroles
Tous ces slogans qui vous cajolent
Le rhytme fou des villes folles
Ça colle pas chez nous

Chez nous, on règle l'heure au bruit de nos voisins
Et dans les murs y a pas un clou qui tient
Mais les belles nuits passées sur un bouquin
Chez nous, le mot bonjour veut dire vraiment bonjour
On se dispute à coups de mots d'amour
On dirait pas qu'on vit dans une tour

Chez nous, ça sent la soupe et le bébé dormant
Les disques craquent car on les joue souvent
Nos chiens sont fous mais pas du tout méchants
Chez nous, la porte reste ouverte jour et nuit
Il y a toujours un plat de spaghettis
Et du café tout chaud pour les amis

Et puis quand la tribu rejoint les oreillers
Je sors ma planche, ma plume et mes papiers
Allez mon vieux ! c'est l'heure de travailler!


 

Fico

 



 


Há oito anos era-me impossível imaginar que me sentisse tão pouco integrada na sociedade que, entretanto, se construiu. Um tempo de entusiasmo e luta transformou-se num marasmo desesperado e taciturno. Não há já trovas mas muitos ventos que passam.


 


Tal como o país sinto-me sem rumo nem vontade. Faço dos dias um exercício de esforço, sentimento de perda permanente e susto. Desamparo perante tanto cinzentismo e tanto futuro adiado.


 


E no entanto, persisto. Mais que não seja porque assim consigo viver. De tristeza ou raiva, com alguns laivos de esperança, sempre que percebo que há alguns que de alguma maneira não desistem. E não me deixam desistir.


 


Fico.


 

03 novembro 2013

Fiéis defuntos

 



 


Todos os anos a feira de 1 de Novembro iniciava o Inverno. No dia anterior metia-se no carro rumo à casa antiga. A feira estendia-se pela rua, em frente à porta maçãs e castanhas, todos os anos uma fartura quente e um copinho de jeropiga na barraca de esquina. Muita gente, chuva e cheiro a castanhas assadas, a tasca com sandes de queijo mestiço e, no dia seguinte, carregava o carro enquanto decorria a missa dos fiéis defuntos, defuntos sim, fiéis desconfiava que poucos.


 


Mas já não há feriado. Este ano a feira mudou de dia como mudou a porta de madeira verde com ferro embutido. Sem farturas nem chuva, sem pregões nem barulho de vozes misturadas desde a s 6h da manhã, até as castanhas assadas perderam o sabor. Visitou o cemitério, que parece ter encolhido, com os jazigos e as lápides de dimensões e imponência duplicando a hierarquia social, pintalgados por fotografias tipo passe, a preto e branco, descoradas, de homens e mulheres, uma irmandade de expressões, penteados e fatos desabitados e com séculos de existência.


 


Nem lhe apetece arrumar o azeite, partir as abóboras, iniciar os gestos da estação. Aguardam espalhados pelo chão da cozinha, como se esperassem o baptismo negado.


 

02 novembro 2013

Deforma

 



Bruno Catalano 


 


Se branco se negro tudo deforma sem cor


nem sustento afaga-me amor que afogo neste turvo desespero.


Se tenho se dou não sei de nada nem do novo


segredo de morrer sem que a vida nos sustenha


a garra e o nervo de mexer sempre


sem olhar para trás.


Se sou se não fui neste manto de dúvidas


persistentes e movediças congelo a parte de fora


em pranto seguro o medo e não sei mais onde esconder


o que na verdade me dói a falta


de tudo o que deveria ser.


 

27 outubro 2013

Dos inauditos perigos da Constituição

 


Temos assistido a uma autêntica inundação informativa sobre o perigo da pronúncia pela inconstitucionalidade de medidas do OE 2014 por parte do Tribunal Constitucional (TC). Não há dia em que não se leia ou ouça doutas personalidades, nacionais e internacionais, avisarem o TC do perigo de resgates, bancas rotas e sacrifícios inomináveis, arrastados pela descrença dos mercados e daquelas instâncias voláteis que governam o mundo neste pobre povo português.


 


Estamos outra vez perante o esforço de manipulação da direita retrógrada que quer impor a sua agenda ideológica fazendo crer que o não cumprimento do desmantelamento do estado social trará a catástrofe e o dilúvio, tal como aconteceu na altura do chumbo do PEV IV. Todos já percebemos o que significam estas inevitabilidades.


 

26 outubro 2013

A derrota da crise (16)

 


Poemas sobre a língua portuguesa


 



 


Natália Luiza


(selecção de Inês Pedrosa)  


Língua – Caetano Veloso


Língua Portuguesa – Olavo Bilac


Língua mater dolorosa – Natália Correia


Lamento para a língua portuguesa – Vasco Graça Moura


Pátria – Rui Knopfli


Língua – Gilberto Mendonça Teles


Novas ruminações – Gíria de Cacimbo


As linguagens – Mutimati Barnabé João


  


1 de Novembro, às 18h30, na Casa Fernando Pessoa


 

20 outubro 2013

Morte em Pemberly

 



 


Morte em Pemberly é um livro de P. D. James, uma autora consagrada de livros policiais e grande admiradora de Jane Austen. Neste livro P. D. James desenvolve a história tendo como personagens Elizabeth Bennet e Fitzwilliam Darcy, o casal de Pride and Prejudice, 6 anos após o casamento, em Pemberly, no Derbyshire. Com eles reencontramos Jane e Charles Bingley, Georgiana, Lydia e Whickham, entre outros, que ajudam a compor e a recriar o ambiente típico dos romances de Jane Austen.


 


Ao contrário das críticas que já li, gostei bastante do livro, que se centra na vida interior dos personagens, dando-nos conta dos pensamentos e dos sentimentos de Dracy e Lizzie quando um amigo de Whickham é morto a caminho de Pemberly, num noite tempestuosa, em circunstâncias que apontam para a culpabilidade de Whickham, obrigando Darcy a acolhê-lo e a olhar para a forma como a sua vida tinha sido e continuava a ser condicionada por ele. A trama policial arrasta-se pelo tribunal, deixando os leitores vogar pela organização estratificada e hierarquizada da sociedade inglesa, com os seus ricos proprietários rurais e as suas obrigações enquanto tal. P. D. James imaginou uma história condizente com o ritmo e a narrativa de Jane Austen, preocupando-se em tornar o livro credível como continuação da história anterior.


 


Nunca tinha lido nada de P. D. James, mas tenho bastante curiosidade em conhecer os seus detectives.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...