01 janeiro 2011

Começar com música


  


Concerto de Ano Novo, CCB


 


Orquestra Metropolitana de Lisboa


  


Direcção musical - Mark Laycock

 


JOHANN STRAUSS II 
Abertura de O Morcego, op. 367; Abram alas, polca rápida, op. 45; Na floresta de
Krapfen
, op. 336; Sejais abraçado, milhões!, op. 443

JOSEF STRAUSS 
Amor Ardente, polca-mazurca, op. 129
JOHANN STRAUSS II 
Galope dos Bandidos, op. 378
JOSEF STRAUSS 
Valsa Delírio, op. 212
ALMICARE PONCHIELLI 
Dança das Horas, bailado da ópera La Gioconda
JOHANN STRAUSS II 
Danúbio Azul, valsa, op. 314
JOHANN STRAUSS I 
Marcha Radetzky, op. 228


 


 




Versão da Orquesta Filarmónica de Viena - Concerto de Ano Novo (2011)

Do novo ano

 


 



 


Precisamos de rituais, mesmo que saibamos a inutilidade das garrafas de champanhe, a pobreza dos alegres votos de felicidade, repartidos e partilhados com quem, em nenhuma outra ocasião, mereceu alguns segundos de atenção.


 


Repentinamente, por muito que honestamente sonhemos com autenticidade e simplicidade, vemo-nos arrastados pelos balanços próprios e alheios, pelos receios veiculados por futuristas profissionais, sem percebermos exactamente a futilidade das introspecções por decreto.


 


Tenho os meus rituais, ridículos ou sublimes, confortáveis ou inevitáveis, que passam pelo preenchimento da nova agenda Moleskine, alternadamente encarnada ou preta, pela assistência ao Concerto de Ano Novo, e pela solene resolução de ser feliz.


 


Passeio pela casa, abro as janelas para o dia solarengo e brilhante, vestindo lentamente o dia, igual aos anteriores e aos seguintes que, pelas barreiras que nos vamos colocando e pelas metas que vamos alcançando, se transforma numa divisória.


 


Recomecemos. E talvez a minha relação difícil com as vozes que se investem duma autoridade que ninguém lhes outorgou, me leve à firme intenção de fazer deste ano um conjunto de dias, projectos e felicidades muito melhores e maiores que os anteriores.


 

30 dezembro 2010

Inevitável?

 



 


Ouvi vários comentadores espantarem-se com a serenidade de Manuel Alegre e suspirarem por um candidato de esquerda mais agressivo contra Cavaco Silva.


 


Para mim, que acabei de ouvir agora o debate, ainda bem que Manuel Alegre não o fez. Para meu espanto, Manuel Alegre portou-se como um verdadeiro Presidente, contido, sereno, tolerante, democrático.


 


Pelo contrário, Cavaco Silva foi agressivo, evasivo, intolerante, sem respostas às perguntas colocadas. Não sabe o que é o Estado Social, confundindo os direitos de dignidade com a ajuda dos moralmente puros. Não falou da Escola Pública, porque não lhe interessa. Esganiçou-se quando deixou ao governo a responsabilidade da eventual chegada do FMI, quando criticou a administração do BPN, quando se refugiou no site da presidência no momento em que lhe lembraram o caso das escutas, enervou-se quando falou das suas justificações aquando das promulgações de diplomas, deu lições de cavalheirismo internacional quando tentou demonstrar que agradar e ter respeitinho pelos mercados era indispensável a Portugal.


 


Preparamo-nos para ter mais cinco anos de um Presidente da República que é o espelho da caridadezinha, das mulheres a fazer a lida da casa, da hipocrisia social e institucional.


