04 setembro 2011

Referendar a Constituição

 


António Barreto tem uma causa que lhe é muito cara - a refundação da Constituição.


 


Concordo com ele quando se refere ao facto da Lei Fundamental de ter demasiada carga ideológica, de estar datada, de ser muito longa e com grandes especificidades, e de ser um direito geracional a redacção e aprovação de uma Constituição. Por isso me espanta a sua defesa de uma imposição de limites constitucionais à dívida e ao défice - parece-me um assunto bastante específico


 


Mas ainda mais espantosa é a forma de apresentação, discussão e aprovação que preconiza - referendar o texto constitucional. Será que António Barreto deixou de acreditar na democracia representativa? Será que António Barreto se esqueceu da afluência às urnas em cada um dos três actos referendários da nossa era democrática?

Novos descobrimentos - as condicionantes externas

 


Os Ministros deste governo descobrem coisas todos os dias. Passos Coelho descobriu agora que é difícil prometer muitas coisas, nomeadamente o não aumentar impostos em 2012, por causa das condicionantes externas, que só apareceram a partir de 5 de Junho. Até lá, apenas a incúria, a incompetência e a teimosia de Sócrates e de Teixeira dos Santos, que tinham jurado levar o país à bancarrota, eram responsáveis pela difícil situação em que nos encontramos.


 


E no entanto, mesmo com as condicionantes externas e as suas incertezas, o Primeiro-ministro vaticina para 2012 o princípio do fim da emergência nacional. Há cerca de 2 anos também Sócrates arriscou previsões e falhou. Passos Coelho não aprendeu a lição.

O descobrir da dívida encoberta - novos episódios

 


Não demorou muito até se descobrirem as facturas por pagar que o Ministro Miguel Relvas descobriu numa sala fechada. Os 6,78 milhões de dívidas, por 687 facturas não cobradas e escondidas, afinal resumem-se a 40, que estão em processo de auditoria por levantarem dúvidas.


 


Estou à espera que os jornalistas, comentadores e responsáveis políticos antigos e modernos comecem a vociferar, pedindo a demissão do Ministro.


 


Adenda (10/09) - as notícias contraditórias somam-se e o mistério adensa-se - há ou não facturas por cobrar, escondidas numa sala fechada?



02 setembro 2011

September in the rain

 



 


The leaves of brown 
Came tumblin' down, remember
In September in the rain

The sun went out 
Just like a dying ember
That September in the rain

To every word of love 
I heard you whisper
The raindrops seemed to play 
A sweet refrain

Though spring is here, 
To me it's still September
That September in the rain

To every word of love 
I heard you whisper
The raindrops seemed to play 
A sweet refrain

Though spring is here, 
To me it's still September
That September in the rain
That September in the rain

Um dia como os outros (95)

 



"Estas medidas põem o país a pão e água. Não se põe um país a pão e água por precaução."


"Estamos disponíveis para soluções positivas, não para penhorar futuro tapando com impostos o que não se corta na despesa."


"Aceitarei reduções nas deduções no dia em que o Governo anunciar que vai reduzir a carga fiscal às famílias."


"Sabemos hoje que o Governo fez de conta. Disse que ia cortar e não cortou."


"Nas despesas correntes do Estado, há 10% a 15% de despesas que podem ser reduzidas."


"O pior que pode acontecer a Portugal neste momento é que todas as situações financeiras não venham para cima da mesa."


"Aqueles que são responsáveis pelo resvalar da despesa têm de ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus actos."


"Vamos ter de cortar em gorduras e de poupar. O Estado vai ter de fazer austeridade, basta de aplicá-la só aos cidadãos."


"Ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam. Os que têm mais terão que ajudar os que têm menos."


"Queremos transferir parte dos sacrifícios que se exigem às famílias e às empresas para o Estado."


"Já estamos fartos de um Governo que nunca sabe o que diz e nunca sabe o que assina em nome de Portugal."


"O Governo está-se a refugiar em desculpas para não dizer como é que tenciona concretizar a baixa da TSU com que se comprometeu no memorando."


"Para salvaguardar a coesão social prefiro onerar escalões mais elevados de IRS de modo a desonerar a classe média e baixa."


"Se vier a ser necessário algum ajustamento fiscal, será canalizado para o consumo e não para o rendimento das pessoas."


"Se formos Governo, posso garantir que não será necessário despedir pessoas nem cortar mais salários para sanear o sistema português."


"A ideia que se foi gerando de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento."


"A pior coisa é ter um Governo fraco. Um Governo mais forte imporá menos sacrifícios aos contribuintes e aos cidadãos."


