15 dezembro 2011

Quadras de Natal (2)

 


 


 


 


Pelo vento deste norte


entra a chuva de permeio


pelo teto da má sorte


já perdemos o sorteio.


 


Nem taluda de Natal


aquece o fim de Janeiro


nem festa de Carnaval


alumia o ano inteiro.


 


Vaticinam Entidades


em voz alta ou burburinho


tormentosas tempestades


a barrar-nos o caminho.


 


Respiramos nevoeiros


lendas velhas com bolor


sem armas nem cavaleiros


que nos respeitem a dor.


 


Faremos do astro rei


terra água fogo e ar


pelo povo e pela grei


havemos nós de clamar.


 


De Jesus não precisamos


parcos de fé e tão poucos


ao Menino nós amamos


mesmo que cegos e loucos.


 


Somos nós filhos de Deus


a pedir felicidade


possa ele fazer seus


nossos sonhos sem idade.


 

Um dia como os outros (106)

 



(...) A única razão que se pode encontrar para não haver devolução do dinheiro aos portugueses está nos objectivos de política macroeconómica. É preciso travar o consumo privado para reduzir as necessidades de financiamento externo - por muito que se apele ao "consuma português", o conteúdo importado das nossas compras é bastante elevado. E, desse ponto de vista, faz sentido que se reduza o rendimento disponível.

Mas, se o objectivo é travar o consumo privado, por que não substituir o imposto extraordinário por uma poupança forçada? O dinheiro que cada um de nós entregou ao Estado em imposto extraordinário seria aplicado em títulos de dívida pública (certificados do Tesouro, por exemplo), sendo devolvido num prazo pré-definido - por exemplo, no fim do Programa de Ajustamento Económico e Financeiro.

O que ganhava o Estado e o País? Financiamento mais barato - as taxas cobradas pelos ditos mercados são superiores -; oferecia a alguns portugueses a experiência educativa de poupar; e daria uma pequena boa notícia: os sacrifícios também podem ter algum retorno, pequeno que seja, no curto prazo. No limite, até podia devolver uma parcela do imposto extraordinário a famílias com rendimentos por pessoa mais baixos. (...)

Helena Garrido


 

Pequenos

 



Petronella van den Berg: Friends


 


 


De pequenos confortos inaparentes e solitários


criamos espaços diários


sem dias feriados afetados.


 


De pequenos gestos irreverentes e solidários


criamos espaços familiares


contratos sem termo renovados.


 

13 dezembro 2011

Uma história de Natal

 



 


Conhece-os pelos nomes, pelos pais e pelas mães, os ausentes e os presentes, os desempregos e as necessidades especiais. Conhece-os pelas letras, pelas linhas, pelos risos. Sabe-lhes das tristezas, dos defeitos, dos almoços, das violências, das doçuras.


 


Tão séria e tão risonha, tão sarcástica e ternurenta, percorre  mundo a direito, percorre a vida que curva, percorre a cinza que incendeia. De memórias se fazem livros, de vontades se fazem dias, de simplicidade se fazem aqueles que dão o tempo, os dedos, as fantasias. Livros e desenhos, ecritores e pintores, a cada um uma palavra, para cada nome o elefante, ou o sol, ou a menina. Das memórias se podem dar pequenas grandes felicidades.


 


Feliz será este Natal, pelas mãos da Professora, de uns quantos fortuitos mecenas, de Alice Vieira, Afonso Cruz, Rita Taborda Duarte e Luís Henriques.


 


Assim será.


 



 

12 dezembro 2011

Direito à saúde

 


Tenho estado espectante sobre a política de saúde deste governo. Considero indispensável, agora como antes, a necessidade de tomar medidas para sustentar financeiramente o SNS. A crise do País e da Europa agravam a situação. Mas precisamente por isso é tão importante a gestão dos serviços que o Estado deve manter e reforçar em épocas de austeridade e de grande redução de rendimentos disponíveis.


 


O aumento das taxas moderadoras eram esperadas, ou até exigidas pela troika. Mas a magnitude do aumento e a indiscriminação aparente do que aumenta faz perigar o acesso aos serviços de saúde a quem tem mais dificuldades económicas.


 


As taxas moderadoras para as urgências devem servir para incentivar os cidadãos a recorrer aos Centros de Saúde e aos médicos de família. Mas não é honesto e é perigoso aumentar para o dobro as primeiras (o custo das urgências pode ir até 50 euros por episódio) e para o triplo as segundas, pois não há médicos de família suficientes e os Centros de Saúde não têm capacidade para atender os doentes em tempo útil.


 


Estrangula-se de um lado e estrangula-se do outro. Ou seja, pela primeira vez desde a instituição do SNS os cidadãos portugueses deixarão de ir ao médico porque não têm dinheiro.


 


Se há ou não margem para o crescimento das taxas moderadoras é um debate fútil. O SNS, tal como a Escola Pública e a Segurança Social são as bases da sociedade que construimos desde o 25 de Abril. Ao contrário do que as manipulações política e jornalística tentam divulgar, são instrumentos que garantem a igualdade de oportunidades e a igualdade de direitos a todos.


 


O SNS tem por obrigação cortar os desperdícios, reorganizar-se e tornar-se mais eficiente. Os profissionais são quem mais pode contribuir para isso, pois a redundância de prescrições de meios complementares de diagnóstico e a hipermedicação são dois enormes sorvedouros de dinheiros públicos e exemplos de má prática. Mas o direito à saúde, inscrito na Constituição e no código genético da nossa democracia, está a ser posto em causa com este tipo de medidas.


 

10 dezembro 2011

Os novos apóstolos

 



Chua Mia Tee


 


Ainda não passou um ano desde as últimas eleições. E nos entanto parece que vivemos noutro país, noutro mundo. A abruta e tenaz contração económica, a depressão, o cinzentismo nacional, a subserviência, o oportunismo, o falso moralismo, o conservantismo, a destruição do laicismo, do conceito de estado social, do direito ao trabalho, da remuneração condigna, alteraram profundamente a sociedade. As lojas esvaziam, a recessão aumenta, contam-se cêntimos e, pior do que tudo isso, ninguém tem esperança no futuro e as certezas são apenas para o aumento inevitável da austeridade.


 


Retrocedemos mais de 30 anos, para a ideologia do inho. Regressámos ao destino de quem defende ser formiga para sempre, de quem inveja a cigarra e, com os olhos gulosos no pecado, grita bem alto a sua virtude vaidosa e hipócrita. A honradez não precisa de batina e a criatividade não é desperdício. Mas os novos apóstolos económicos riscaram a busca da felicidade dos seus cadernos de contabilistas. Se é que alguma vez souberam ler.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...