12 agosto 2012

Dar a cara

 



João Vasconcelos


Os objetivos foram atingidos, embora o sr. primeiro-ministro, na prática, tenho tido a mesma atitude que o sr. Presidente da República, ontem à noite, porque não quis dar a cara


 


Multiplicam-se estas manifestações totalmente injustificáveis em democracia. A intimidação seja de quem for, nomeadamente dos governantes, impedindo-lhes uma vida privada em segurança, como o que, nos últimos anos, tem acontecido, é uma afronta. Não se pode aceitar que, de cada vez que o Presidente, Passos Coelho ou qualquer outro ministro aflorem a rua, sejam vaiados, enxovalhados e ameaçados por gangs de pseudo activistas políticos, obviamente pertencentes a partidos de raiz e de práticas antidemocráticas.


 


Os cidadãos têm o mesmo direito de se manifestarem em liberdade que os governantes têm de se deslocarem na via pública, em paz e sossego. Quando são chamados a julgar os seus representantes, muitos dos que se calam agora e que murmuram bem-feito esquecem-se de ir votar, ou pura e simplesmente não se dão ao trabalho de o fazer.


 


A direita que nos governa deverá ser responsabilizada pelas opções e pelas medidas a que temos assistido, pela destruição do estado social, pelo empobrecimento do país, pelo aumento das desigualdades e pela recessão, mas nas urnas, de forma adulta, firme e inapelável.

11 agosto 2012

Brasileirinho

 



Waldir Azevedo & Yo-yo Ma


A derrota da crise (8)

 



 


Depois de uma caminhada Avenida da Liberdade abaixo, desde o São Jorge, em tarde de Verão a sério, nada melhor que ouma visita ao ministério da finanças, bem mais simpático no acolhimento da história da cerveja em Portugal, acompanhada da prova da dita, a Bohémia da casa.


 


Antes da caminhada Avenida da Liberdade acima, paragem para revigorar o espírito e a gula e lamber um delicioso gelado, a meio da Rua Augusta.


 


A crise também está na nossa cabeça. O melhor é não lhe dar confiança.


 


Segredos

 


Gosto imenso destes almoços secretos, escancarados nas páginas dos jornais.

Sabemos

 


O que mais revolta é que todos sabemos das manipulações, das guerras de informação, das recicladas ideologias e valores pretensamente morais. O apontar de responsáveis para que todos olhem numa só direcção. A enorme enchente de evidências diariamente retratadas nos media, naqueles que não se importam de ser correias de transmissão acéfalas.


 


Não podemos dizer que não sabemos. Sabemos de tudo.

06 agosto 2012

Não pessoa

 



Paula Rego 


 


Ser uma boa pessoa usada


amantíssima da existência


cumprir as tarefas da sobrevivência.


Bastar-se com a dormência


do dia a dia ocupar-se


ser uma boa pessoa.


Ser uma não pessoa.


 

Sobressalto

 



Cai Guo-Qiang


 


Até na morte procuramos o que não somos


mas quereríamos ter sido.


Incessantemente tentamos a originalidade


um sentido um qualquer desígnio que nos afaste da mole idêntica


normalizada trivialidade.


Até na morte desejamos ser únicos.


 


Talvez assim todos os dias que a vida nos traz


sempre iguais e sem qualquer fulgor


possam produzir um simulacro um travessão


um pequeno sobressalto na massa do tempo.


 


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...