03 maio 2011

Vitória de Obama

 



 


morte de Osama Bin Laden foi uma vitória da Administração Obama e uma vitória da luta contra o terrorismo. Simbolicamente, foi a neutralização do mais importante inimigo dos Estados Unidos, com quem os EUA estavam em guerra há décadas.


 


É claro que teria sido preferível que Osama Bin Laden tivesse sido capturado, julgado e condenado em tribunal. Mas a realidade não se compadece, em muitas situações, com o que deveria ser.


 


O terrorismo não acabou, obviamente. Mas, e mais uma vez simbolica e politicamente, sofreu um rude golpe.


 

Propagandas

 



 


A comunicação ao país do Primeiro-ministro demissionário, acompanhado de um demissionário Ministro de Estado e das Finanças com uma postura fechada, desaprovadora da sua própria presença, foi apenas uma peça de propaganda eleitoral.


 


Não ficámos a saber nada de concreto sobre as medidas que terão ficado acordadas com a Troika. A única preocupação de José Sócrates foi desmentir aquilo que foi sendo avançado pelos media como certezas de austeridade. Desmentiu o desaparecimento dos 13º e 14º meses, inclusivamente a hipótese de serem pagos em títulos de poupança, desmentiu cortes em salários e em pensões, desmentiu mais medidas orçamentais para além das do PEC 4, desmentiu o aumento da idade da reforma, desmentiu a necessidade de alterações constitucionais por causa de alterações das leis laborais, SNS e escola pública.


 


Não ficámos a saber rigorosamente nada do que vai acontecer.


 


A comunicação de Eduardo Catroga, também uma peça de propaganda, não lhe correu muito bem. Como não tinha nada para dizer, visto que nada se sabia, Eduardo Catroga insinuou que as medidas desconhecidas iriam ser muito piores que as do PEC 4, que já nunca teria chegado, mas muito melhores do que seriam sem a contribuição do PSD. O que é mais uma contradição e também não se compreende, pois o PSD não aprovou o PEC 4, pelas razões mutuamente exclusivas de serem muito e pouco duras.


 


A comunicação de Francisco Louçã foi irrelevante, para não variar, assim como a de Carvalho da Silva. A de Assunção Cristas foi a mais normal e cautelosa.


 


Continuamos a aguardar, portanto. Para já, Sócrates saiu-se melhor neste acto de campanha eleitoral.


 


Nota: 78 mil milhões de euros.


 


 

02 maio 2011

Sociedades


 


Não percam este livro e, já agora, o lançamento:


de Porfírio Silva - Das Sociedades Humanas às Sociedades Artificiais


 

01 maio 2011

Fugue for organ in G Minor BWV 578


 


J. S. Bach & Swingle Sisters


 

Preocupações pré-eleitorais

 


O apelo à ajuda externa, que a Troika corporiza e simboliza, vai condicionar muitas das medidas que o próximo governo tiver que tomar, a curto e a médio prazo. É importante que nos lembremos, com as devidas reservas da manipulação e da especulação d'Os Mercados e com a anemia da União Europeia, que foi o país que pediu essa intervenção e que, por isso mesmo, os receios da falta de democracia pelo facto de a Troika pretender um acordo com a maior parte dos partidos políticos e dos parceiros sociais me parecem inconsequentes. Infelizmente, há um plano de financiamento a Portugal. É pouco provável que a Troika aceite que sejamos nós a ditar as condições do empréstimo.


 


É claro que os representantes do governo demissionário e dos restantes partidos e restantes parceiros sociais deverão tentar o que puderem para que as medidas sejam o menos gravosas possível, em termos sociais.


 


Mas a campanha política tem ainda muito que esclarecer, se é que alguém alguma vez estará interessado em o fazer. Eu, por exemplo, gostaria muito que me esclarecessem quanto a algumas matérias:



  • Está agendada, pensada, perspectivada, estudada, etc., alguma reorganização administrativa do território nacional? Parece-me uma reforma estrutural, daquelas que todos gostam de reputar inadiáveis e indispensáveis, de que não ouço falar. Penso mesmo que a reforma das leis eleitorais deveria ser posterior à reorganização administrativa do país.

