11 março 2011

Distinções

Defendo a democracia participativa com partidos. Defendo a democracia participativa para além dos partidos. Defendo a liberdade de expressão de opinião e de manifestação, seja qual for o grupo ou opinião que se queira manifestar, pacificamente, respeitando a lei.


 


É importante que os cidadãos exerçam a cidadania com exigência e não se deixem manipular por formas mais ou menos escusas, abrindo a confusão e misturando coisas que não se devem misturar. Como sou uma das pessoas que tem assumido como a mesma a manifestação convocada para amanhã, da geração à rasca, com uma manifestação contra a política e os políticos, que pede a demissão de toda a classe política, devo informar que, pelos vistos, essas duas manifestações não são a mesma.


 


O que não apaga tudo o que penso dos protestos que este movimento tem protagonizado, o que não impede que pense que este movimento está a ser aproveitado/conduzido oportunisticamente por forças políticas, como o PCP e o BE, que tentam cavalgar todo e qualquer protesto.

10 março 2011

A nova era

 



 


A noção que o Presidente recém empossado tem de cooperação entre as instituições da democracia portuguesa é estranha, mas não surpreende. Cavaco Silva aproveitou esta oportunidade para, mais uma vez, abrir caminho a eleições antecipadas, em vez de promover a estabilidade, que tanto apregoou antes e durante a campanha presidencial. Aproveitou, cinicamente, os movimentos da geração à rasca, tal como aproveitou as manifestações e as marchas a favor da escola pública, promovidas pelos sindicatos dos professores.


 


O Presidente Cavaco Silva fez um discurso que traçou as linhas gerais do próximo governo de coligação PSD/CDS. A alternância é natural e saudável em democracia. Já não é saudável que seja o Presidente da República a liderar a oposição.


 


Ao reduzir a última década a um conjunto de anos perdidos, leia-se pela governação socialista, mais especificamente pela governação de Sócrates, Cavaco Silva não se lembrou da União Europeia, ao apontar a dependência alimentar não se lembrou da política agrícola comum. Ao falar da aposta na tecnologia e na ciência também se esqueceu do significativo aumento de cientistas em Portugal, nacionais e estrangeiros, e do aumento de publicações científicas. Quando diagnosticou a dependência do exterior também se esqueceu da aposta nas energias renováveis, nas tecnologias da comunicação, nomeadamente na banda larga. Não houve lugar, no seu discurso, para a verdadeira reforma que se iniciou no ensino. Cavaco Silva lembrou-se agora dos artistas e da cultura, mas esqueceu a crise.


 


Tudo já foi dito sobre este início presidencial. Tal como o Eduardo Pitta penso que esta nova era, como muitos gulosamente já lhe chamaram, inaugurada pelo discurso de Cavaco Silva, deveria ser assumida em pleno. Era clarificador que o governo apresentasse uma moção de confiança à Assembleia da República.


 

08 março 2011

Mulheres

  



Nnamdi Okonkwo: They are waiting


 


 


Mulheres, aquelas que choram e cantam, que aguentam filhos e pais, que vêm inchar o ventre e as pernas, riscar de rugas a face, de varizes a alma, dilatar a preguiça e a nostalgia do nada.


 


Mulheres, aquelas que sabem e esquecem, que vêm partir e amparam, que gritam e enxotam, que abraçam e sustentam.


 


Mulheres sem dias e a dias, todos os dias.


 

Limpeza de listas

 


A actualização dos dados nos Centros de Saúde, para libertarem das listas quem nunca lá vai, porque não quer e/ou não precisa, parece uma boa ideia. Rentabilizar e gerir melhor os escassos recursos que existem, nomeadamente o reduzido número de Médicos de Família para que mais pessoas tenham acesso a cuidados de saúde atempadamente, é indispensável.


 


No entanto convém não esquecer que há algumas situações em que os doentes estão obrigados, por lei, a recorrer aos Médicos de Família, como o simples facto de precisarem de um atestado médico para justificarem faltas por doença. Mesmo quando se esteve internado num hospital integrado no SNS, é necessário um atestado passado pelo Médico de Família.


 


Estas medidas tinham o objectivo de desincentivar os atestados falsos. Mas a verdade é que dificultam muito a vida de quem, de facto, está doente. Tal como a nova ideia de obrigar a exibir um documento de identificação nas farmácias, aquando da compra de medicamentos por receita. Não é isso que vai acabar com as fraudes. Seria muito melhor que se perseguissem os prevaricadores – médicos que passam receitas e atestados falsos, farmacêuticos que falsificam usam abusivamente números de cartões de utentes, pessoas saudáveis que fingem doenças e que lesam os restantes cidadãos, em vez de inundar de leis restritivas quem cumpre.

La dama y la muerte


Javier Recio Garcia


Prémio Goya - melhor curta-metragem de animação 2010


A partir daqui


 

Gabinetes


 


 


 


Quanto maior o gabinete


mais rasteiras as pessoas que o visitam


quantas vezes as que o habitam.


 

Um dia como os outros (80)

 



(...) Assumindo-se explicitamente como representantes do Movimento Geração à Rasca, um grupo de pessoas atacou ontem, em Viseu, uma actividade do Partido Socialista. Não fizeram uma manifestação em espaço público contra o governo ou uma autoridade do Estado. Não. Não foi isso. Introduziram-se de má-fé (comprando bilhetes como se fizessem parte da agremiação) numa reunião partidária, numa acção de preparação do congresso do PS, para a boicotar. Dizem que a acção era pacífica. Nunca vi nenhuma reunião, onde os participantes estejam de boa-fé, na qual as inscrições sejam geridas recorrendo ao megafone e a vozearia. "Pacífica" quer dizer que não bateram em ninguém?! (...) As tentativas de condicionar as reuniões partidárias não são acções pacíficas. (...) É preciso dizer com clareza: estes comportamentos mostram a falta de cultura democrática de quem assim actua. (...)


 


Porfírio Silva


 

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...