07 agosto 2011

Manhãs como noites

 



Edward Hopper: empty room


 


1.


Manhãs como noites em lugares de anseio.


Manhãs infinitas e presas no ardor do sol que não chega.


 


2.


Os vendavais do mundo repetem-se


em brisas que não levantam areias.


Dores de encarquilhamento


dores de peso e obscura certeza de contínuo tédio.


 


3.


Restamos por dentro de horas infinitas que desgastamos


fragmentos de matéria orgânica


que segue inexorável o seu caminho.


Temos a certeza da pele e dos ossos


que se afundam ou despontam conforme as épocas


de abundância ou penúria de humores.


 


4.


Quero estar apenas só


com aquela metade de mim mesma que não conheço


mas que tolero e ignoro.


Quero estar apenas só


perante o abismo de céu


em que afogo o uso e a sensação de perda.

05 agosto 2011

Assistencialismo de estado

 


É uma questão ideológica, sim. O Plano de Emergência Social é um conjunto de medidas que assume o carácter assistencialista do Estado.


 


A ASAE e a fiscalização das condições de segurança são um bem em si mesmas. É isso que dá a certeza a qualquer pessoa, rica, pobre ou remediada, de poder comprar qualquer produto em supermercados, praças e restaurantes, em condições de ser consumido. A exigência de um prazo mínimo para comercialização de medicamentos é uma garantia para os cidadãos pobres, ricos ou remediados, de estarem protegidos dos efeitos nocivos de drogas cuja validade foim ultrapa. Se as leis e os prazos são de segurança são considerados exagerados e produtores de desperdício, que se alterem e que se apliquem a todos os cidadãos, não para um grupo específico de pessoas.


 


A exigência da prestação de trabalho social a quem recebe subsídios é iníqua, pois parte do princípio que quem não trabalha é porque não quer. Se há trabalho, seja ele de que tipo for, ele deve ser remunerado e não transformado numa espécie de pena.


 


É uma questão ideológica. Quem tem fome ou quem está desempregado não tem capacidade de reivindicação pelo que deve ser o estado a reivindicar por ele. A dignidade do ser humano não deixa de ter importância nem de ser uma prioridade em caso de dificuldades financeiras.

02 agosto 2011

É você

 


Esta tem dedicatória:


 



 Tribalistas


 


 


É você
Só você
Que na vida vai comigo agora
Nós dois na floresta e no salão
Nada mais
Deita no meu peito e me devora
Na vida só resta seguir
Um risco, um passo, um
gesto rio afora

É você
Só você
Que invadiu o centro do espelho
Nós dois na biblioteca e no saguão
Ninguém mais
Deita no meu leito e se demora
Na vida só resta seguir
um risco, um passo, um
gesto rio afora
Na vida só resta seguir
Um ritmo, um pacto e o
resto rio afora

Pequenas curiosidades

 


Confesso que estou muito curiosa para conhecer a forma como se vão identificar os mais vulneráveis para que estes tenham acesso às tarifas sociais, de electricidade, gás, combustíveis e passes para os transportes públicos.


 


Será um cartão? Ou precisaremos de andar com uma cópia da declaração do IRS? Sinais exteriores de riqueza? Depósitos bancários? Cabelos e unhas por arranjar? Vestuário fora de moda? Total ignorância dos filmes estreados no último ano? E a vulnerabilidade será vitalícia ou renovável? A que prazo?


 


Enfim, um manancial de dúvidas que, certamente, o Super-ministro com a Super-Chefe-de-gabinete não deixarão de esclarecer.


 


Já agora, será que a filosofia aplicada ao Super-ministério não poderá ser alargada a outras áreas? Será que os Super-médicos que vêm, tratam, diagnosticam e cuidam de um Super-número de doentes, que trabalham um Super-infinito número de horas seguidas, demonstrando uma Super-competência, uma Super-dedicação e um Super-empenho, não estarão no âmbito da aplicação dessas medidas de reconhecimento e remuneração? E os Super-professores, os Super-juízes, os Super-polícias, os Super-militares, enfim, todos os Super-profissionais que por aí derramam a sua Super-qualidade?


