18 maio 2011

Um dia como os outros (86)


(...) O efeito mais provável de uma descida da TSU é os preços não descerem, a exportação não aumentar e o emprego não subir, incentivando-se ao mesmo tempo a aposta das empresas em produtos de baixo valor acrescentado baseados em mão-de-obra barata. Paralelamente, e para alimentar essa descida da TSU, todos estaríamos a pagar mais impostos indirectos e a piorar ainda mais a situação das famílias afectadas pelo desemprego ou com rendimentos mais baixos. Some-se ainda a este impacto os potenciais problemas que se poderiam arranjar no financiamento da Segurança Social.

Os riscos que se correm com uma descida da TSU são demasiado elevados. Se o problema são salários demasiado altos, quem está no sector privado sabe que os trabalhadores aceitam cortes. Já aconteceu. (...)


 


Helena Garrido


 

Das notas que tomamos (6)

 



Será mesmo verdade que Passos Coelho, ou alguém por ele, vai pedir conselhos a Dias Loureiro?


 


Em relação ao programa Novas Oportunidades, cuja avaliação externa foi coordenada por Roberto Carneiro, os resultados de 2010 estão disponíveis - é só ler.


 


Volta a ideia de pagar taxas moderadoras por escalões de IRS, sem se explicitar que já há pagamentos escalonados, para a saúde e para tudo o resto, através dos impostos. Passos Coelho também passou a ser adepto das novas tecnologias e das auto-estradas informáticas, querendo usar o cartão do cidadão, o tal horror que acaba com a privacidade das pessoas, para que se possa, através dele, ter acesso à informação fiscal, de forma a poder cobrar taxas diferenciadas. Melhor que isto só a implementação de um cartão de pobreza.


 

17 maio 2011

A importância da cor

 


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É como com a avaliação do desempenho - o PSD está totalmente de acordo mas tem de ser diferente da que o governo do PS legislou. Também as novas oportunidades são um conceito muito meritório, mas não estas novas oportunidades. Só as que o PSD quiser dar, diferentes das do PS. É uma questão de cores - o PS gosta mais de cor-de-rosa, o PSD de cor-de-laranja.


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Imprensa acrítica

 


A propósito do post que escrevi sobre a comparação entre os juros cobrados pelo FMI e pela União Europeia, fui alertada pelo comentador Jaime Santos que a diferença se deve a uma forma diferente de calcular os juros. Vale a pena ler o artigo que ele sugere.


 


É pena que estes assuntos não sejam tratados pelos comentadores e jornalistas económicos, obviamente com honrosas excepções. Tal como a campanha eleitoral, que se faz de grandes acusações e de conferências de imprensa para rebater as acusações e acusar em sentido contrário, sem qualquer tentativa de esclarecer seja o que for e seja quem for.


 


Por outro lado a direita está, e com sucesso, a lançar a ideia de que o Presidente não deverá convidar Sócrates, mesmo que ele ganhe as eleições, caso se forme uma coligação entre o PSD e o CDS. Esta teoria é uma tentativa de assegurar uma subversão dos resultados eleitorais. Quem ganhar as eleições, PS ou PSD, deve formar governo. Se a solução que encontrar não assegurar uma parlamentar maioria estável, e como tanto o PS como o PSD como o CDS já se pronunciaram a favor de um governo maioritário, então sim, poderão tentar-se outras soluções dentro do quadro parlamentar.


 


Seria melhor que todos aguardassem pelo resultado das eleições. Se o objectivo era ouvir o povo talvez seja aconselhável que primeiro o deixem falar.


 


Nota: O artigo de Ricardo Reis, em português, no DE.



 

16 maio 2011

Revisitamos

 Luke Gattuso


 


Entre os dedos tenho ainda pequenas gotas de chuva


daquele dia que revisitamos sempre que nos queremos.


E ainda queremos.


 

Frémito

 



Sayaka Kajita Ganz: Loner


 


Tento precisar o momento da desistência.


Um frémito nos lábios um recuo dos ombros


um leve cerrar de olhos que não se percebe


que não se alcança. Tento apagar


a sombra que se instala.


 


Entre a luz da certeza


o intervalo da negação.


 


 

13 maio 2011

Médicos "de segunda"

 


Mais uma vez, e infelizmente, fui precipitada ao aceitar uma notícia como verdadeira.


 


Isto tem a ver com as cartas que o Dr. Pereira Coelho, Presidente da Secção Regional do Sul da OM, escreveu à Ministra da Saúde, questionando-a sobre o facto de haver médicos, no caso colombianos, a exercerem medicina sem esterem reconhecidos pela OM, o que é ilegal.


 


Pelos vistos o Dr. Prereira Coelho não sabia que as licenciaturas desses Colegas tinham sido validadas pela Universidade do Porto. O Bastonário da OM parece que estava ao corrente. Mas agora preocupa-o, assim com à FNAM, a competência destes Médicos que não sabem receitar pílulas nem fazer citologias. Ficamos descansados com esta preocupação, mas estranhamos que seja dirigida apenas ao médicos colombianos - será que não há médicos portugueses que não sabem fazer citologias? Como está a OM, ou a FNAM, a avaliar os Colegas? Quem lhes pediu para que os avaliassem? É habitual haver auditorias à competência técnica dos médicos?


 


Tanto quanto sei, para que médicos estrangeiros possam exercer Medicina em Portugal, têm que ver a respectiva licenciatura validada por uma Universidade portuguesa e a especialidade avaliada por um júri, nomeado pelo respectivo Colégio de Especialidade. Caso o curriculo seja julgado insuficiente, o médico pode exercer medicina e fazer a especialidade on job, ou seja, com um Tutor, até fazer o currículo apropriado para o poderem considerar Especialista.


 


Este coro de vozes da OM e da FNAM apenas dão razão a quem pensa que a verdadeira razão de tanta preocupação se prende mais com xenofobia ou medo da concorrência, do que com a qualidade da medicina praticada.


 

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...