Chua Mia Tee
Ainda não passou um ano desde as últimas eleições. E nos entanto parece que vivemos noutro país, noutro mundo. A abruta e tenaz contração económica, a depressão, o cinzentismo nacional, a subserviência, o oportunismo, o falso moralismo, o conservantismo, a destruição do laicismo, do conceito de estado social, do direito ao trabalho, da remuneração condigna, alteraram profundamente a sociedade. As lojas esvaziam, a recessão aumenta, contam-se cêntimos e, pior do que tudo isso, ninguém tem esperança no futuro e as certezas são apenas para o aumento inevitável da austeridade.
Retrocedemos mais de 30 anos, para a ideologia do inho. Regressámos ao destino de quem defende ser formiga para sempre, de quem inveja a cigarra e, com os olhos gulosos no pecado, grita bem alto a sua virtude vaidosa e hipócrita. A honradez não precisa de batina e a criatividade não é desperdício. Mas os novos apóstolos económicos riscaram a busca da felicidade dos seus cadernos de contabilistas. Se é que alguma vez souberam ler.