15 setembro 2012

Outras vias

 


Ouvi Nuno Ramos de Almeida explicar à SIC notícias o percurso da manifestação, que passaria em frente à sede do FMI para protestar contra a troika e o memorando. Que era uma manifestação em consonância com outras noutros locais da Europa e que era preciso mudar de políticas.


 


A minha manifestação é contra o governo, não é contra a troika, nem contra o memorando, nem a favor de um internacionalismo manifestante, por muito interessante que seja. Não vou engrossar uma manifestação com objectivos que não subscrevo, por muito que me apeteça manifestar-me. Esta não é a minha manifestação. E não aceito apenas duas vias: ou se está connosco ou se pertence à reacção. Eu ainda acredito em terceiras, quartas, enésimas alternativas.

13 setembro 2012

Das reticências crescentes

 



 


Não é contra a troika que me manifesto mas contra o governo. Não me revejo nas palavras demagógicas do BE e desconfio das suas motivações. Não concordo com as irrelevâncias das indignações do PCP, idênticas a todas as indignações contra todos os governos desde 1975.


 


Mas não posso acomodar-me no desconforto que me causam estas companhias, não posso assustar-me com as inaceitáveis atitudes de arremessos de ovos, tomates, pedras ou seja o que for aos governantes, nem com a hipocrisia e a encenação das manifestações caçadoras de ministros, não posso esperar que todos sejam iguais e tenham exactamente os mesmos sentimentos que eu, todos os sentimentos.


 


Não poderei alhear-me da revolta que tenho e que temos. Com todas as reticências do mundo, cada vez estou mais reticente em ficar em casa no próximo sábado.

Tudo exactamente na mesma

 


Resumindo:



  1. O Presidente da República não vai fazer nada.

  2. António José Seguro salvou a face, mas nada me convence que ele não conhecia as medidas anunciadas.

  3. Ou Passos Coelho está a mentir ou Paulo Portas está completamente entalado.

  4. Vai ficar tudo na mesma.


Resta aos Deputados assumirem a sua responsabilidade. É preciso que o Tribunal Constitucional tenha oportunidade de se pronunciar, instado pelo Presidente ou pelos Deputados.


 


Não é possível que estejamos reduzidos a um Primeiro-ministro que se lamenta pelo facebook, a um Ministro que se exila no Brasil e se permite enviar recados para Portugal, a um Ministro das Finanças que é o único a ver a luz. Em democracia tem que haver alternativas.


 


Continuo à espera que este governo se desmorone. Talvez espere um milagre.

12 setembro 2012

...e ainda não acabou...

 


...pois vêm aí medidas adicionais para reduzir o défice deste ano, cujas previsões são de mais de 6%. O governo continua a ir para além da troika.

A barbárie e o fanatismo

 



 


A morte de um diplomata americano às mãos do fundamentalismo muçulmano é inaceitável e nunca será demais dizê-lo. A liberdade de expressão é um valor mais sagrado que qualquer credo religioso.

Que se lixe... o governo!

 



 


A manifestação convocada através do facebook contra a troika - Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas! – está a ter grande adesão. É natural, pois as pessoas estão revoltadas e querem ir gritar para a rua, sentindo que não estão sozinhas e que há esperança na união da indignação. Parece-me, no entanto, que não é contra a troika que nos devemos manifestar.


 


Mal ou bem, o pedido de resgate internacional foi feito para acudir ao país, e a troika representa os nossos credores, que tiveram e têm condições, como todos os credores, a impor. Responsavelmente, país e governo que se prezem devem honrar os seus compromissos.


 


Por isso o problema não é a troika. O problema é da interpretação do memorando assinado com a troika e das medidas escolhidas pelo governo para que se atinjam as metas traçadas. Nesse sentido, por muito bem que faça às pessoas juntarem-se e vilipendiarem a troika, essa não é a forma de resolver o problema.


 


Este governo tem dois parceiros de coligação. Parece-me de todo inconcebível que os anúncios a que tivemos direito por parte do Primeiro-ministro e do Ministro das Finanças não tenham tido o acordo prévio do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros. Se assim foi, não se consegue perceber a necessidade que Paulo Portas tem de se reunir com a comissão política do seu partido para se pronunciar sobre o assunto. Será que o inconcebível aconteceu? Ou Paulo Portas não se deu conta das consequências destas medidas?


 


António José Seguro foi chamado a S. Bento para um encontro confidencial com Passos Coelho. A evidência sugere que António José Seguro terá ficado a par do que se ia passar. Comprometeu-se a aceitar e foi por isso que reagiu apenas dois dias depois? Tal como o pedido de audiência urgente a Cavaco Silva, uma óbvia encenação mediática, será que também o líder do PS não se apercebeu do que se iria passar? Estas perguntas não são minhas mas de todos quantos tentam raciocinar e encontrar algum fio condutor em tudo isto.


 


O Presidente da República deveria exercer a sua tão propagandeada magistratura de influência, mostrando a Passos Coelho a revolta que não pode deixar de ser tida em conta. Mas o Presidente da República é alguém que se tornou, por culpa própria, totalmente irrelevante o que, no contexto actual, é mais um factor de instabilidade.


 


É no campo político que tudo deve ser resolvido. O CDS deverá assumir as responsabilidades perante o seu eleitorado, tal como o PS tem que sair da letargia e fazer mais que encenar estupores. Pede-se sentido de estado a todos os intervenientes. Pede-se a todos os cidadãos que percebam que é o governo que elegeram que conduz os destinos do país. É contra o PSD e o CDS que todas as manifestações devem ser dirigidas.


 


Nota: Não deixa de ser interessante ouvir tantos opinantes a descabelarem-se perante estas medidas que agora também afectam o sector privado, quando no ano anterior foram tão compreensivos para o confisco dos dois subsídios à função pública e aos reformados.


 

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...