08 janeiro 2011

Da incompetência

 



 


A entrevista de Judite Sousa a José Manuel Coelho é um monumento à inacreditável incompetência, soberba, enviesamento do que é o serviço público de informação.


 


Vale a pena ouvir. É vergonhoso.


 


Adenda: (...) Não tive vergonha por Coelho: não serei eu a julgar os estranhos meios a que é preciso deitar mão para resistir a tiranetes insulares. Mas tive vergonha por aquela jornalista, na televisão pública, a tentar ser mais ridícula do que um candidato que usa o ridículo como forma de guerrilha.
Quem só se agiganta perante os pequeno é por que é ainda mais pequeno.


 

Da diferença das campanhas negras

 



 


Após a releitura do post anterior torna-se necessário um esclarecimento. Não considero idênticas as campanhas de ataque ao carácter pré eleições legislativas e presidenciais. Na verdade, Sócrates foi alvo das mais descabeladas acusações, insinuações, desconfianças e insultos, a propósito de um caso fabricado por adversários políticos, versado à exaustão pelos meios de comunicação social. Esteve no centro de uma pornografia judiciária mas, mesmo depois de todo o esforço, não foi possível associá-lo a qualquer actividade criminosa. Estou a falar do Freeport. Depois veio o Face Oculta, mais uma triste actuação da nossa justiça, mais uma batalha suja entre os jornalistas independentes, mais assassinatos de carácter.


 


Em relação a Cavaco Silva, que se apresenta ao eleitorado como uma pessoa cuja integridade moral não é questionável, tanto em termos de valores como de excelência profissional, colocando-se num plano distinto dos outros actores políticos, descredibilizando a própria actividade política, abre todo o espaço para que se questione a veracidade dessa imagem.


 


Mais importante e interessante do que as acções do BPN/SLN, porque não se fala dos responsáveis pela administração do BPN? Quem são, o que fizeram, onde estão, o que têm a dizer? Não há quem investigue esses factos, ligações, comprometimentos e actos de gestão? E as instituições de supervisão, empresas de auditoria, Banco de Portugal? Não há jornalistas que se interessem por essas faces ocultas e silenciosas?


 

07 janeiro 2011

Da necessidade de uma segunda volta nas presidenciais

 


 



 


A campanha para as presidenciais não tem nada a ver com opções políticas, ideologia, desígnios nacionais e motivação. Tem a ver com ataques de carácter, tal como a anterior campanha para as legislativas, em 2009. Quem se indignou perante as suspeições levantadas sobre Sócrates, a asfixia democrática, as inventadas escutas do governo ao Presidente, as alegadas manobras do PS e dos assessores, é quem, neste momento, se refastela com as acusações e insinuações sobre a falta de honestidade de Cavaco Silva. Pelo contrário, quem protagonizou a indigna campanha contra Sócrates, indigna-se agora pela negrura da campanha contra Cavaco Silva.


 


O que a mim mais me incomoda é o que a situação das acções compradas e vendidas por Cavaco Silva, o BPN e a SLN, demonstra, se precisas fossem mais provas, que a comunicação social está totalmente a soldo dos vários poderes, neste caso dos políticos. A independência da informação não existe. As histórias do Freeport apareceram precisamente antes das eleições legislativas. A história das acções do BPN foi repescada precisamente antes das eleições presidenciais, apesar de ter sido divulgada, pelo Expresso, após a saída de Dias Loureiro do Conselho de Estado.


 


O veto político do Presidente ao diploma para simplificação dos procedimentos de mudança de sexo e de nome próprio, apenas se entende como uma manobra eleitoralista, visando agradar ao eleitorado da direita, completamente incoerente depois de, o mesmo Presidente, ter promulgado a legalização do casamento entre indivíduos do mesmo sexo.


