16 abril 2011

Vencer a crise (1)


 


Em cena, na Sala Vermelha do Teatro Aberto, uma peça de Rui Herbon - Grande Prémio de Teatro Português de 2010 (Teatro Aberto e Sociedade Portuguesa de Autores), com música original de Pedro Jóia.




13 abril 2011

Tempos confusos e perigosos

Desde a apresentação do PEC IV a Bruxelas, todos ouvimos várias vezes destacados membros do PSD acusarem Sócrates de desrespeito pelas instituições do país e de não ter negociado com o PSD, o maior partido da oposição e aquele que, em princípio, teria que dar o seu acordo parlamentar às medidas, para que estas fossem aplicadas.


 


Eu continuo a pensar que Sócrates desrespeitou o Parlamento. Mas o argumento de Passos Coelho foi o utilizado, em primeiro lugar, para a decisão que levaria à demissão do governo e à convocação de eleições antecipadas. Sabemos que, posteriormente, mais argumentos contraditórios foram avançados, mas a monumental ofensa do PSD à inaceitável arrogância governamental foi repetida até à exaustão.


 


Por isso o país deve ter ficado estupefacto, pelo menos eu fiquei, quando me apercebi de que Sócrates tinha tido uma reunião alongada com Passos Coelho, em que lhe tinha explicado as medidas que iria apresentar em Bruxelas no dia seguinte. Isto dito pelo próprio Passos Coelho na entrevista a Judite de Sousa.


 


É claro que, agora, a direita acha um disparate determo-nos em pormenores de forma, quando esses pormenores foram usados e abusados para insultar, mais uma vez, o governo como um todo e José Sócrates em particular.


 


Mas se ainda tínhamos alguma dúvida ficámos esclarecidos. A não aprovação do PEC IV, pelo PSD, prendeu-se pura e simplesmente com a resolução da luta interna pela liderança do PSD, obedeceu apenas ao calculismo irresponsável de quem precisa de alcançar o poder a todo o custo.


 


Tudo o que se vai sabendo do PSD e do seu mais recente líder aumenta o desconforto em relação a todo este processo. Ainda estou sem entender como é possível convidar alguém para ocupar o lugar de Presidente da Assembleia da República, quando este lugar é fruto de uma eleição pelos deputados. Será que Passos Coelho consegue adivinhar o sentido de voto dos deputados?


 


Têm-se multiplicado as comparações absurdas entre a propaganda nazi e a propaganda protagonizada pelo PS. Quem assim fala só pode ser de uma ignorância confrangedora e perigosa. Andamos vertiginosamente a reboque de campanhas de desinformação, que inundam todos os espaços noticiosos e mediáticos. Estamos em vésperas de um processo eleitoral cujos fundamentos são falsos. E, de vez em quando, aparecem notícias que nos espantam por serem tão contrárias à maré de críticas e certezas sobre a incompetência do governo, para já não falar do ataque pessoal à honorabilidade das pessoas.


 


Vivemos tempos confusos e perigosos. Mas talvez haja quem se surpreenda e perceba que as pessoas não são totalmente manipuláveis.


 

11 abril 2011

Bye Bye Blackbird

 



canta Julie London


 


Pack up all my cares and woes,
Here I go,
Singing low,
Bye bye blackbird,
Where somebody waits for me,
Sugar's sweet, so is he,
Bye bye
Blackbird!

No one here can love or understand me,
Oh, what hard luck stories they all hand me,
Make my bed and light the light,
I'll arrive late tonight,
Blackbird bye bye.

No one here can love or understand me,
Oh, what hard luck stories they all hand me,
Make my bed, light that light,
I'll arrive late tonight,
Blackbird bye bye!
Blackbird bye bye!

10 abril 2011

Regresso

 



 


 


Eduardo Ferro Rodrigues regressa à vida partidária. Esta é uma boa notícia.


 

Não foi notícia

 



 


 


Entre 7 e 9 de Abril decorreu, no Porto, o XIV Congresso Nacional de Anatomia Patológica. Ao contrário de outros congressos de outras especialidades, não houve antes, nem depois, qualquer notícia sobre o assunto.


 


A Anatomia Patológica não é uma especialidade mediática, nem glamorosa. Os médicos de Anatomia Patológica praticam uma ciência quase invisível, mas absolutamente central em toda a actividade de diagnóstico, de decisão e monitorização terapêutica, de avaliação de factores prognósticos, de investigação e de ensino.


 


Um dos convidados foi Adalberto Campos Fernandes que, de uma forma simples e clara, discorreu sobre as várias ineficiências do nosso sistema de saúde, a necessidade de modificação da cultura de gestão, da aposta nos recursos humanos com a fidelização dos profissionais a tempo inteiro, uma remuneração condigna, exigência, rigor e avaliação de desempenho, reforço das lideranças intermédias e manutenção da universalidade do SNS, desmontando a argumentação crescente do paradigma do utilizador/pagador.


 


Rigor, trabalho, estudo e investigação, partilha de ideias e de experiências, formação contínua, a Anatomia Patológica é o paradigma da tradição que se alia à inovação, da responsabilidade que se junta à ousadia e enforma o verdadeiro núcleo da Medicina.


 


Nota ou declaração de interesses: sou Anatomopatologista.

05 abril 2011

Democracia enfraquecida

 


Vivemos em democracia, gostamos de acreditar que sim, que temos uma sociedade pluripartidária, que nos oferece opções de governo diferentes, sendo essas opções decididas pelo voto popular, em eleições livres.


 


Mas será mesmo assim?


 


Desde a aprovação do OE de 2011, pelo menos, tem havido pressões quase diárias para que Portugal peça ajuda financeira externa, tal como fez a Irlanda. Para isso têm trabalhado os partidos da oposição mas sobretudo e principalmente, a especulação que faz com que subam os juros da dívida, que faz com que desçam os ratings dos bancos, das empresas públicas e do país.


 


A luta política é lícita, independentemente das interpretações que possamos fazer, da escolha do partido A ou do partido B. Mas neste momento até a decisão de ir a eleições é penalizada. Já não basta não termos mecanismos de decisão económica e financeira, visto que os governos têm que obter o aval e a autorização da União Europeia, leia-se da Alemanha, como têm que prestar contas à União Europeia, leia-se à Alemanha, como ainda têm que ter eleições apenas quando e se a União Europeia e Os Mercados quiserem.


 


Os media não podem estar a soldo do poder político. Mas informarão melhor as populações se estiverem a soldo do poder económico?


 


Nesta Europa dos Cidadãos, como ouço tantas vezes dizer, nesta sociedade ocidental, moderna e democrática, a vivência do que é a democracia vai encolhendo e afastando-se cada vez mais do seu conceito.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...