17 dezembro 2012

Dos vários tipos de marmelos

 


Há que ser divulgar as boas práticas festivas: os licores deste ano resultam da maceração apurada de amoras silvestres, cascas de laranja, sementes e cascas de marmelo em aguardente vínica, desde há 1 ano. Ou seja, os resultantes licores de Amora e de Laranja e Marmelo seguiram a preceito os receituários que já deram provas:



  • Filtrar a aguardente onde estiveram a macerar os frutos, sementes e casacas (guardar as amoras para as mergulhar no licor)

  • Medir o filtrado e fazer um xarope com 750g açúcar para 750ml de água (ferver por 10 a 15 minutos) por cada litro de filtrado

  • Juntar o xarope ao filtrado e levar ao lume até ferver

  • Engarrafar e deixar arrefecer antes de rolhar e rotular; no de amora juntar as ditas.


Todos estes passos requerem animação e bom humor, para os quais as variadas provas de degustação contribuem enormemente, principalmente se houver restos das colheitas anteriores para comparar.


 



 

16 dezembro 2012

Da desconstrução dos doces

 



 


A habilidade está na adaptação às contrariedades. Grandes descobertas se fizeram por acaso, ou porque alguma experiência correu mal.


 


É sempre com esse espírito que enfrento os meus preparados. Na verdade, o doce de abóbora ficou com ponto a mais, descoberto quando a colher de pau se recusou a mover-se presa do dito doce. Por outro lado, a geleia de marmelo ficou com ponto a menos. Eis se não quando a minha mente imaginou de imediato uma conjunção de vontades entre o pétreo doce de abóbora e a mole geleia de marmelo.


 


Pois este fim-de-semana, como já estamos quase no Natal, reuniram-se os membros da Grande Cozinha Semanal, armados de paciência e criatividade. As prioridades estavam bem definidas: sem o doce e os licores nem Jesus nasce. Portanto agarrou-se na panela maior cá de casa e misturaram-se o doce com a geleia. Deixou-se ferver com um bocadinho de água e transformou-se em Doce de Abóbora em cama de Geleia de marmelo, na consistência perfeita.


 


Os licores foram um de laranja e marmelo e outro de amora, que já estão engarrafados. As numerosas degustações afiançam a delicadeza e doçura dos mesmos. Aí não houve surpresas.


 


Enfim, mais um fim-de-semana de exaustão.


 

12 dezembro 2012

Oferta

 



Bonsai


 


Nem sempre sabemos distinguir as nítidas


superfícies a transparência das luzes o brilho


inamovível da memória. Nestas árduas fadigas


de hoje recuperamos a necessidade de sentir


na simples limpeza do olhar a oferta o conforto


do silêncio.


 

09 dezembro 2012

Azáfama pré-natalícia

 



Recuperação do tempo perdido - grande azáfama da Irmandade do Avental - foi a vez do doce de abóbora. Este ano não ficou a macerar de um dia para o outro. Só hoje houve tempo e paciência para atacar a abóbora, que rendeu 3 quilos para o doce e mais um saco dela para congelar. Juntei canela em pau (2/Kg), sumo de lima (não havia limões - 2/Kg) e cravinhos (2/Kg), para além do açúcar, claro. No fim - nozes partidas aos bocadinhos. Está maravilhosa.


 


Ainda produzimos 2 tortas (foi tudo aos pares) com recheio de geleia de marmelo e iogurtes magros de café e canela. A torta fez-se batendo 3 ovos com 150g de açúcar até duplicar o volume da massa; juntámos 75g de farinha e foi a cozer num tabuleiro previamente untado com margarina e polvilhado com farinha, durante 10 minutos, em forno médio.