  • Há algum projecto, de manutenção ou desenvolvimento, da melhoria da implementação e do acesso às tecnologias de comunicação e informação? É que a reorganização do trabalho, da prestação de serviços públicos e de referenciação pode ser muito diferente se se aproveitarem as capacidades das tecnologias informáticas, com observação e consultadorias à distância, teletrabalho, etc. Para não falar dos custos e da possibilidade de ocupação das áreas do interior, podendo reverter-se a desertificação do território mais periférico.


 

A cor da Mãe


August Macke: Children at the Greengrocer's I


 


 


Mãe não tem cor.


Depende do instante em que olha o seu filho


do sorriso com que pensa nele


da angústia com que o procura.


 


Mãe aprende a ser camaleão.


Nesse arco-íris de vida em que se transforma


mãe acaba por morrer branca


na fusão de todas as cores.


 

Manter a sanidade mental

 



Kyee Myintt Saw: Market of Umbrella


 


Começa a ser muito difícil sacudir o asco que sinto quando ouço as pseudo-elites classificarem o estado do país com os superlativos que vão descobrindo, cada vez mais entusiásticos, dramáticos e entediantes, de tão superficiais.


 


Não há vislumbre de discussão sobre a ideia de qual o modelo social, qual o modelo de desenvolvimento que politica, económica e culturalmente se pensa para Portugal. É preciso crescimento, mas como? É preciso reduzir despesas, mas quais? É preciso privatizar serviços do estado, mas quais os custos sociais que estamos dispostos a suportar? É preciso parar com o investimento público, nomeadamente no TGV e no novo aeroporto, mas então qual o modelo de futuro se tem em mente?


 


A noção de democracia vai encolhendo dia a dia ao ouvirmos as inacreditáveis declarações daqueles em quem deveremos votar, como a criminalização das responsabilidades políticas e a subalternização da política à economia. Os diferentes actores, nas diferentes áreas de actividade, vão-se posicionando não se sabe exactamente porquê e para quê.


 


Leio a preocupação da Ordem dos Médicos em relação às consequências das restrições financeiras no SNS, abrindo um endereço electrónico para as queixas e denúncias sobre esse tipo de situações. É claro que a Ordem dos Médicos deve estar muito atenta a tudo o que resultar em diminuição da qualidade de tratamento dos doentes. Só que nunca me apercebi de idênticas preocupações em relação a outro tipo de riscos que envolvem redução na qualidade do tratamento, como o não cumprimento de horários, os atestados falsos, a requisição totalmente inexplicável de exames complementares de diagnóstico, a falta de comunicação, a desinformação sobre prescrição de genéricos, a incapacidade de preenchimento de processos clínicos, etc., etc., etc. Lembro-me até de ter lido nos jornais que a Ordem dos Médicos nem tinha capacidade para avaliar as queixas por mal prática que lhe chegavam.


 


Não tenho a mínima capacidade de perceber se a maior parte das pessoas, aquelas que todos os dias enchem os transportes públicos, os tais que formam um dos enormes buracos financeiros do estado e que o movimento Mais Sociedade quer privatizar, aquelas que aos sábados enchem o mercado e escolhem batatas, cebolas e pimentos, que resmungam com o preço da fruta e pedem meio frango, no talho, se dão ao trabalho de ler ou ouvir o que as pseudo-elites se entretêm a espalhar pelos media que, de uma maneira totalmente acéfala, reproduzem e replicam com ar grave e sério. Mas penso que a relativa calma que se sente não tem a ver com o amorfismo e a falta de cultura democrática do povo, com dizem os saudosos da democracia reivindicativa, de greves, manifestações e muitos chavões. A verdade é que ninguém liga nenhuma. É uma questão de sobrevivência e de salvaguarda de alguma sanidade mental.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...