30 julho 2011

Desigualdades

 


A vida corre-nos sem sobressaltos de maior, nascer, crescer, escola, trabalho, marido, filhos, casa, carro, férias, mesmo que pequena, velho ou dentro de portas, lá vamos despachando um dia atrás do outro sem sequer olharmos para fora da redoma opaca com que nos rodeamos.


 


Lá fora batalham pessoas como nós, com necessidades e anseios iguais aos nossos, mas sem as almofadas de segurança, materiais e de afectos que consideramos de tal forma adquiridos que nos choca o confronto com outras realidades.


 


E elas são tão vastas e duras, pesadas e duradouras que, em vez do hábito entranhado de dizer mal da sorte, deveríamos perceber que pertencemos a uma escassa minoria que vive, ao lado de multidões que tentam sobreviver.

Maria Lúcia Lepecki

 



 


Maria Lúcia Lepecki foi uma das professoras que gravavam as aulas do Ano Propedêutico transmitidas pela RTP1, nos idos de 1978/1979, para a disciplina de Português. Não me recordo de mais nada do programa ou das aulas, nem de mais nenhum professor ou convidado. Apenas me lembro dela, da sua voz, do seu sotaque, do seu entusiasmo e do seu saber. Era uma aula sobre O Delfim, de José Cardoso Pires. Nunca até aquele momento tinha assistido ao estudo de uma obra literária, com aquele enquadramento histórico, cultural, social e literário, tudo dito num tom encantatório e melodioso, como era a sua forma de falar.


 


Ouvi-a ao longo dos anos nalguns programas de televisão e, pela última vez, na apresentação do 3º volume da biografia de Álvaro Cunhal, escrita por Pacheco Pereira, em que nos aguçou a curiosidade e o interesse pelo livro. Com a sua morte perdeu-se uma verdadeira especialista e apreciadora em literatura portuguesa, que era capaz de marcar profundamente quem a ouvia.



27 julho 2011

Lamaçal

 


Não assisti ao debate entre Alfredo Barroso e Teresa Caeiro. Mas, via Câmara Corporativa, tive oportunidade de ver o referido debate, se é que se lhe pode chamar isso, moderado pelo sempre inqualificável Mário Crespo.


 


Alfredo Barroso começou por ler um artigo de Filipe Santos Costa, que citava frases de Paulo Portas, em que este referia os montantes exactos das várias específicas despesas a cortar pelo governo, essa direita que não aceitava o aperto fiscal e a recessão. Teresa Caeiro, incapaz de justificar o injustificável, arrastou a conversa para uma troca de insultos, falando de lamaçal repetidamente, sendo ela própria a primeira a atirar lama.


 


É muito difícil para a direita - nomeadamente o Presidente da República e os líderes do PSD e do CDS - que durante anos insultou os governantes do PS, chamando-lhes mentirosos, fazendo campanhas de descredibilização e de ataques de carácter, que justificava toda a situação económica do país pela incúria, incompetência e mentiras de Sócrates, ser agora confrontada com o facto do país se aperceber das campanhas, das calúnias, das manipulações e das mentiras dessa mesma direita.


 

23 julho 2011

Cajueiro velho

 





João Carlos Dias Nazareth & Alcione

 


 


Cajueiro velho
Vergado e sem folhas
Sem frutos, sem flores
Sem vida, afinal
Eu que te vi
Florido e viçoso
Com frutos tão doces
Que não tinha igual
Não posso deixar
De sentir uma tristeza
Pois vejo que o tempo
Tornou-te assim
Infelizmente também é certeza
Que ele fará o mesmo de mim

Já trago no rosto
Sinais de velhice
Pois da meninice
Não tenho mais traços
Começo a vergar como tu, cajueiro
Que foi meu companheiro
Dos primeiros passos
Portanto
Não tens diferença de mim
Seguimos marchando
Em uma só direção
Agora me resta da vida o fim
E da mocidade a recordação

Das assessorias

 


Não deixa de ser interessante que, alguns dos que sempre atacaram e desprezaram blogues que apoiavam o PS e Sócrates, denunciando bloguers como criminosos e espiões a soldo do governo, para manipular e desinformar, se insurgem agora quando são aplicadas as mesmas regras, antidemocráticas, censórias e atentatórias à liberdade de expressão.


 


O recrutamento para a política de pessoas que escrevem nos blogues e nos jornais não me incomoda nada. O que de facto me incomoda muito é o facto de não haver a coragem e a transparência para se assumirem as respectivas orientações partidárias. Mais me incomoda a forma como determinados seres, para além de não terem coluna vertebral, são capazes de mudar de pele, de estilo literário e de ódios de estimação, que rapidamente reciclam em amor incondicional. Tudo bastante previsível, universal e perene.



A simetria do fundamentalismo

 



 


O terrorismo é igual à direita e à esquerda, o fundamentalismo une as mais diversas ideologias numa só. A intolerância, o desprezo pela vida humana, a ausência de qualquer sentido democrático, a noção de que vale tudo, mesmo tudo, para se impor aquilo que se pensa ser a verdade.


 


Na Noruega o pesadelo vai crescendo a par da estupefacção. Ainda não se sabe grande coisa, para além do horror na contagem dos mortos e dos feridos. Louros ou morenos, a Deus ou a Alá, os loucos são loucos e matam.

22 julho 2011

Outra vez

 



 


INTERNATIONAL BUSINESS TIMES


 


De vez em quando a dolorosa realidade do terrorismo bate à porta da Europa. Hoje foi a vez da Noruega. O repúdio, o medo, o nojo, a solidariedade para com as vítimas, para com todas as vítimas do terrorismo.


 


Adenda: Também em Utoeya houve um tiroteio que matou, pelo menos, 4 pessoas, num encontro de verão do partido trabalhista.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...