19 março 2011

Venham as eleições

Assistimos, durante esta última semana, ao enovelar de uma novela. O Primeiro-Ministro fez aquilo que não podia fazer ao ter comunicado, de Bruxelas, mais um pacote de medidas de austeridade, para os próximos anos, sem que antes tivesse tido o suficiente respeito pelas instituições do seu país para as informar do que, segundo ele próprio, seria indispensável para o equilíbrio e para a confiança internacional.


 


Desastrado ou maquiavélico, esse foi um ponto de não retorno. Assim como as várias declarações públicas de membros do governo e do PS chamando o PSD ao compromisso, após este já ter sido assumido pelo governo. As explicações sobre o congelamento das pensões não convenceu ninguém, a prestação de António Costa na Quadratura do Círculo foi, para dizer o mínimo, uma manobra deselegante e pouco credível, tentando responsabilizar Teixeira dos Santos pela jogada política do governo e de Sócrates.


 


Passos Coelho aguardava uma oportunidade para fazer cair o governo, sem ficar com o ónus de desencadear uma crise política. Dentro do PSD a espera começava já a fazer vítimas, estando a apertar-se-lhe o cerco. Sócrates deu-lhe um excelente pretexto.


 


Logo a seguir ao discurso de tomada de posse de Cavaco Silva defendi que o governo deveria apresentar uma moção de confiança à Assembleia da República para que os partidos assumissem as suas responsabilidades. Neste momento penso que o melhor é avançarmos para eleições e, ao contrário de Medeiros Ferreira, acho que José Sócrates se deve apresentar à frente do PS.


 


Em nome da estabilidade política tem-se mantido uma situação instável, à beira do precipício, com dramatizações em catadupa. A crise continua e o sobressalto que todos sentimos não é cívico, é depressivo. Não se aguenta mais esta situação de histeria, manipulação informativa e barragens de propaganda. Não há mercados, crises ou Bruxelas que me convençam que é melhor continuar assim. Em democracia estes problemas resolvem-se com eleições. Venham elas.

15 março 2011

Regresso ao passado

 



 


Importa que os jovens deste tempo se empenhem em missões e causas essenciais ao futuro do país com a mesma coragem, o mesmo desprendimento e a mesma determinação com que os jovens de há 50 anos assumiram a sua participação na guerra do Ultramar.


 


Este é o nosso Presidente da República. Em ditadura, com o analfabetismo e a falta de liberdade de expressãode pensamento, tudo o que os jovens queriam, desprendidos e corajosos, era ir à guerra, defender os territórios ultramarinos.


 


Salazar também assim pensava. Que os jovens queriam, corajosa e desprendidamente, defender o Ultramar. Era essa uma causa maior, ao serviço da nação.


 


Os jovens que estiveram envolvidos na guerra do Ultramar, que não puderam ter sobressaltos cívicos para se negarem a fazê-lo, que não puderem manifestar-se nas suas cidades contra a guerra e a miséria, mereciam bem melhor homenagem.

Meu amigo perdoa-me

 


 



poema de Catarina Nunes de Almeida


 


 


 


Meu amigo perdoa-me
se espantei as gazelas
para um canto do sótão
se me cresceram músculos
neste olhar-te neste cuidar que dá cuidado.

Mas do alto dos seios
no ruir das lamparinas
vale a pena olhar-te. Daqui
da mais sincera pobreza
onde permaneces apenas tu
adão e erva
e o céu manchado pelas libelinhas.

13 março 2011

Miss Celie's Blues


Chaka Khan & Q Live


 


 


 



Sister, you've been on my mind
Sister, we're two of a kind
So, sister, I'm keepin' my eye on you.

I betcha think I don't know nothin'
But singin' the blues, oh, sister,
Have I got news for you, I'm something,
I hope you think that you're something too

Scufflin', I been up that lonesome road
And I seen alot of suns going down
Oh, but trust me,
No-o low life's gonna run me around.

So let me tell you something Sister,
Remember your name, No twister
Gonna steal your stuff away, my sister,
We sho' ain't got a whole lot of time,
So-o-o shake your shimmy Sister,
'Cause honey the 'shug' is feelin' fine.



 

Um dia como os outros (81)

 



(...) Está, pois, na hora, de obrigar cada um a assumir as suas responsabilidades. Não vale a pena conversar com o PSD, porque o PSD não existe. Existe Passos Coelho, que quer qualquer coisa que evite a descida de Rui Rio à capital, e cujo principal exercício político é disfarçar. Disfarçar as políticas que quer tentar, resumidas no “salve-se quem puder”. Existe Rui Rio e os que querem um PSD “credível” para tomar conta da intendência, mas que ainda não acabaram de ultimar o plano de assalto ao palácio de inverno. E existe o chefe da oposição, que reside oficialmente em Belém.