 


Cavaco Silva pode e deve ser avaliado pela sua actuação política enquanto Presidente da República. E foi, e é, um péssimo Presidente. A sua visão da sociedade, arcaica, machista, de cunho religioso, conservador, caritativo, a sua falta de distanciamento partidário, a sua hipocrisia e maquiavelismo, que não passam desapercebidos a ninguém, são razões para a absoluta necessidade de levar Cavaco Silva a uma segunda volta.


 


Os eleitores do PS que não se revêem na candidatura de Manuel Alegre, deverão olhar para os outros candidatos e votar, em Defensor de Moura, Fernando Nobre, Francisco Lopes ou José Manuel Coelho, mas votar, para que seja possível uma outra hipótese de escolha, uma segunda oportunidade para derrotar Cavaco Silva. Deverão ainda ponderar se é este o Presidente que estão dispostos a aceitar por mais cinco anos.


 

06 janeiro 2011

Janeiras


 


 


Todo o ano cantaremos


dor, espanto, alegrias


janeiremos, dezembremos


pela vida, todos os dias.


 


Se esta porta fechar


rasgaremos uma janela,


entraremos pelo pomar,


plantaremos uma estrela.


 


Pelos lutos do futuro


rezaremos pelo Natal,


sempre em luta, pelo muro


saltaremos, a bem ou a mal.

03 janeiro 2011

Entrevista com Defensor de Moura

 


A entrevista a Defensor de Moura, que acabou agora mesmo na RTP1, foi medíocre, por culpa da entrevistadora. Para Judite Sousa não foi importante tentar esclarecer os eleitores sobre as ideias que Defensor de Moura tem ou não tem. As perguntas focaram-se nas divergências com as candidaturas de Cavaco Silva e Manuel Alegre, sobre os anos de autarca e sobre os baixos custos da campanha, mas sempre com pendor pessoal, na tentativa de transformar a entrevista numa sucessão de escárnio e mal dizer.


 


Pela primeira vez tive ocasião de ouvir Defensor de Moura e gostei. Gostei até muito.


 


Uma coisa é certa. É absolutamente necessário tentar que haja uma segunda volta. Tudo é preciso para mobilizar os votantes. Embora não me reconheça em nenhum dos candidatos, reconheço-me ainda menos na presidência protagonizada por Cavaco Silva. Em democracia, com eleições livres, não há inevitabilidades.


 

02 janeiro 2011

Primeiros meses

E agora que terminamos as pequenas tréguas nas nossas preocupações bem melancólicas, com a primeira semana do ano à nossa frente, regressamos aos assuntos suspensos entre o Natal e o Ano Novo.


 


As eleições presidenciais deixaram de ser uma disputa para ser uma certeza. De interessante apenas há a presença de um candidato que não teve direito a debates. A nossa comunicação social não esperou pela decisão do Tribunal Constitucional. Espero a resolução que se impõe para restabelecer o respeito pela igualdade de oportunidades a todos os elegíveis.


 


Na próxima revisão constitucional seria de ponderar a alteração dos mandatos presidenciais para um, de 7 anos, pois a reeleição do Presidente da República tem sido uma constante, esvaziando esta eleição de conteúdo.


 


Aguardamos a decisão do Parlamento em relação ao governo, após as presidenciais. Passos Coelho está convencido que ganhará as próximas legislativas e quererá precipitá-las. Entretanto deverá desencadear-se a luta pelo poder, dentro do PS, numa tentativa de minimizar os estragos eleitorais.


 


Entretanto a crise continuará a justificar e a desculpar todas as decisões, suspensões, recuos e austeridades. Os mercados continuarão a ser invocados, reagindo seja quais forem as medidas entretanto tomadas.


 


E a nós cabe-nos trabalhar, protestar, desconfiar, debater, perguntar e exigir. Não só aos outros mas sempre, e sobretudo, a nós próprios. A revolução começa dentro das nossas cabeças.

01 janeiro 2011

Mapa de uma orquestra

 


Não sabia como se organizava uma orquestra. Fiquei a saber que os músicos têm uma forma específica de se colocarem à volta do maestro.


 


Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...