Assistimos, durante esta última semana, ao enovelar de uma novela. O Primeiro-Ministro fez aquilo que não podia fazer ao ter comunicado, de Bruxelas, mais um pacote de medidas de austeridade, para os próximos anos, sem que antes tivesse tido o suficiente respeito pelas instituições do seu país para as informar do que, segundo ele próprio, seria indispensável para o equilíbrio e para a confiança internacional.
Desastrado ou maquiavélico, esse foi um ponto de não retorno. Assim como as várias declarações públicas de membros do governo e do PS chamando o PSD ao compromisso, após este já ter sido assumido pelo governo. As explicações sobre o congelamento das pensões não convenceu ninguém, a prestação de António Costa na Quadratura do Círculo foi, para dizer o mínimo, uma manobra deselegante e pouco credível, tentando responsabilizar Teixeira dos Santos pela jogada política do governo e de Sócrates.
Passos Coelho aguardava uma oportunidade para fazer cair o governo, sem ficar com o ónus de desencadear uma crise política. Dentro do PSD a espera começava já a fazer vítimas, estando a apertar-se-lhe o cerco. Sócrates deu-lhe um excelente pretexto.
Logo a seguir ao discurso de tomada de posse de Cavaco Silva defendi que o governo deveria apresentar uma moção de confiança à Assembleia da República para que os partidos assumissem as suas responsabilidades. Neste momento penso que o melhor é avançarmos para eleições e, ao contrário de Medeiros Ferreira, acho que José Sócrates se deve apresentar à frente do PS.
Em nome da estabilidade política tem-se mantido uma situação instável, à beira do precipício, com dramatizações em catadupa. A crise continua e o sobressalto que todos sentimos não é cívico, é depressivo. Não se aguenta mais esta situação de histeria, manipulação informativa e barragens de propaganda. Não há mercados, crises ou Bruxelas que me convençam que é melhor continuar assim. Em democracia estes problemas resolvem-se com eleições. Venham elas.
li o seu artigo e faço, com sua licença, os seguinte s comentarios:
ResponderEliminar"aquilo que não podia fazer ao ter comunicado, de Bruxelas, mais um pacote de medidas de austeridade, para os próximos anos",,,
Sofia, Sofia... as medidas de austeridade são um acto de governação normal,
que o parlamento poderá, se quiser, analisar, inclusive, anular...
MAS o que em Bruxelas foi conversado, foram principios pois legitimamente CE não se vai meter em minudencias que não conhece, nem pretendera conhecer obviamente... terá muito mais que fazer...
e o concreto dos principios base da estabilidade podem sempre logicamente ser conversados, mexidos , substituidos por outros, desde que não afectem os resultados globais, e garantida relativamente sua aceitação pelos credores, digo eu...
Já quanto ao "suficiente respeito pelas instituições do seu país", o que é isso neste pais, neste momento, com actuais repetidas praticas destes 4 partidos de oposição e de Sexa o Venerando????
Neste aperto de crise o "equilíbrio e a confiança internacional", ganham-se com resultados, resultados, resutados,
com uma organização que os permita,
e muita determinação e animus de fazer,
fazer
e de conseguir inverter tendencias estruturais nossas, relativamente a trabalho, responsabilidade, solidariedade, sua eficacia global nos contextos globais e nosso...
Acha... que é tudo isto que norteia este PR, com suas intervenções coloridas,
e a veneranda oposição de 4 partidos, QUATRO, que falam em quase unissono, há 6 anos contra tudo que este pM faz????
Será de facto um " ponto de não retorno ", mas que cada um assumirá, com custos e proveitos que se irão ver estes dias, e depois, sim, se houver eleições...
"PS chamar o PSD ao compromisso" isto é uma questão que vem desde set 09, e agravou-se com este 2º mandato PR,
e que, neste ponto, só tem validade academica, não politica...
politica é a doer, para gente de coração forte que aguentam, ou não, custos e suas opções, e dos seus tempos respectivos...
"Passos Coelho, (...) oportunidade para fazer cair o governo" com ou sem "ónus de desencadear uma crise política", também é outra questão para bem pensantes e não para politicos
que tem de arriscar, todos dias, bem pensadamente, a actualidade e o futuro do país...
referir isso, agora, parece-me, é chover no mlhado...
A "seguir ao discurso de tomada de posse de Cavaco Silva (...) apresentar uma moção de confiança à Assembleia da República" ERA um questão possível,
mesmo depois de uma moção de censura,
mas sem qualquer conteudo hoje, agora, dado posições asumidas por todos e pelo PS também...
quanto as responsabilidades de 4, quatro, partidos de oposição sistematica, durissima e pessoalmente dirigida PM e MF, acho que estamos todos conversados...
Neste momento avançar para eleições é quase um facto, nem vale a pena questionar, porque só um enormissimo golpe de rins, ou de qualquer outro órgão, poderia fazer acontecer o contrario...
e,
vamos a elas, eu tambem acho com José Sócrates à frente do PS.
Abraço