07 fevereiro 2011

FMI ao fundo

 


Após a omnipresença do FMI nas conversas, nas ameaças e nas promessas de responsabilização do governo pela sua mais que certa entrada em Portugal, qual potência invasora, desapareceu quase instantaneamente. O FMI volatilizou-se da preocupação de Pedro Passos Coelho e de todos os economistas, comentadores e astrólogos encartados.


 


Obviamente que, desaparecida esta desculpa, haverá certamente outra. Por isso é necessário rapidamente desapear Sócrates, nem que signifique o PCP viabilizar uma moção de censura do PSD/CDS, ou o PSD/CDS viabilizar uma moção de censura do PCP.


 


Entretanto Ana Benavente voltou das brumas para - encabeçar uma lista alternativa a Sócrates? Será ela?


 

06 fevereiro 2011

Rios escuros

 



 João Jacinto 


 


Dias perdidos de plenitude


horas longas e vagarosas


desmanchadas em neblina


rios escuros correm ao lado.


 


Vemos passar a vida e perguntamos


porque não passamos nós pela vida.


Foyle's War


 


Foyle’s War é uma série policial britânica que passou num dos canais televisivos a horas impróprias. Alguém que de mim gosta e que por mim vela, sabendo do meu gosto por histórias de crimes, ofereceu-me, num Natal longínquo, a colecção completa. Por um motivo ou por outro, ficou adormecida durante muitos meses. Quando vi o primeiro episódio fiquei rendida.


 


Christopher Foyle é Detective Chief Superintendent da Polícia de Hastings, perto de Londres, em pela II Guerra Mundial. Pede várias vezes para que o autorizem a colaborar no esforço da Guerra, mas os seus superiores decidem que Foyle é muito mais útil no seu posto. Contra vontade, Christopher Foyle passa a Guerra resolvendo homicídios, casos de sabotagem e roubo, de cobardes e heróis, de paixões e ganância, assistindo às arriscadas missões do seu filho, Andrew Foyle, piloto da RAF.


 


Com ele estão o Detective Sergeant Paul Milner, após ferimentos em combate, e Sam (Samantha) Stuart, filha e sobrinha de numerosos Vigários, contribuindo patrioticamente como motorista de Foyle.


 


Britânica até à medula, no rigor dos detalhes, na contenção e realismo das personagens, na excelência dos argumentos e dos diálogos, é uma série que aproveita, em cada episódio, casos verídicos em que baseia a trama. Anthony Horowitz, o autor, também adáptou várias histórias de Agatha Christie.


 


 



05 fevereiro 2011

Hipertensão arterial


 


É oficial: abriu a idade pesada, a meia-idade, a fase descendente, o início da decrepitude, da velhice, do depauperamento. Cabeça de chumbo, forma compacta, andar bamboleante, subir escadas a arfar, palpitações, trabalho, trabalho, trabalho, o corpo em forma de assento, óculos para ver ao longe, óculos para ver ao perto, enfim, todos os ingredientes para ter que assumir que já não chega a automedicação.


 


E lá está – a hipertensão arterial. Imagina as artérias a estreitarem-se e a enrijarem, com as elásticas interna e externa a perderem a elasticidade, o coração a aumentar para conseguir bombear a mesma quantidade de sangue, para todas as ínfimas partes de um corpo cuja superfície vai alastrando.


 


É preciso andar a pé, faça chuva ou faça sol, cedo ou tarde, com frio ou com calor. É preciso comer mais vezes durante o dia, fruta e fibras, yogurts e água. É preciso ver os açúcares, as gorduras, o estado do fígado, dos rins, dos vasos. São precisas análises e ecografias e electrocardiogramas. É preciso render-se ao comprimido diário.


 


Podia ser pior. Podia ter joanetes, hemorróidas, pés de galinha e próteses dentárias. Podia ter que comprar sapatos Dr. Scholl e usar super corega.


Perímetro de segurança.

 


Pesquisei através do Google e fui ao site do PS para tentar ler ou ouvir a totalidade da proposta de Jorge Lacão, pois a única coisa que as televisões, jornais e blogues comentam é a sua obsessão em reduzir deputados. Como de costume, já as vozes de José Lello e Vitalino Canas mataram qualquer hipótese de discutir seriamente quaisquer ideias sobre constituição da Assembleia da República, alteração dos círculos eleitorais, representatividade dos cidadãos, etc.


 


Aguardo também a clarificação política (ideológica) no PS, a que apela José Sócrates. De clareza o PS anda muito afastado, tendo a crise chegado à vontade de arriscar, ao assumir das divergências e ao genuíno combate democrático. Ana Gomes, António José Seguro, Sérgio Sousa Pinto, Helena Roseta, Manuel Maria Carrilho tiveram muitas e graves discordâncias com esta equipa dirigente. Será que vão corporizar alguma alternativa à liderança de José Sócrates?


 

31 janeiro 2011

Em falta

 



 João Jacinto


 


Cortaram os ramos da árvore


em frente à minha janela.


Sei que apenas eu a via


filtrando luz e vento


estendendo folhas e pássaros.


 


Terei que desenhar verdes e troncos


usar os dedos como moldes


semear a imagem que falta


em frente da minha janela.


29 janeiro 2011

Holocausto

 











 

 


Já não são corpos já não são gente


bonecos desarticulados em posições angulosas


sem cabelos dentes carne.


São ossos que nos furam a alma


palhaços tristes trapos imundos


daqueles que se erguem como máquinas


impenetráveis aos nossos olhos


daqueles para quem a morte se engole


com o pão de todos os dias.


 


Já não são corpos já não são gente


são vozes que de todos os cantos do mundo


gritam e choram para sempre.


 

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...