 

31 julho 2011

Iliteracia informática

 


A obrigatoriedade da prescrição electrónica de receituário e de meios complementares de diagnóstico, assim como do processo clínico electrónico, já deveria há muito ter sido implementada. Infelizmente os equipamentos informáticos e a acessibilidade a computadores nos estabelecimentos pertencentes ao SNS nem sempre são os adequados, atrasando o arranque desta medida essencial para a segurança dos doentes e do pessoal de saúde, uma maior rapidez de informação fidedigna e uma enorme poupança de recursos.


 


Por isso aplaudo o facto do Ministro Paulo Macedo não aceitar uma nova prorrogação do prazo para que as receitas electrónicas sejam, finalmente, uma realidade. As Instituições de Saúde e os Médicos estavam avisadas, desde há vários meses, do limite do prazo, pelo que não me parece sério continuar a alegar falta de preparação e de conhecimento de softwares disponíveis. Penso que seria muito importante que a Ordem dos Médicos facilitasse a aquisição/utilização de aplicações informáticas, eventualmente com formação para que, o mais rapidamente possível e com menores custos, todos os médicos pudessem aceder à prescrição electrónica.


 


Por isso não deixo de me surpreender com a notícia do Público, de 26/07, de que centenas de médicos alegam não ter capacidade para se adaptarem a sistemas informáticos. Acredito que haja casos excepcionais que justifiquem tal incapacidade, mas serão muito raros e muito específicos. Não concebo como é que, em pleno século XXI, um médico pode fazer consultas bibliográficas, estar a par das últimas novidades editoriais, corresponder-se com colegas, inscrever-se em congressos, trabalhar em consultórios, hospitais ou centros de saúde que estão, melhor ou pior, todos informatizados, ou mesmo entregar declarações de IRS, sem ter capacidade para se adaptar a sistemas informáticos.


 


Mantenho também o aplauso a Paulo Macedo pelo facto de não ter aproveitado o facto de se terem que destruir vacinas compradas para a pandemia de Gripe A, em 2009, levando a um desperdício no valor de 9,7 milhões de euros, para atacar a Ministra Ana Jorge. Por muito que se critique a sua actuação, e eu sou uma das que critico, neste caso particular a Ministra e o governo fizeram o que deviam, seguindo as orientações da OMS. Se o não tivessem feito e a gravidade da pandemia fosse outra, essa sim seria razão para acusações.


 


Já não percebo muito bem o que significa a reestruturação das urgências de que fala o Ministro da Saúde. Não percebo como se avaliam as ofertas dos serviços de urgência públicos e privados, para se decidirem encerramentos – quais encerram? Os públicos ou os privados? Se forem os públicos, serão os privados a assegurarem as urgências? Quem paga? O Estado ou os cidadãos?


 


Temo que a interpretação das suas palavras – ser Ministro do Sistema de Saúde – tenha um alcance mais privatizador do que prestador.

El último trago

 


E esta Ana?


 



José Alfredo Jiménez

Chucho Valdés & Concha Buika



 


Tomate esta botella conmigo 
y en el ultimo trago nos vamos 
quiero ver a que sabe tu olvido 
sin poner en mis ojos tus manos 
esta noche no voy a rogarte 
esta noche te vas de deveras 
que dificil tener que dejarte 
sin que sienta que ya no me quieras 

Nada me han enseñado los años 
siempre caigo en los mismo errores 
otra vez a brindar con extraños 
y a llorar por los mismos dolores 

(Salusita mi amor......) 

Tomate esta botella conmigo 
y en el ultimo trago.... 
me besas 
esperamos que no haya testigos 
por si acaso... 
te diera verguenza 
si algun dia sin querer tropezamos 
no te agaches ni me hables de frente 
simplemente... 
la mano nos damos 
y despues que murmure la gente 

Nada me han enseñado los años 
siempre caigo en los mismos errores 
otra vez a brindar con extraños 
y a llorar por los mismos dolores 

Tomate esta botella conmigo 
Y EN EL ULTIMO TRAGO NOS VAMOOOSSSS!!!!!!


Vendas

 



Mitzi Linn


 


Sabemos vender sorrisos e mãos


corpos vazios ou completos às sedes redondas e ferozes


sabemos vender a língua que nos adeja pela pele


sabemos vender tudo que por dentro se move e até


o que se gastou entre segundos de um tempo infinito


mas nunca descobrimos o que fazer com o amor


que a brasa do anos de embalo não consome.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...