08 maio 2011

O grande redutor da esquerda grande

 


 


DN


 


Defendi há alguns dias que os partidos da dita esquerda deveriam ser capazes de tornar públicas as condições mínimas para poderem viabilizar um governo do PS. Mas rapidamente se me desfizeram as ilusões, com a posição que o BE e o PCP assumiram ao recusarem-se a reunir com a Troika.


 


Após a divulgação das últimas quatro sondagens, todas elas espelhando uma descida dos potenciais votantes no BE, Francisco Louçã já admite fazer coligações com o PS, mas sem José Sócrates, o que demonstra bem o embuste e a sua dimensão pouco democrática.


 


Francisco Louçã não está minimamente interessado em defender as políticas da esquerda grande. Apenas está a tomar consciência de que a sua demagogia e irresponsabilidade, desde a coligação com o PSD e o CDS (e o PCP), para forçar a demissão do governo, até à decisão de ficar de fora das negociações das contrapartidas para a ajuda externa, lhe vão render uma derrota eleitoral, maior do que a que teve em 2009.


 


Neste momento o anúncio desta disponibilidade, para além de não convencer os votantes no BE, pode ser prejudicial ao PS, dissuadindo os indecisos, pela certeza que têm da impossibilidade de uma coligação com os partidos da extrema-esquerda, agora como anteriormente. Como se fosse admissível eleger um governo com três partidos, em que dois se recusam a seguir as medidas acordadas pelo terceiro com a Troika.


 


Quem no eleitorado do centro procure, acima de tudo, um governo de maioria absoluta, pode afastar-se do PS com a perspectiva de tal coligação.


 

06 maio 2011

Antes e depois, é connosco

 


As opiniões de aplauso e júbilo ao programa acordado com a Troika multiplicam-se. Na verdade, todos sabem e sabiam há muito tempo quais os problemas do país, as reformas estruturais (aquela fórmula linguística utilizada a propósito e a despropósito, principalmente por quem não as quer executar), as despesas a reduzir e as reestruturações e ganhos de eficiência possíveis.


 


O problema foi e é implementar as medidas que todos reputam indispensáveis e inadiáveis. O único governo que, nas últimas décadas, teve uma agenda verdadeira e assumidamente reformista, foi o primeiro governo liderado por Sócrates. Anunciou e iniciou reformas em várias frentes. O resultado foi uma enorme revolta de todas as corporações e de todos os grupos de pressão empresariais e políticos, do seu e dos outros partidos, que fizeram tudo para boicotar quaisquer sinais de mudança, da educação à saúde, das finanças regionais às locais, do sistema de justiça à auto-estrada tecnológica. Tudo foi pretexto para impedir, emperrar, denegrir, descredibilizar, qualquer assomo de iniciativa para a diferença.


 


Na última legislatura houve até convergência de forças políticas antagónicas, mas que concordaram em tentar desfazer o que, com muito esforço e trabalho, se tinha conseguido fazer anteriormente.


 


Quem tem que assumir a responsabilidade de cumprir as metas que nos são impostas (é claro que nos são impostas) somos nós,,cidadãos, que não queremos perceber que é preciso cumprir horários, controlar a qualidade do nosso trabalho, prestar contas e responsabilizamo-nos pelo pagamento dos impostos, pela educação dos filhos, pela avaliação do desempenho, pelo mérito, pela partilha e pela solidariedade, pelo cumprimento rigoroso de normas de trabalho e de conduta, pela exigência a nós mesmos e aos outros, pelo desfazer de clientelas, compadrios, amiguismos, negligências, oportunismos e vigarices.


 


Seja quem for que ganhe as eleições terá que conseguir que nos olhemos ao espelho. E, melhor ou pior, o único líder que tem créditos em termos de querer mudar, por ter assumido os riscos que isso importa, é José Sócrates.