 


Os iogurtes de café resultaram de uma ideia que me deram outro dia. Segui os passos destas receitas:




  • 1l leite magro (do dia)


  • 2 colheres sopa leite em pó, magro

  • 200g de iogurte natural, magro, sem açúcar (o do Continente é o melhor)

  • 2 saquetas de café instantâneo

  • 1 pau de canela


Fervi 1/2 l do leite com o café e o pau de canela; misturei depois o leite frio e juntei aos iogurtes e ao leite em pó. Deitei tudo nos copinhos da iogurteira que liguei durante 12 horas - vou consumir amanhã, depois de gelarem no frigorífico.


 


Para o próximo fim-de-semana estão programados os licores. Depois do engarrafamento, impressão e colagem de rótulos, tudo estará pronto para as festividades da época.


 



 

08 dezembro 2012

Clima totalitário

 


O que mais impressiona é o clima de perseguição que se instalou na sociedade portuguesa. As notícias dos milhões que alguns ganham e gastam, o apelo à inveja mais mesquinha, o incentivo ao espionar os vícios, pecadilhos e inconsistências de cada um, o insulto permanente aos servidores públicos, a tentativa de criminalização de opções políticas, tudo são razões para destruir pessoas, instituições, ideias.


 


O gozo com que se fala do fato de Guterres ter assumido a responsabilidade por erros durante a sua governação, convidando anteriores governantes a expiarem em público os seus pecados, é assustador e faz lembrar as reeducações dos cidadãos nos antigos países comunistas. A voragem com que se julgam as políticas que olham para o estado como garante de serviços públicos é assustadora.


 


Ainda ontem ouvi um responsável político dizer, com uma voz de evidência absoluta, que não se pode investir em mais linhas de metro no Porto porque a empresa é deficitária. Tudo o que significou em termos de qualidade de vida da população, que tem melhor serviço de transporte, a requalificação urbana a que se assistiu, nada disso é tido em conta. Tal como a destruição do que foi a política de requalificação das escolas, verdadeiramente deprimente.


 


Todos os motivos servem para fazer crer às pessoas que não têm direito a transportes rápidos e de qualidade, a estradas seguras que permitam rápidas ligações terrestres, escolas confortáveis, seguras, agradáveis e estimulantes, centros de saúde e hospitais onde se tratem os doentes com qualidade e dignidade, reformas que permitam uma vida acima do limiar de pobreza.


 


O que mais impressiona é termos governantes que consideram óbvia a necessidade de não se responsabilizarem, enquanto representantes eleitos, pelo bem-estar dos seus concidadãos.


 

02 dezembro 2012

Marmelada com jeropiga

 



 


Com tanto atraso, já só sobrou quilo e meio de marmelos, depois de devidamente lavados, descascados e dessementados. Cozidos em jeropiga, transformados em puré e misturados com o mesmo peso em açúcar, assim se degustou a marmelada resultante, depois de fervilhar por meia horita no tacho, afanosamente mexido com a colher de pau, para não deixar queimar. Está vermelha escura, como convém, com uma textura granulosa e consistência suficiente para não babar o pão ou as bolachas (ou o queijo, ou simplesmente e só a ela própria).


 


As cascas e as sementes, já devidamente amolecidas durante horas em água a ferver, aguardam a filtração e ponto com açúcar (1l de líquido/1kg de açúcar), para a famosa geleia de marmelo.


 


A abóbora, ou deverei dizer as abóboras, espreitam o próximo feriado de 8 de Dezembro (que não sei se é feriado ou se já foi e nunca mais será, mas sei que é sábado). São enormes e prometem um fim-de-semana em cheio. Vou dar tratos à imaginação para inventar um doce de abóbora diferente para este ano.


 

Uma estrelinha que os guie

 



 


Este é o tema a que não é possível fugir, neste Natal de 2012. Como sempre a Barbearia cá do bairro está atenta e disponível para angariar vontades e promover os debates necessários, em sede natalícia, entre tesouradas e aparadelas capilares.


 


Aqui vai o contributo deste Quadrado, que fornece bastão e o monograma, infelizmente em desuso.


 


Boa sorte e que se encontre a estrela guia.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...