22 janeiro 2011

Pequenos gestos


 


 


Ontem, quando estacionei o carro em Lisboa e me aproximei da caixa para adquirir o ticket de parqueamento, ouvi umas buzinadelas e uns gritos de Hei! Senhora!


 


Virei-me espantada, sem perceber muito bem se o chamamento me era dirigido. Dentro de um carro muito velho, um homem dizia-me que não tirasse o ticket, porque o dele ainda dava para mais 1:15h. Aproveite! Quase não tive tempo de agradecer.


 


Aproveitei. Alguns pequenos gestos devolvem-nos, ainda que momentaneamente, a fé na verdadeira generosidade.


 

Café Progresso

 


 


Manhã no Porto, sem destino nem rumo. Deambulando pela Praça Carlos Alberto e pelas ruas à volta.


 


Entro no Café Progresso, com a penumbra dos cafés a sério, das tertúlias, dos habituais cafés com jornais, pastelinhos a acompanhar, vida a meio ou a escorrer para tantos olhos pensativos sobre as mesas.


 


Um aviso aos novatos - provem o café de saco, o verdadeiro, à portuguesa. E eu provei. Café que cheira a sem tempo, com letras e com poemas, café demorado nas palavras, no sabor de não ter compromissos.


 


Manhã no Porto, sem destino nem rumo. Entro na Poetria, pequena, cheia de gente secreta que aqui encontra o seu lugar.


 

Meditando


Addis: North Wind and South Wind


 


E aqui estamos nós no meio de um sábado glorioso a matar horas para chegar o dia de amanhã. Como não podemos falar no assunto, podemos pensar, olhar, rir e suspirar pela enorme e monumental realidade que cairá nas nossas cabeças. Na realidade ela já caiu, mas é sempre bom pensar que poderemos ser salvos por algum desígnio divino ou terreno, no último segundo do último minuto, que na penumbra cósmica as forças se congregam e tudo tende ao momento zen.


 


E aqui estamos nós, preguiçosamente meditando no que já está muito meditado.


 


21 janeiro 2011

Qualquer coisa

 



 Tiago Taron: soprado 3


 


Vidros algas qualquer coisa de neve


qualquer coisa de espelho


qualquer coisa de leve.


 


Febre gelo qualquer coisa que corre


qualquer coisa de velho


qualquer coisa que morre.


Sinal

 



Tiago Taron: a preto e branco


 


Não são precisos os teus passos


nesta estrada que constróis.


Mas a areia que se acumula no caminho das horas


que transportas e nas plantas que percorres


erguem fragmentos de vida que de ti esperam


um sinal.


 

Cumes


Tiago Taron: soprado


 


Verdes sumos


dormentes lumes


sementes húmus


repentes cumes


pendentes


carentes


rumos.


 

Votar no Domingo


  


Nós não podemos prolongar esta campanha por mais três semanas. Os custos seriam muito elevados para o país e seriam sentidos pelas empresas, pelas famílias, pelos trabalhadores, desde logo, pela via da contenção do crédito e pela subida das taxas de juro.


 


Arrastar esta campanha mais três semanas, por desviar as atenções daquilo que é essencial, lançaria custos acrescidos sobre todos os cidadãos portugueses. E é por isso que tenho apelado aos portugueses para que não fiquem em casa.


 


Cavaco Silva


 


Custa a acreditar que o actual Presidente da República e candidato à reeleição use estes argumentos para cativar os eleitores. Para Cavaco Silva os custos da democracia podem ser evitados.


 


Amanhã é dia de meditação e de contenção, um silêncio tornado ainda mais necessário para tentar acalmar a triste campanha a que assistimos, desde o BPN/SLN às ameaças de morte, à defesa dos animais e à candidatura de um colectivo partidário, tudo tem contribuído para dar a razão a quem reitera que não vale a pena votar.


 


Não concordo, nem nunca concordei, com boicotes eleitorais. A ausência de votos na região de Coimbra em protesto por causa do Metro parece-me totalmente deslocado, sem qualquer consequência. Nem a visibilidade da notícia fará qualquer diferença, enquanto que a demissão do acto eleitoral tem consequências directas nos próximos 5 anos.


 


A falta de poderes presidenciais é outro dos argumentos que sustentam a abstenção. No entanto, mesmo que sejam poucos, esses poderes podem ser cruciais e para os exercer é bom que o Presidente, mandatado pelo povo, esteja à altura de quaisquer circunstâncias.


 


O Presidente é também uma figura simbólica e de referência. Cavaco Silva é o símbolo do que passou, de um Portugal atrasado, pequenino, comezinho. O Portugal da minha senhora, do tenho que a sustentar, das manobras de bastidores, da manipulação dos media, da desonesta criação de factos políticos. Cavaco Silva é alguém que demonstrou que não é confiável.


 


É claro que só podemos escolher alguém de entre os que se apresentam para ser escolhidos. É nosso direito e nosso dever participarmos nessa escolha, nesse afirmar colectivo do que queremos ser.


 


Por isso no Domingo irei votar. Não me revejo em nenhum dos candidatos, mas ainda me revejo menos no candidato Cavaco Silva. No Domingo irei votar para que haja uma 2ª volta, para que seja possível derrotar Cavaco Silva.


Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...