18 dezembro 2010

Presidenciais

 



 


Tenho estado conscientemente alheada dos debates preparatórios das eleições presidenciais. A expectativa é muito baixa e dolorosa de confirmar.


 


O debate entre Fernando Nobre e Cavaco Silva mostrou, mais uma vez, os motivos porque Cavaco Silva não deve ser reeleito e porque Fernando Nobre, por muito nobres que sejam os seus motivos, objectivos e motivações, está a candidatar-se a um lugar de Presidente e não de Primeiro-ministro.


 


Mais uma vez estamos perante uma escolha quase impossível. Sem desprimor para os candidatos, pois só esse facto é importante para o sistema democrático, não há nenhum que empolgue e inspire os cidadãos. E é em tempos de incerteza e muita desesperança que as ideias e as palavras são indispensáveis para nos envolvermos.


 


Todos falam em desígnios nacionais, mas nenhum consegue apontar um que movimente o país, que faça convergir a vontade de fazer mais e melhor, de olhar em frente com alguma confiança.


 


Dia 23 de Janeiro cumpre-se um ritual cujo significado começa a escapar. Em quem votar?


 

É esta a cidade

  



Amy Casey: kept in place

 


 


É esta a cidade.


É este o nosso pequeno mundo.


É esta a nossa prisão invisível.


 


Dentro dos muros os caminhos labirínticos que percorremos.


Arrastamos o corpo e as vestes


encostamos às portas fechadas e esperamos


sempre e melancolicamente esperamos.


 


É esta a cidade que nos acolhe e nos pede


o sentir do que falta o sentir da revolta.


 


É esta a cidade.


Somos nós os parcos e demitentes cidadãos.


 


11 dezembro 2010

Razão de ser Deputado

 


Miguel Vale de Almeida fez parte das listas de cidadãos independentes candidatos pelo PS nas últimas eleições legislativas. Afirmou, antes das eleições: (...) Poderia falar de mil e uma coisas – até porque não quero ser o deputado apenas das causas LGBT (não quero, aliás, ser mais do que deputado, independente, não quero cargos executivos e tenho no horizonte da minha vida o regresso à universidade e à minha profissão depois da legislatura). (...)


 


No entanto, a sua renúncia ao mandato, a forma como é interpretada e o texto por ele escrito, fazem pensar que o único objectivo que tinha era, precisamente, ser o deputado das causas LGBT. Talvez por isso mesmo afirme que será lembrado como o o primeiro deputado assumidamente LGBT. Só que, ao contrário de Miguel Vale de Almeida, não penso que isso seja importante para a democracia. Importante é termos deputados que, ao aceitarem essa responsabilidade, representem todos os cidadãos e não apenas os seus próprios interesses, ou os de um grupo, por muito legítimos que sejam.


 

Um dia como os outros (75)

 



(...) Curiosamente, e admitindo a evidente negligência norte-americana em preservar a sua inúmera documentação classificada, os autores de toda aquela pirataria parecem ainda não ter conseguido aceder a material igualmente significativo de outras origens... Será porque os outros países todos, ao contrário dos Estados Unidos, saberem proteger devidamente dos hackers da WikiLeaks?... Falando sério, um e outro episódio parecem ser emersões à superfície dos episódios sujos de um conflito permanente pela Supremacia Global, que apenas durante o período da Guerra-Fria não precisou de se esconder tanto por debaixo do manto da hipocrisia. Que é o que me aborrece e que não me canso de denunciar. Tanto no caso da Greenpeace como no da WikiLeaks, é uma inqualificável estupidez que se pretenda camuflar estes golpes sujos sob proclamações de índole moral. (...)


 


A. Teixeira


 


 


 


(...) Lentamente, começa a ser evidente que Wikileaks é política pura e dura. A diplomacia americana sofreu um golpe da dimensão do ciclone Katrina, que a deixará a coxear por muitos anos. Na tomada de decisões, os diplomatas passam à irrelevância e os espiões serão a partir de agora mais ouvidos.


A transparência perdeu.


Uma das críticas que li e ouvi era de jornalistas que se espantavam muito por outros jornalistas (como é o meu caso) adiantarem algumas dúvidas sobre a Wikileaks. Afinal, as intenções, financiamento, origem e métodos desta organização não são totalmente conhecidos. Quero dizer: a Wikileaks publicou os segredos de outros mas não é transparente. Ora, não tendo isto a ver com liberdade de informação (visto que a informação circula) não vejo razão para pôr em causa a honestidade intelectual de jornalistas que façam perguntas, por exemplo, sobre a forma como segredos tão sensíveis foram obtidos. Quem nos garante que haja 250 mil telegramas e como é possível que um simples soldado tenha acesso a informação tão sensível? A profissão de jornalista tem a ver com um cepticismo militante que nos obriga a não engolir com demasiada facilidade certas explicações.


Em muitas discussões, Assange é uma espécie de herói da liberdade. Mas os verdadeiros heróis da liberdade contemporâneos são Aung San Suu Kyi ou Liu XiaoBo, cuja luta pela liberdade de expressão e circulação de informação não tem excitado muito os espíritos. Repito: estes dois casos são de liberdade, e bastante desesperante, enquanto que Wikileaks pertence à política, o que gera sempre mais paixões. (...)


 


Luís Naves


 

Época natalícia 2010

 


Este Natal veste-se de tangerina. Elegante, calorosa, vitaminada, amiga do ambiente, transforma a crise numa nuvem de sorrisos e gestos largos, Natal aberto, louro, doce e vivo.


 


Receita de licor de tangerina, a preceito e mais sensível a encontro de amigos, mais bem feito a 4 ou 6 mãos, quanto mais bem regada de conversa melhor. As provas múltiplas e repetidas são essenciais.



  • Aguardente vínica bem forte

  • Casca de tangerina, apenas a parte laranja, cortada fininha e posta na aguardente bastante tempo (2 meses chegam, mas se for mais, tanto melhor)

  • Passador largo, por onde se escorre a aguardente alaranjada e se espremem as cascas maceradas das tangerinas

  • Por cada litro de aguardente, 0,750 l de xarope (0,750 l de água com 750 g de açúcar, a ferver durante 15 minutos)

  • Juntar a aguardente ao xarope

  • Levar ao lume e deixar levantar fervura

  • Filtrar a mistura (uso a máquina de filtro do café)

  • Primeira prova

  • Esperar pacientemente que se filtre todo o licor

  • Em cada mudança do filtro (sempre que escorra apenas umas gotas de licor), outra prova

  • Engarrafar - mais uma prova

  • Deixar arrefecer e rolhar

  • Última prova

  • Rotular as garrafas


 


 

07 dezembro 2010

A Escola Pública pode fazer a Diferença (III)


 


Acredito que hoje Maria de Lurdes Rodrigues esteja muito satisfeita e orgulhosa. Como é habitual, é preciso que outros nos digam o que de bom se faz em Portugal.


 


Ao contrário do que tantas figuras disseram durante a última legislatura, umas por ignorância, outras por corporativismo e ainda outras por oportunismo político, a Ministra Maria de Lurdes Rodrigues foi das melhores Ministras da Educação que tivemos. E o relatório PISA disso faz eco.


 


Gostaria de ouvir agora os comentários daqueles que apelidaram a política de educação do anterior governo como a catástrofe das catástrofes, aquela que justificou a marcha dos professores e a grandiosa manifestação contra a Ministra.


 


É claro que há ainda muito que evoluir. Mas foram dados grandes e importantíssimos passos no sentido de uma mudança coerente e do redefinir de objectivos.

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...