23 outubro 2010

A tabloidização da política

 



 


A política portuguesa rendeu-se à cultura massificada das telenovelas e dos reality shows.


 


Tal como no big brother, assistimos em directo e ao vivo às trocas de argumentos, às condições, propostas e sugestões de governação, às respostas e às decisões. É através de um comentador político que ouvimos o anúncio de uma candidatura presidencial, é num programa de  debate viciado que assistimos a ministros a defenderem-se das populações, a magistrados a fazerem justiça mediática.


 


Tal como nas telenovelas os líderes vivem os seus mandatos em juras de amor e ódio, ataques ao carácter e declarações de falta de confiança. As instituições democráticas deixaram de ser o cerne da vida democrática. Não há qualquer pudor em misturar o privado e o pessoal com o público e o institucional.


 


Também foi pela televisão que Passos Coelho disse nim ao OE, Paulo Portas disse não e Teixeira dos Santos aceitou, magnanimamente, a equipa de trabalho do PSD. Não sei se depois há verdadeiro trabalho nos bastidores, mas cada vez tenho mais dúvidas.


 


Quando pensávamos que a era de informação iria abrir a porta a mais cidadania, a mais participação pública e a mais responsabilidade, eis que nos apercebemos do exacto contrário. A discussão e o debate estão ao nível dos observados na Casa dos Segredos, e todos nós assumimos os papéis de Marcos e de Martas, de Júlias Pinheiros e  Teresas Guilhermes.


 

18 outubro 2010

Originalidades a la portuguaise

 



Ang Kiukok: clown 




  1. Marcelo Rebelo de Sousa revelou, em directo e ao vivo, que Cavaco Silva anunciará a sua recandidatura à Presidência da República dia 26 deste mês, no CCB.



    • Dúvidas - será que foi Cavaco Silva que pediu a Marcelo Rebelo de Sousa para avisar a nação? Será que foi Marcelo Rebelo de Sousa que ouviu pelo buraco da fechadura as combinações presidenciais? Será que Cavaco Silva contou o segredo a Marcelo Rebelo de Sousa e este não se conteve, tendo que contar ao país inteiro? Será que alguém está a chantagear Marcelo Rebelo de Sousa por um cabeludo pecado do passado e ele tenha tido que revelar tamanho tabu?





  2. António Martins, o incrível presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses disse que a classe vai sofrer cortes orçamentais como vingança pelo trabalho que efectuou em processos como a Face Oculta.



    • Dúvidas - será que Teixeira dos Santos está oculto no Processo? Será que os juízes são do PSD, do CDS, do BE ou do PCP?





  3. Mário Crespo convidou - oh surpresa! - Bagão Félix, para comentar o OE 2011.



    • Dúvidas - Será que Bagão Félix já fez algum OE que fosse posto à prova? Será que ainda se lembra do que é um OE? Será que não estará a atacar as suas próprias ideias, tal como fez com Fernando Negrão?




17 outubro 2010

Oblivion

 










 


Astor Piazzolla & Rastrelli Cello Quartett


 

Tolerância zero (2)

 



 


Miguel Relvas apelida, indignadamente, este OE como um orçamento de grande insensibilidade social, que vai trazer maior disparidade social, que vai trazer maiores problemas sociais, mais fome e mais miséria ao nosso país. E diz ainda que Teixeira dos Santos precisa de ter falta de vergonha por exigir que todas as alterações propostas ao OE não coloquem em risco o cumprimento do défice de 4,6% e 2011.


 


Em que é que os cortes salariais e os incessantes pedidos de medidas de austeridade feitos pelo PSD têm maior sensibilidade social que os do PS? Também gostaria de saber se Miguel Relvas não tem vergonha de explicar muito explicadamente, sem demagogia, onde é que se pode cortar mais de forma a que se cumpra o défice de 4,6% em 2011.


 


A vergonha tem andado bastante arredada dos nossos líderes políticos.


