Nota: Título roubado (sem saber) à Câmara Corporativa.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Uma pequena parte do país entretém-se a predizer horrores caso o OE para 2011 não passe na Assembleia da República. De tal forma que há quem peça encarecidamente ao PSD para se abster, mesmo que odeie o OE, mas por imperativo patriótico, nacional, responsabilidade política e, último e indispensável argumento, para acalmar Os Mercados.
A outra grande parte do país não percebe o que são Os Mercados, a razão de continuarem nervosos, apesar de todos os prometidos cortes salariais, do incontornável aumento de impostos, da propagandeada redução da despesa pública à custa dos parasitas do país - os funcionários públicos. Suspeito mesmo que essa grande parte do país pense que nada acalmará os irascíveis Mercados, visto que têm um humor mais negro que os ferozes deuses do Olimpo.
Essa grande parte do país também não entende muito bem porque é que, no início da crise de 2008 e durante o ano de 2009, a Europa se penalizou e penitenciou pela falta de regulação dos ditos Mercados, pela selvajaria do capitalismo, pelo esquecimento do estado social, sugerindo uma intervenção do Estado na banca, no investimento, nas empresas, no incentivo ao emprego e no apoio aos desempregados, para depois, num volte-face mais ou menos abrupto para o que existia antes da crise, se encarnice agora contra os défices públicos, que aumentaram astronomicamente nos anos anteriores.
Essa grande parte do país apenas se interroga: quando vamos receber menos - neste ou no próximo ano? Quando aumenta o IVA para 23% - neste ou no próximo ano? Vamos manter o 13º mês? E no próximo ano, ainda existirá? Quando vou conseguir emprego? E se perco o emprego? E se adoeço? E se não consigo pagar a renda? Essa grande parte do país olha para os dias que passam com aflição e medo. O medo que está a ser uma constante nestes tempos modernos: a criminalidade, o terrorismo, o desemprego, a crise, a bancarrota, o FMI.
Essa grande parte do país que votou maioritariamente à esquerda não entende porque é que a esquerda não apoia o governo, como também não entende que o governo não se apoie na esquerda. Não entende que o PSD queira acalmar Os Mercados mas tudo faça para que, fora de Portugal, olhem para nós com a sensação de que a elite política gosta de brincar com o fogo.
Se o PSD quer derrubar o governo que o faça e assuma as suas responsabilidades. Se o governa acha assim tão indispensável que o OE seja aprovado, que faça as negociações necessárias, no Parlamento, para encontrar um compromisso com que seja possível não desvirtuar a sua política. Mesmo que, como essa grande parte do país desconfia, não haja grandes diferenças nas práticas dos partidos políticos, tendo em vista as orientações a que nos obrigámos a obedecer.
Entretanto a grande parte do país assustada, assiste impotente e incrédula, aguarda que a democracia cumpra o seu papel e que os representantes que elegeu façam o seu trabalho sem se queixarem.
Nota: É bom que esclareça que, quando me refiro à pouca diferença nas práticas dos partidos políticos, refiro-me ao PS e ao PSD. O BE e o PCP não apresentam alternativas credíveis. Aliás, penso que a governação é demasiado para os seus horizontes de partidos da contestação, barricando-se continuamente no passado, mais próximo ou mais afastado, sem qualquer respeito pelas escolhas e decisões eleitorais.
Vale a pena assinar esta petição. Mas, como diz a Maria do Sol, o pluralismo deveria tocar outras áreas que não apenas a económica.
(...) De facto, os diferentes painéis de comentadores televisivos convidados para analisar o chamado PEC III foram sistematicamente constituídos a partir de um leque apertado e tendencialmente redundante de opiniões, que oscilou entre os que concordam e os que concordam, mas querem mais sangue; ou entre os que acham que o PEC III vem tarde e os que defendem ter surgido no timing certo. Para lá destas balizas estreitas do debate, parece continuar a não haver lugar para quem conteste, critique ou problematize o quadro conceptual que está em jogo e as intenções de fundo, ou o sentido e racionalidade dos caminhos que Portugal e a Europa têm vindo a seguir, em matéria de governação económica. (...)
Petição pelo pluralismo de opinião no debate político-económico
A inauguração de 100 escolas e do Centro de Investigação da Fundação Champalimaud parecem-me uma forma apropriada e condigan de comemorar o Centenário da Implantação da República.
Leonor Beleza, de quem discordei muito de medidas que tomou enquanto Ministra da Saúde (não esquecer que a ela se deve o início da acentuada redução de vagas para os cursos de Medicina, a tentativa de acabar com a remuneração no Internato Geral - agora Ano Comum do Internato), teve uma visão e uma política de saúde que, em muitos pontos, nomeadamente na necessidade de incentivar a exclusividade de funções no sector público, foi mais socialista do que ministros de governos socialistas.
Neste momento, e por mérito próprio, está à frente de um projecto que prestigia o país e que contribuirá, certamente, para uma melhor compreensão dos mecanismos da doença oncológica e seu tratamento.
Somos todos cidadãos com os mesmos direitos e deveres. Somos todos cidadãos, na liberdade de nos exprimirmos e intervirmos na vida da comunidade, na responsabilidade de contribuir para o bem comum, na capacidade de desenvolvermos e perseguirmos a nossa noção de felicidade.
Estes são os princípios basilares daqueles que não distinguem os seres humanos pela família em que nasceram, pela cor da sua pele, pela crença religiosa. Estes são os princípios de quem sabe que o sangue é sempre vermelho.
Mais uma vez alguém que teve acesso aos meus dados, usa a minha identidade para fazer comentários em meu nome noutros blogues. Descobri um no blogue A Educação do meu Umbigo.
Ou seja, o Troll voltou a atacar.
Aviso que deixo, mais uma vez, de colocar qualquer comentário em qualquer blogue.
Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...