"Não aceitaremos chantagens de estabilidade, não aceitamos o clima emocional de que quem não está caladinho não é patriota"


"O PSD chumbou o PEC 4 porque tem de se dizer basta: a austeridade não pode incidir sempre no aumento de impostos e no corte de rendimento."


"Já ouvi o primeiro-ministro dizer que o PSD quer acabar com o 13.º mês, mas nós nunca falámos disso e é um disparate."


"Como é possível manter um governo em que um primeiro-ministro mente?"


 


Conta de Twitter de Passos Coelho (@pedropassoscoelho), iniciada a 6 de Março de 2010. O último tuite transcrito é de 5 de Junho de 2011


 


rectificação: a conta de passos coelho é @passoscoelho e não, como por lapso refiro no dn, '@pedropassoscoelho'.


 


e nova rectificação: o último tuite transcrito por mim é de 1 de junho -- e, ao contrário do que pode ser o entendimento de quem lê, não é o último tuite citado no texto, mas o último em ordem cronológica. querendo ser mais precisa, criei a confusão, pelo  que peço desculpa aos leitores.


 


por qualquer motivo, confundi 1 de junho com 5 de junho, o que é duplamente idiota, já que nem poderia, em princípio, haver tuites de passos coelho a 5 de junho, por um motivo simples: tratou-se do dia das eleições. mais uma vez, as minhas desculpas. 


 


também no dn a nota final foi rectificada.


 


Fernanda Câncio

01 setembro 2011

Teia

 




Antony Gormley: Firmament II


 


1.


Sempre passa o momento de ter sido.


Aguardo o momento em que serei


momentos em que nunca sou


mas sempre fui.



 


2.


Enroupamos a tristeza com malhas de brandos gestos


para que ninguém ouse sequer romper a teia


da nossa armadilha. Mesmo assim carecemos de gelo


para que possamos derreter qualquer fragmento


de luz que encandeie os arroubos de ternura


que se atrevam a cruzar a aridez do caminho.

Da história deste governo

 


Este governo continua a sua caminhada para a História, disso não temos dúvidas. Ficará na História o embuste que levou à dissolução da Assembleia da República, a enorme falsidade com que Passos Coelho justificou a não aprovação do famoso PEC IV. Ficará na História o assalto aos contribuintes que este governo continuamente realiza, a total falta de vergonha com que faz exactamente o contrário do que anunciou que nunca faria, e que tomou como razões para mostrar ao eleitorado a justeza da precipitação de uma crise política que, tal como foi reconhecido pela troika, contribuiu para o agravamento do défice.


 


Além do agravamento fiscal para os rendimentos do trabalho, sem quaisquer medidas para os rendimentos do capital, ressuscitou-se o conceito do estado assistencialista e da estigmatização de grupos sociais. As recentes medidas de aumento do número de vagas nas creches e infantários apenas à custa de um aumento de crianças por sala, sem se perceber se essas alterações põem ou não em risco a segurança e o bem-estar das mesmas, para além do aumento de alunos por turma no primeiro ciclo, aumentando a dificuldade de um ensino mais individualizado, demonstram a visão que este governo tem do que é um serviço público de educação.


 


Em termos de saúde, todos estamos de acordo em que é necessário rentabilizar recursos. Mas o que se tem assistido diariamente é à produção de despachos ministeriais que obrigam a reduções percentuais de custos, no geral, sem se perceber como é que estes custos podem ser reduzidos. Chegará o o momento do governo, mais especificamente o Ministério da Saúde, explicar aos Hospitais e Centros de Saúde como é possível continuar a assegurar a mesma prestação de serviços - consultas, cirurgias, medicamentos, urgências, etc. - com a mesma qualidade. Por outro lado, o acabar com as deduções fiscais (em sede de IRS) que dizem respeito a despesas de saúde (e educação), vai haver cada vez menor possibilidade da população recorrer a prestadores privados.


 


Os cortes na despesa do estado estão a ser feitos à custa de uma aumento do desemprego (prometida redução de 10.000 funcionários públicos por ano) e a uma redução salarial (ordenados e progressões congeladas durante, pelo menos, mais 2 anos).


 


Estamos a reiniciar o calendário escolar, muitos dos cidadãos regressam hoje ao trabalho. A sensação de injustiça e de propaganda fraudulenta alastra, mesmo entre os defensores da maioria que nos governa. Na verdade, o que os movia era apenas o assalto ao poder, pois o que de diferente se está a fazer é o exagero colossal do que já se fazia, para além do regresso à vida comezinha, à falta de investimento (nomeadamente na ciência), ao desaproveitamento do que de positivo se fez nas anteriores legislaturas e, predominantemente, à total falta de visão e de estratégia para o futuro.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...