Foi mais assim:
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Bob Dylan
How many roads must a man walk down
Before you can call him a man?
How many seas must a white dove sail
Before she can sleep in the sand?
Yes and how many times must cannonballs fly
Before they're forever banned?
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind
Yes and how many years can a mountain exist
Before it's washed to the seas (sea)
Yes and how many years can some people exist
Before they're allowed to be free?
Yes and how many times can a man turn his head
Pretend that he just doesn't see?
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind
Yeah and how many times must a man look up
Before he can see the sky?
Yes and how many ears must one man have
Before he can hear people cry?
Yes and how many deaths will it take till he knows
That too many people have died
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind?
Bem sei. De vez em quando sou acometida por doses estrondosas de um nacionalismo bacoco e foleiro. Irracional e horrivelmente condenável. De um populismo inaudito.
Mas a verdade é que, por muito que eu concorde com tudo o que se diga contra este governo, mesmo que diga pior do país e dos meus conterrâneos do que os revolucionários artistas que nos visitam, não gosto nada, mesmo nada de os ouvir criticar, principalmente com condescendência, o que cá se passa.
E vestindo completamente o futebol como último reduto da dignidade de um país ultrajado, adorava que Portugal derrotasse a Alemanha. A-do-ra-va.
Segundo todos os jornais, a Espanha está a horas de um pedido de resgate financeiro, após inúmeras negações repetidas pelo seu Primeiro-ministro, no poder há cerca de 6 meses, tal como aconteceu a Portugal, também após inúmeras declarações de Sócrates, negando a necessidade de recurso a uma intervenção externa.
Gostava de ouvir os defensores da intervenção do FMI a Portugal, que usaram a teimosia do governo socialista como arma de arremesso e justificação para a crise política que levou à realização de eleições antecipadas, o coro de insultos que se ouviram e leram em relação a Sócrates e a Teixeira dos Santos, os culpados da inevitável intervenção a tão mal governado país, explicarem esta incongruência.
Rajoy não é mentiroso, nem está delirante, é totalmente a favor de austeridades e minimização das funções do estado, é um homem às direitas. Como é que é possível os mercados terem-se voltado consistentemente contra Espanha?
Os países europeus, principalmente aqueles que aceitaram ser apelidados de preguiçosos, mentirosos, gastadores, etc., aqueles que foram aceitando que o poder político fosse substituído por pressão do poder económico, principalmente aqueles que aceitaram que quem decide na união europeia é a Alemanha, olham para a destruição de um projecto de cooperação, de paz e de bem-estar social, conformados.
Quando se fazem análises históricas aos grandes conflitos europeus e aos seus primórdios, custa a perceber que tudo estava à vista e ninguém conseguir perceber. Estamos outra vez na mesma. De fato a História repete-se pela cegueira que impede os líderes dos povos reconhecerem evidentes sinais de alarme.
É cada vez mais difícil perceber a razão da cobrança de impostos que, por sua vez, são cada vez mais altos. A segurança social, a saúde e a educação deixaram de ser um direito para todos. A opção pelo estado mínimo resulta num estado que deixou de assumir como seus a obrigatoriedade de prover esses serviços públicos.
Neste momento já há acesso condicionado pelos rendimentos aos serviços de saúde e ao ensino superior – há pessoas que não se tratam porque não têm dinheiro; há pessoas que não vão para a universidade, ou que a deixam, porque não têm dinheiro.
Nas comissões parlamentares alguns deputados horrorizam-se com o dinheiro despendido na remodelação das escolas públicas. Para eles quem recorre ao ensino público não tem direito a instalações desenhadas por arquitectos de renome, não tem direito a energias limpas, não tem direito a tecnologias de informação de ponta, a pinturas nas paredes, a pátios e cantinas de grande qualidade.
A noção do estado pequeno, pobre, mínimo, medíocre, é herdada do moralismo espartano que regressa. Em vez dos impostos contribuírem para a inovação, para a investigação, para o que de melhor há em termos de práticas, de tecnologias, de procedimentos, em vez de termos um estado exigente, que recrute os melhores, que lhes dê condições de trabalho dignas e incentivadoras, em vez de termos um estado que sirva de exemplo em todas as áreas, temos serviços públicos à medida da pobreza crescente, do desinvestimento na igualdade de oportunidades, da marginalização dos mais fracos.
Nada mais apaixonante do que olhar as cidades pelos leitos dos rios, verdadeiras vasos de sangue arterial e venoso, que as mantém vivas e comunicantes, que as defendem e as vulnerabilizam, que contém a capacidade quase eterna de crescimento e morte, em ciclos que se repetem dentro de cada um dos seus habitantes.
Sevilha – rio Guadalquivir
Leiden – rio Reno Velho
Londres - rio Tamisa
Florença - rio Arno
Bordéus - rio Garonne
As cidades são corpos que respiram, pensam e sentem, com centros nevrálgicos de poder, muralhas, portas com defesas, fossos profundos e estradas. Maiores estradas e mais hipnotizantes são os rios que as atravessam, que as dividem ou conduzem, que lhe apoiam a vida e lhes desfazem os exílios.
Coimbra - rio Mondego
Toledo - rio Tejo
Kassel - rio Fulda
Praga - rio Vltava
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...