 

Um homem honrado

 



 


Teixeira dos Santos foi ontem entrevistado por um rude e duro José Rodrigues dos Santos. E muito bem. É exactamente esse o papel dos entrevistadores. Penso que pela postura, pela extrema lealdade e elegância com que foi respondendo, mesmo às perguntas sobre a sua relação com Sócrates, Teixeira dos Santos mostrou a sua honradez, seriedade e espírito de missão e de dedicação à causa pública. O país em geral e Sócrates em particular têm muito a dever-lhe.


 


Por outro lado, é cada vez mais patente a solidão que rodeia o líder do PS, ao ver afastarem-se, sejam quais forem os motivos, os verdadeiros artífices do que de bom foi feito por estes dois últimos governos. Isso é muito preocupante até porque, nos tempos difíceis que aí vêm, não é qualquer um que aceita os desafios da impopularidade. Talvez não fosse má ideia José Sócrates pegar no espelho em que nós nos devemos estudar, e se pergunte quais as características da sua liderança que estão a causar esta lenta, mas inexorável aridez. Seria certamente instrutivo e seguramente saudável.


 

Fabricação de notícias

 



 


Não tenho tido muita disponibilidade para assistir aos vários debates e programas que têm surgido após o acordo celebrado entre a Troika e o governo.


 


Por isso não sei se já se formaram vários grupos de estudo, se já se fizeram vários inquéritos internos e externos, se já se cruzaram argumentos e se denunciaram propósitos, obscuros ou claros, em relação ao que se passou com a comunicação social nos dias anteriores ao acordo.


 


As manchetes, as informações, as previsões, os estudos, as certezas e as sentenças que se escreveram, disseram e assumiram deveriam gerar, de imediato e com a emergência que se impõe, numerosos grupos de trabalho que dissecassem e iluminassem os incautos cidadãos sobre os bastidores da fabricação de notícias.


 

04 maio 2011

"Musikalisches Opfer" BWV 1079


J. S. Bach


Swingle Singers & Modern Jazz Quartet


 

Das notas que tomamos (5)


Um dia passado, às voltas com as notícias que vão saindo nos jornais online, no rádio e na televisão, algumas notas vou tomando:


 





      • Pudemos perceber que, ao longo do último mês, pelo menos, os jornais serviram de veículo de propaganda e de desinformação, alarmando continuamente a população, tudo fazendo para que a avaliação que fizéssemos do governo fosse aquela que os partidos de direita e de extrema esquerda, em união perfeita, uns por um lado outros pelo outro, queriam.

      • À parte uma nota final no editorial de Pedro Santos Guerreiro, não me apercebi de qualquer tentativa de justificação da parte dos media de tanta incompetência. A não ser que não seja incompetência, que seja mesmo luta política, da mais baixa.

      • As medidas que se vão conhecendo são, tanto quanto me apercebi, as que estavam previstas no PEC 4, com algumas outras alterações ou especificações, nomeadamente na redução da despesa do estado, privatizações, etc.

      • De facto a sensação que fica, mais uma vez e com mais sustentação, é que o PSD precipitou a queda do governo para evitar que Sócrates conseguisse evitar a intervenção externa e, apesar de tudo, pudesse aguentar-se este ano, com a eventual ajuda da União Europeia, e ultrapassar a pressão d'Os Mercados.

      • Ficámos com a certeza de que o PSD precipitou a demissão do governo negando apoio ao último PEC, primeiro porque era muito duro, depois porque era pouco duro, para agora vir a apoiá-lo, ensaiando uma distância e uma soberba ridículas, descredibilizando-se totalmente, se ainda tinha algum crédito de sobra.




Sócrates conseguiu ganhar mais esta batalha. Vamos a eleições sem qualquer razão, perdemos um mês sem qualquer préstimo, mostrámos internacionalmente uma imagem de doidos e oportunistas, cavámos mais fundo o insuportável fosso entre eleitores e eleitos.


 


Cada vez mais se configura a repetição do quadro parlamentar anterior, com a vitória do PS nas próximas eleições. E ainda bem, porque este PSD demonstrou bem qual a importância que dá ao país. Tudo vale, mas mesmo tudo, para alcançar o poder.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...