Pois, lá está, juntos é que não, que os gregos são desordeiros e trapaceiros. Ou saíam eles, ou saímos nós. Onde está a dúvida?
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Pois, lá está, juntos é que não, que os gregos são desordeiros e trapaceiros. Ou saíam eles, ou saímos nós. Onde está a dúvida?
Então as agências de rating ainda não perceberam que Portugal tem agora um governo credível, que faz cortes e que privatiza, que só diz a verdade e acaba com os subsídios, que não quer Estado mas sociedade civil? Então as agências de rating têm este comportamento indecente para tão decente governo português, que até adianta mais austeridade para agradar aos mercados?
Mas será que as agências de rating não sabem que Sócrates já não é Primeiro-ministro? O quê? Tanto lhes faz?
As notícias espalham que se vai suspender para reavaliar o fecho de escolas com menos de 21 alunos. Mas são contraditórias porque não se percebe bem se só não fecham aquelas escolas que seriam agrupadas em novas instalações ainda não concluídas, ou se o governo resolveu andar para trás.
Espero bem que esta notícia não se confirme. A reorganização e a renovação do parque escolar são essenciais e as crianças das aldeias têm o direito de aprender em escolas com estabilidade de quadros de profissionais, instalações condignas, equipamentos modernos, etc. Há que racionalizar os recursos e colocá-los ao serviço de todos os cidadãos, em pé de igualdade. Há que assegurar que as crianças possam ser transportadas em segurança para as escolas, caso elas fiquem mais longínquas.
Espero sinceramente que, mesmo concordando com algumas das medidas anunciadas por Nuno Crato (revisão dos currículos, exames nacionais, aumento da exigência e rigor, manutenção da avaliação dos professores, exame de admissão na carreira, não utilização de máquinas de calcular nos 5º e 6º anos), aliás idênticas às preconizadas por Maria de Lurdes Rodrigues (com excepção das máquinas de calcular), este governo não ensaie um regresso ao passado. O passado pode regressar, mas não se repete. Por outro lado, os contratos com escolas privadas que o governo socialista queria terminar (e bem) mantém-se, em nome do falacioso argumento da liberdade de escolha.
Nas duas últimas legislaturas deram-se passos de gigante na reforma da escola pública, que ficaram aquém do que se pretendia, também por responsabilidade dos partidos agora no poder. Se Nuno Crato for favorável ao rigor e à qualidade, não quererá, seguramente, implodir o muito que se conseguiu, e que assim é avaliado por organizações internacionais.
Tudo o que Sócrates dizia era mentira. Tudo o que Sócrates fazia era incompetente, corrupto, soez, arrogante e estúpido. Tudo o que Passos Coelho diz é verdade. Tudo o que Passos Coelho faz é competente, radical, arrojado e imprescindível.
A crise internacional era uma desculpa de Sócrates. A crise internacional é uma nuvem que paira sobre o governo de Passos Coelho. O aumento dos impostos e a redução dos ordenados foram um roubo inaceitável perpetrado por Sócrates. O aumento dos impostos e a redução dos ordenados é uma medida patriótica de Passos Coelho.
A mentira tem uma face - é a de Sócrates.
A verdade tem uma face - é a de Passos Coelho.
Afinal este governo também recorre a medidas extraordinárias, após os Conselhos Europeus. Como Miguel Frasquilho disse ontem, já não sei em que canal televisivo, mesmo que nos portemos muito bem e cumpramos tudo o que temos que cumprir, a saída da crise não depende só de nós. Parece que Sócrates e o PS tinham alguma razão.
Mas isso também já não interessa. Temos novo governo e novo programa, em que se vai privatizar tudo o que for possível, recorrer à iniciativa privada sempre que for possível. Na saúde: (...) Pela garantia do acesso universal e equitativo, tendencialmente gratuito, aos cuidados e serviços de saúde incluídos no plano de prestações garantidas; (...). Resta saber e definir quais são as prestações garantidas, tendencialmente gratuitas. Receio que se faça um pacote de cuidados a que todos têm direito, os tais que são garantidos, e depois os outros são para quem pode pagar individualmente. Ou seja - uma saúde para pobres, outra para ricos. Das taxas moderadoras pretende-se (...) garantir que apenas se isenta quem realmente necessita dessa isenção (...). A forma de identificar quem realmente precisa de isenção não está explícita. Pode sempre ser através de um cartão (cartão de pobre).
Estas conversas sobre o utilizador / pagador lembram-me sempre os problemas dos pagamentos dos condomínios - quem mora no rés-do-chão não aceita pagar pelo elevador, pois nunca o utiliza(*)
A aposta nas energias renováveis evaporou-se. Os transportes públicos devem ser incentivados, mas as parcerias com os privados são para avançar.
Não tenho ilusões nem me espanto. Foi este o rumo que os eleitores escolheram.
(sublinhados meus)
Adenda: O Programa de Emergência Social, deixa às Misericórdias e à IPSS grande parte da responsabilidade de acudir às (...) crianças e idosos de famílias desamparadas e sem acesso a redes e instituições normais de apoio a que o Estado geralmente recorre (...), de forma a prover, de forma prioritária à famílias (...) alimentação, vestuário e medicamentos (...). As pessoas passam a não depender do Estado para dependerem da solidariedade dos outros. Deixam de ter direito a um mínimo para usufruirem do favor e da caridade da sociedade.
(*)Acabei de ser informada de que, por lei, quem mora no piso térreo está dispensado de pagar pelo elevador, pelo que a minha comparação não tem cabimento.
Comentário de Nuno Manuel Costa:
(...) Só estão dispensado que se o elevador não permitir o acesso a partes comuns! Se o elevador permitir, por exemplo, aceder ao terraço, os condóminos do rés-do-chão têm que pagar! O Supremo Tribunal decidiu em 1983, que um condómino cujas frações possam ser servidas por determinado equipamento não fica isento de pagamento das despesas com ele relacionadas, mesmo que recuse a sua utilização!
Ou seja, o que a lei prevê é a possibilidade de utilização e não a efectiva utilização.
Consultar guia do condomínio da DECO ou n.º 4 do artigo 1424º do código civil. (...)
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...