 

29 dezembro 2010

Um dia como os outros (78)

 



(...) Venho a este debate não para falar, mas para ouvir. Entrego todo o meu tempo ao Presidente da República, aqui presente, para me ajudar a compreender quem é o candidato presidencial Cavaco Silva, igualmente aqui presente. Porque sem os esclarecimentos do primeiro não podemos saber quem é, nem o que quer, o segundo. Infelizmente, a imprensa do meu país não fez o que agora vou fazer. E, desgraçadamente, Vossa Excelência não se dignou contar aos portugueses o que aconteceu, pelo que vou ser eu a exigir de si que cumpra o juramento que prestou ao aceitar o cargo. Revele sem margem para dúvidas: qual é a sua responsabilidade nas notícias que saíram em Agosto de 2009 descrevendo suspeitas de espionagem e escutas cujo alvo era a Presidência da República? (...)


  


Valupi


 

27 dezembro 2010

Do ruir do Aluno ou da necessidade de deixar a Escola

 



 


Hoje reforcei a minha convicção de que o recurso aos fundos de emergência europeus, FMI ou qualquer coisa de semelhante, não depende da melhor ou pior performance do governo português, deste ou de qualquer outro. Depende da decisão política e/ou económica de países exteriores ao nosso, nomeadamente da Alemanha. A União Europeia não tem qualquer poder para conter as pressões, nem sei se está verdadeiramente interessada.


 


A austeridade deve avançar ou não se e só se internamente assim se decidir, por governos legitimados em eleições nacionais. O agradar aos mercados ou aos países de primeira, não tem qualquer resultado.


 


A propósito, vale a pena ler este post.


 

Enfrentamentos

 



Mikhail Larionov: Mulher com leques


esboço de traje para o ballet Histórias Naturais (1916)


 


Enfrento o dia em que quase fecho a porta a meio século de vida. Tantos anos acompanhados de sabores e dissabores, amigos e inimigos, vitórias e derrotas, dias bons e dias maus. Já passei cabos de tormentas, cabos de esperança e estou a ultrapassar o cabo dos afrontamentos. Aviso quem ainda não chegou lá que a travessia é lenta e caprichosa, estando as munições secretas sempre no local errado da hora certa.


 


Festejei ao jantar n’A Tasca da Esquina. Fui lá parar através do blogue Mesa Marcada, ao qual fui parar a partir do Mainstreet, agradecendo a ambos.


 


É um local mesmo à esquina, como o próprio nome indica, quando se sai da Rua Ferreira Borges, (Campo de Ourique) e se vira imediatamente à direita, para a Rua Domingos Sequeira. Quem me conhece sabe que isto até parece ficção, mas decorei os nomes e o mapa, para além de ter um motorista com sentido de orientação.


 


A Tasca é pequena, com uma temperatura um pouco acima do confortável. Para isso também contribuiu a garrafa do excelente tinto alentejano Casa Santa Vitória de 2008, que nos foi aquecendo à justa medida do avançar dos pratos e da noite.


 


Escolhemos um menu de degustação composto por sopa e 4 pratinhos. Como é habitual nesta nova era culinária, os nomes dos pratos e a explicação do que vamos comer é muito maior e mais complicada do que a comida em si mesma. Mas estava tudo muito bom. A sopa de tomate com requeijão era deliciosa, nem quente de mais nem fria; a entrada de paté de caça com tostinhas besuntadas com azeite e alecrim, acompanhadas de picles de pêra, deliciosa; a seguir veio camarão com molho de pimentos, extraordinário; depois atum meio cru com molho de coentros, que era bom, mas nada de especial (atum não é prato da minha predilecção); por fim uns filetezinhos de vazia, também muito mal passados, com farófia de milho, batatas fritas e molho de manteiga de alho que sabia muitíssimo bem.


 


A meio da refeição fomos surpreendidos por um mini rancho folclórico da Casa do Minho, que estava com tanta vontade de acabar o ano que cantou as janeiras. Mas cantou-as muito bem!


 


Finalmente escolhemos creme queimado e farófias como sobremesa, rematando com café – divinal.


 


Bem reconfortada, o próximo ano será de lutas e desafios. De leque(s) em punho, com o vigor e a sapiência de uma verdadeira matrona, espero chegar aos cinquenta. E isto é mesmo uma ameaça.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...