 

Realmente importante

 



 


Não são precisos prémios para sabermos que o Teatro Meridional é uma das companhias de teatro mais criativas e interessantes do nosso país. Mas é sempre bom percebermos, no meio de todo o negativismo e pessimismo que nos tolhe, que não só entre portas se reconhece esse mérito.


 


O Teatro Meridional, cuja direcção (da Companhia e artística) é assegurada por Miguel SeabraNatália Luiza, tem levado ao palco e ao público inúmeras peças originais, baseadas em textos variados, como colagens ou como recriações, em espaços cénicos de um cuidado e simplicidades extremas, em que a encenação, a música, as luzes e as palavras se completam e formam unidades de espectáculo únicas.


 


A 12.ª edição do Prémio Europa Novas Realidades Teatrais distinguiu, juntamente com 5 companhias de teatro de outros países europeus (Eslováquia/República Checa, Reino Unido, Rússia, Finlândia e Islândia), o Teatro Meridional.


 


A próxima peça desta Companhia será apresentada no Teatro Nacional D. Maria II, com estreia a 18 de Novembro, 5ª feira, às 21:30h, e chama-se 1974. A não perder.


 



 

16 outubro 2010

Entretanto

 


Troféus Pedrada no Charco - Melhor Disco do Ano 2010 (atribuída pelo Orfeão de Leiria Conservatório de Artes) - Graffiti - Júlio Pereira, Tiago Torres da Silva, Tiago Taron. Cantam - Sara Tavares, Dulce Pontes, Olga Cerpa, Marisa Liz, Nancy Vieira, Manuela Azevedo, Maria João, Sofia Vitória, Filipa Pais e Luanda Cozetti.


 







 


Marisa Liz



Eu às vezes não sei o que hei-de dizer
sou refém da palavra que me quer fugir
prendo o salto no verbo que deve ser
ou tropeço no nome a seguir

'stá debaixo da língua
brincando às 'scondidas com o coração
'stá debaixo da língua
parece que vai aparecer ou parece que não

e depois... e porém... e não sei... talvez
fico muda... repito tim-tim-por tim-tim
sinto o chão a tremer debaixo dos pés
e gaguejo ou qualquer coisa assim

'stá debaixo da língua
tão longe e quem sabe ao alcance da mão
'stá debaixo da língua
parece que já me lembrei ou parece que não

(desato a rir
não lembro de mais nada
eu desato a rir
o fio escapa à meada
eu desato a rir
e sim, e coisa e tal
eu sei lá)

sobe o pano, o actor quando cai em si
não se lembra da fala e não sabe o que é
fecha os olhos, diz "to be or not to be"
e o público aplaude de pé

'stá debaixo da língua
atada à cortina e ao projector
'stá debaixo da língua
talvez amanhã ela volte a ligar ao actor

Tolerância zero (1)

 



 


O governo está apostado em tudo fazer para se cobrir de vergonha e se descredibilizar. Depois da inominável pantomima a que assistimos, mais uma vez, na entrega da famosa pen ao Presidente da Assembleia da República, ouvimos da boca do Ministro das Finanças justificações inaceitáveis em qualquer profissional que se preze, quanto mais de um responsável político.


 


De tal forma que não é preciso ser da oposição para se estar muito descrente no que quer que este governo diga em relação às finanças públicas, aos impostos e à redução da despesa.


 


Na verdade também não se entende o coro de lamentações de partidos como o PSD e o CDS. Estiveram meses a pedir as medidas de austeridade. Por coerência só as poderiam apoiar entusiasticamente.


 


O que me preocupa é continuar sem perceber com o que se passa com a execução orçamental de 2010, com a falta de orientação da política de saúde, a quebra de importantes medidas, anteriormente bandeiras do PS, como a prescrição por DCI, que apenas pela insistência do CDS e por uma coligação negativa foi possível fazer passar no Parlamento.


 


O que me preocupa é a unanimidade do dramatismo e a falta de alternativas.


 


O que me preocupa é a negligência e a incompetência do governo numa altura em que seria crucial que confiássemos nele.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...