Assim sendo, Sócrates, como PM e SG do PS, deve ir a Belém e dizer a Cavaco Silva: “o senhor Presidente acha que os portugueses não podem fazer mais sacrifícios; os seus aliados nas instituições europeias passam os dias a exigir-me que peça mais sacrifícios aos portugueses; os seus aliados nos partidos portugueses concordam consigo que isto vai lá sem mais sacrifícios – e eu não estou a ver como; o senhor Presidente teve a sua manifestação da maioria silenciosa, que ajudou a convocar no seu discurso de tomada de posse, na sua habitual abrangência política alimentada pela crítica sem alternativa, porque a alternativa é onde a porca torce o rabo; portanto, senhor Presidente, eu vou-me embora, o PS vai para a oposição, que já se esforçou o suficiente, e o senhor Presidente assuma as consequências do seu activismo e arranje uma solução”. (...)


 


Porfírio Silva

Das reformas

 


Infelizmente iremos fazer a reforma da legislação laboral a reboque das imposições de Bruxelas, de os mercados e semelhantes, em vez de termos tomado a iniciativa mais cedo, alterando o que deve ser alterado, com autonomia e independência.


 


Uma das razões para a existência de tantos recibos verdes e contratos precários, que penalizam mais quem quer entrar no mercado de trabalho, é precisamente a dificuldade em rescindir os contratos sem termo. Esses vínculos quase vitalícios, nomeadamente na função pública, que impossibilitam que haja verdadeiras escolhas e promoções por mérito, ferozmente defendidos pelas estruturas sindicais, levam ao preenchimento de todos os lugares disponíveis, reduzem a renovação geracional e empurram os mais jovens para uma permanente precariedade.


 


No entanto, aquilo que está previsto, tanto quanto saibamos, claro, é a redução das indemnizações por despedimento. Não seria preferível fazer o contrário? Facilitar os despedimentos, obviamente salvaguardando e prevenindo as discricionariedades por parte dos empregadores que, muitos deles, se têm aproveitado da conjuntura para oferecerem salários indignos, transformando a oportunidade de emprego numa nova forma de escravatura, e aumentar as indemnizações?


 


Não pode ser admissível, nem assumido como inevitável, que os empregos se transformem em incertezas do dia a dia e não em perspectivas de investimento e motivação numa qualquer actividade. Como também é inaceitável que pessoas sem qualquer interesse no trabalho, que não se empenham, que não se formam nem se informam, que procuram todos os pretextos para sair mais cedo e entrar mais tarde, mantenham os seus postos de trabalho porque têm contratos sem termo, enquanto outras pessoas mais qualificadas, excelentes profissionais, que adoram o seu trabalho e querem, de facto, desenvolver-se e fazer desenvolver o país, ficam de fora, sem que aqueles que se dizem defensores dos seus direitos tomem medidas para os defender. Já agora para nos defender a todos.


 

(Des)Informação

 


Não, afinal não eram 200.000, eram 300.000. Podemos fazer um leilão, a ver quem dá mais.


 


É aterradora a forma acrítica com que se replicam informações, boatos e certezas nos media portugueses. Esta manifestação, que foi, sem dúvida, um êxito, independentemente do que cada um de nós possa pensar das razões ou falta delas desta geração à rasca, não foi nada do que se tem escrito e publicitado em tudo o que é jornal, rádio, blogues, etc.


 


Não foi convocada pelo Facebooka iniciativa foi divulgada através do Facebook, mas deve ter havido poucas manifestações que tenham sido tão pré publicitadas, por quase todos os órgãos tradicionais de comunicação, como esta. Durante mais de uma semana não houve dia em que não tivéssemos sido lembrados da novidade e importância reivindicativa desta manifestação, sem organizadores e totalmente espontânea, tão interessante e tão igual às manifestações do Egipto e da Tunísia. Agora sim, o povo é quem mais ordena.


 


Não foi preciso qualquer esforço de organização nem de divulgação – a comunicação social e partidos da contestação se encarregaram disso.


 


Quanto aos números de manifestantes, o contágio da falta de sentido crítico é espantoso. Ontem começou por se falar em 200.000. Um dia depois a organização (aquela que não existia) contou 300.000, e os meios de comunicação, os tradicionais e os do séc. XXI, repetiram como papagaios esse número. Como me fizeram ver ontem, 200.000 pessoas equivalem a 4 estádios de Alvalade cheios; 300.000 correspondem a 6 estádios. Como também se sabe, ou deveria saber, há quem desenvolva métodos científicos para medir o número de manifestantes. Mas, claro que isso não interessa nada.


 


Porque o número de manifestantes interessa. Não significa o mesmo a presença de 3.000, 30.000 ou 300.000 pessoas na rua, em protesto.


 


Quanto à cobertura televisiva dada ontem da dita manifestação, foi eloquente. Durante toda a tarde, em directo, por vários canais de televisão, tivemos direito a ouvir as reportagens em cima do acontecimento, a motivação e o empolgamento perante tantos e tão desesperados jovens, menos jovens, Homens da Luta, Fernando Tordo, gente contra políticos e contra a política, desempregados, empregados a recibos verde, a contratos a termo, estudantes, reformados, enfim, uma panóplia de gente que, com as suas razões, decidiu mostrar descontentamento.


 


Não se percebe se esta forma de informar é apenas o resultado de incompetência ou falta de profundidade, se é intencional e manipuladora. O que é patente é a impossibilidade que os cidadãos têm de acreditar, minimamente, no que os meios de comunicação dizem sendo eles, em princípio e em teoria, os garantes da formação da opinião pública, em liberdade.


 


Nota: vale a pena ler este post.


 

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