23 março 2011

Cai o governo

 



Jornal i 


 


 


Como muitas pessoas hoje, fui ouvindo as declarações dos líderes parlamentares, justificando a tomada de posição que levou ao pedido de demissão do governo.


 


Nada de novo. Era uma morte anunciada. Espero muito sinceramente que outros anúncios não se concretizem.


 


Seguem-se eleições. Em democracia o voto é soberano. Da última vez a soberania do voto durou pouco.

22 março 2011

Das notas que tomamos (1)

 



Algumas conclusões a que podemos chegar perante os acontecimentos:



  1. Aquando da aprovação do OE2011, Cavaco Silva desdobrou-se em conversas e influências para que este fosse aprovado, por causa da estabilidade, da crise económica, enfim, das catástrofes todas que nos vão desabar.

  2. Agora, que os fantasmas do passado, do presente e do futuro nos apontam o apocalipse, Cavaco Silva mantém um esfíngico silêncio, mesmo depois da espantosa ameaça em como, se houvesse segunda volta eleitoral para a Presidência, o país soçobraria.

  3. Durante esta última legislatura, se dúvidas houvesse nalgumas mentes, ficámos com a certeza de que os designados partidos da esquerda, da larga, ampla e grande esquerda de Francisco Louçã, da massa de trabalhadores, operários e camponeses de Jerónimo de Sousa, não só não servem para viabilizar uma solução de governo à esquerda, como estão dispostos a todas as coligações para se afirmarem contra, para se manifestarem do contra, protagonizando coligações negativas que abram a porta a um governo de direita.

  4. José Sócrates é um dos políticos mais determinados e corajosos das últimas décadas. Aquilo que é uma enorme virtude podem transformar-se num terrível defeito ao transpor os limites, cometendo erros infantis e cegos ao não se aperceber que, à sua volta, os ventos e as tempestades já mudaram os pressupostos.

  5. Passos Coelho soube aproveitar o erro do seu adversário, embalado pelos discursos de Sua Presidência, esquecida da indispensabilidade do entendimento entre as forças centrais em bloco. Com a voz que Deus lhe deu, ensaia gorjeios de ave para a esquerda e para a direita. A campanha está em marcha.

  6. De ameaça em ameaça, de crise em crise, estamos vacinados pelo abismo de que nos abeiramos diariamente, já nada nos estremece. Vamo-nos entretendo até às próximas eleições.

21 março 2011

Sinais

 



 


Duas coisas muito interessantes:



 

Amigo


poema de Alexandre O’Neill: Amigo


pintura de Peter Worsley: Friends 


 


Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!


 


 


 


De uma querida amiga, para todos os amigos.


 

20 março 2011

Poetria

 



QUEM TEM MEDO DA POETRIA?


 


Na sua última edição de Março, a revista “Os meus livros” publica um dossier intitulado “A resistência da poesia”, assinado por Andreia Brites, mencionando editoras e livrarias que, contra ventos e marés, continuam a apostar na Poesia como género literário bem presente no mercado.


 


Até aqui nada a assinalar. Trabalho louvável de pesquisa e desenvolvimento no sentido da divulgação da poesia. E não fora o “esquecimento” da Livraria Poetria entre as que referiu no seu artigo, a abordagem seria perfeita.


 


Mas Andreia Brites omitiu esse pequeno grande pormenor: A livraria que pela 1ª VEZ ousou instalar-se no mercado SÓ com livros de Poesia (e Teatro), e que no mercado PERMANECE desde 2003 foi, sim, a Livraria Poetria.


 


(Já em tempos, num importante artigo na Pública assinado por Luís Miguel Queirós sobre esse tema e os locais onde se vendem livros de poesia, a Poetria não foi incluída no conjunto das livrarias citadas)


 


Já agora, quando em 2008 abriu em Lisboa uma livraria de poesia, foi comentado na comunicação social e outros sítios que acabava de surgir “a 1ª livraria de poesia no país”.


 


E ainda, outro pormenor no mínimo insólito, a Livraria Poetria também NÃO é referida, nem ao de leve, na esmagadora maioria dos blogs ou sites especializados ou que falam de poesia (com honrosas excepções como a Assírio e Alvim, o Bibliotecário de Babel ou o Eu ela e a escrita…).


É caso para perguntar: Quem tem medo da Poetria?


 


OUÇAM TODOS (os que teimam em nos ignorar): a Poetria existe e resiste apesar de tanta indiferença, na sua senda poética de divulgação da “linguagem das aves”. E até vamos em breve alargar o nosso espaço físico para que mais livros de poesia (e teatro) possam aqui morar.


 


A partir daqui.


 

Ervas de cheiro

 



 


Dia limpo, claro, brilhante. Sonhos ecológicos e aromáticos, a terra chama por nós.


 

Estrela do mar


Jorge Palma


 



 


Numa noite em que o céu tinha um brilho mais forte
E em que o sono parecia disposto a não vir
Fui estender-me na praia, sozinho, ao relento
E ali longe do tempo, acabei por dormir



Acordei com o toque suave de um beijo
E uma cara sardenta encheu-me o olhar
Ainda meio a sonhar perguntei-lhe quem era
Ela riu-se e disse baixinho: estrela do mar

"Sou a estrela-do-mar só a ele obedeço
Só ele me conhece, só ele sabe quem sou
No princípio e no fim
Só a ele sou fiel e é ele quem me protege
Quando alguém quer à força
Ser dono de mim..."



Não sei se era maior o desejo ou o espanto
Só sei que por instantes deixei de pensar
Uma chama invisível incendiou-me o peito
Qualquer coisa impossível fez-me acreditar



Em silêncio trocámos segredos e abraços
Inscrevemos no espaço um novo alfabeto
Já passaram mil anos sobre o nosso encontro
Mas mil anos são pouco ou nada para estrela-do-mar



"Estrela-do-mar
Só a ele obedeço
Só ele me conhece, só ele sabe quem sou
No princípio e no fim
Só a ele sou fiel e é ele quem me protege
Quando alguém quer à força
Ser dono de mim..."


 


Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...