17 fevereiro 2013

Mau filme

 


Por outro lado, estando os caminhos do PS cada vez mais óbvios na sua inanidade e mediocridade, o país enfronha-se na crise, o mais calmo que lhe é possível, e cada vez mais desiludido, alheando-se das coreografias e da indigência dos nossos representantes. É como se visse um mau filme, mal realizado e mal interpretado. Nada apaga a revolta silenciosa contra a iniquidade de um estado policial, a quem já ninguém respeita e suporta. É extraordinária falta de competência e de vergonha.


 

Sinuosos

 


É muito interessante ouvir as pessoas que tanto defenderam a decisão de João Paulo II em levar o seu papado até à morte, levando a sua cruz, tal como Cristo fez (lembro-me de ter ouvido isto), declararem a sapiência deste Papa ao renunciar antes de Deus assim o decidir.


 


Os caminhos do Senhor são sinuosos e insondáveis.


 

Recentrar na comunidade

 


Uma das reformas mais importantes a fazer no SNS é recentrar o atendimento em estruturas inseridas nas comunidades, retirando aos hospitais uma enorme quantidade de doentes, profissionais e custos que, direccionados para apoios domiciliários, de enfermagem e consultas de especialidades perto dos cidadãos, seriam bastante mais bem aproveitados.


 


A medicina moderna centra-se nas necessidades, prioridades e qualidade de vida dos indivíduos, personalizando as terapêuticas à uma determinada doença de um determinado doente. O esforço da investigação tem prosseguido o objectivo de disponibilizar medicação que possa ser efectuada pelas próprias pessoas, de forma a manterem o mais possível os seus afazeres sociais e profissionais.


 


Os custos de uma medicina cada vez mais sofisticada devem ser criteriosos, investindo-se na qualificação e diferenciação da carreira de Enfermagem, reconhecendo-lhes e validando competências que, em muitas circunstâncias, já exercem, pois são estes profissionais que administram a medicação, acompanham diariamente os doentes, observando, registando, monitorizando e avaliando efeitos secundários, esclarecendo dúvidas de familiares e cuidadores, apoiando psicologicamente os fragilizados em todo o processo patológico.


 


Não é possível manter doentes nos hospitais, num ambiente mais desumanizado, massificado, oneroso e ineficaz. Não se percebe a razão da ausência de consultas de especialidade de gastrenterologia, ginecologia, cardiologia, medicina dentária, pediatria, medicina física e de reabilitação, endocrinologia, e outras, nos Centros de Saúde, para diagnóstico e seguimento das mais diversas patologias, reservando-se os hospitais para os casos graves, de intervenções mais sofisticadas e delicadas, libertando os profissionais e os recursos para o que necessita de outros meios e de outro tipo de equipamentos.


 


Os avanços tecnológicos nas várias áreas, nomeadamente de informação, a melhor qualificação das pessoas e o desenvolvimento das especializações nas várias carreiras de profissionais de saúde deveriam ser incentivados e aproveitados a favor dos cidadãos, assim como na rentabilização e reorganização para a verdadeira e consistente sustentabilidade do SNS. Onde estão as propostas dos partidos da oposição, mais precisamente do PS, para esta função estatal?


 

10 fevereiro 2013

Propaganda

 



  


Na Fundação Oriente está uma interessantíssima exposição - CARTAZES DE PROPAGANDA CHINESA - A ARTE AO SERVIÇO DA POLÍTICA.


 


O culto das personagens mitificadas do comunismo chinês, com Mao Zedong em omnipresente destaque, o aproveitamento da cultura e das tradições para a propaganda, a alegria obrigatória, os camponeses, os operários e os estudantes, o livro vermelho de Mao, as óperas revolucionárias, e até alguns panfletos, revistas e cartazes nacionais, da nossa própria época revolucionária, de um passado que nos parece quase irreal a esta distância. É como olharmos para a nossa infância – sabemos e lembramo-nos do que se passou, mas como se tivesse sido com outra pessoa.


 


Era uma autêntica máquina de guerra, que triturava e amalgamava todas as manifestações de arte popular, até os teatros de marionetas e de sombras. As ditaduras são todas iguais, dos pioneiros à mocidade portuguesa, da estética dos uniformes às criações paternalistas e moralizadoras da perfeita felicidade dos oprimidos, das pobreza escondida à justificação das arbitrariedades.


 



 

02 fevereiro 2013

Desistências e (des)uniões

 



 


O desfecho da suposta candidatura de António Costa à liderança do PS, após aquela cena teatral deixou-me perplexa e extremamente desiludida. Esperava, ou seja, ansiava por alguém que lesse a situação do país e que a colocasse bem à frente das suas particulares ambições. O que me parece é que, como diria alguém que conheço, António Costa amarelou. Com receio de não conseguir ganhar as eleições internas, arrumou a questão da credibilidade do PS como alternativa política.


 


Passos Coelho tem o caminho aberto para acabar a legislatura. O desemprego ultrapassará os 20% e o Estado será mínimo, como máximos serão o êxodo dos mais jovens, as necessidades dos mais velhos, o assistencialismo caritativo e a desigualdade entre os mais ricos e os mais pobres.


 


Vale a pena ler o artigo de Fernanda Câncio, no DN (e no Jugular).


 

30 janeiro 2013

Tanguillo nuevo

 



El Bicho & Agnès Jaoui


 


Me recuerdan tus ojitos cuando te tengo
Sol de la primavera que cae muy lento
Y me pongo de puntillas si no te veo,
Que tengo miedo, si tengo miedo, si tengo miedo...


Dame, lo que me puedas dar
Dame lo que tengo
Sol de la primavera que cae muy lento.
Dame la sombra y la luz
Que sean tus ojos los que me traigan,
Los que me traigan.


Quién tuviera y tengo yo
Quién tuviera y tengo yo
El sueño y poder dormirme
Que cuando llega la noche yo estoy muy triste. (bis)


Las sombras que tiene el sol yo nunca las tengo
Se tiran por la ventana los maceteros,
Las hojas que se marchitan se caen al suelo,
Los pétalos que se pierden se caen al suelo.
Mira...


Quién tuviera y tengo yo...


Dame lo que me quieras dar
Y dame lo que tengo
El sol de la primavera que cae muy lento.
Dame la sombra y la luz,
Que sean tus ojos los que me traigan,
Los que me traigan.


Quién tuviera y tengo yo...

28 janeiro 2013

Um dia como os outros (124)

 



(...) Esta conversa não serve para retirar mérito a Vítor Gaspar, ou ao País, e atribuí-lo a Draghi. Serve para reenquadrar o debate e mostrar que a chantagem da austeridade assenta numa mistificação e numa falsa necessidade. O facto do BCE poder determinar, de forma soberana, as condições de financiamento de um Estado, torna evidente que as atuais políticas orçamentais não são uma necessidade financeira, são uma escolha política, por sinal desastrosa.


 


O lado positivo do regresso aos mercados é que este não depende do conteúdo da política orçamental, como quer fazer crer o Governo e alguns líderes europeus, mas apenas de uma determinada política monetária. Se assim é, a política orçamental deve ser avaliada pelos seus resultados económicos e sociais. E estes são aqueles que se conhecem: uma depressão económica na periferia e uma recessão em toda a zona euro.


 


João Galamba


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...