28 de Agosto, às 18h, no Larogo Camões
via Jugular
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Marcelo Rebelo de Sousa disse-o agora mesmo, obviamente não desta forma: o discurso de Pedro Passos Coelho foi uma farsa. O líder do PSD sabe que não há qualquer justificação para uma dissolução da Assembleia da República até 9 de Setembro. Foi agressivamente populista e não disse nada de novo. O ataque ao PS por causa da Justiça é a perigosa continuação do inaceitável aproveitamento político do desabar de um dos pilares da democracia.
É claro que Vitalino Canas veio fazer o pas de deux com a dramatização da crise política.
A verdade é que a comunicação social quis fazer um caso político desta festa do Pontal, mas não conseguiu. Não há matéria nem sumo naquela espécie de comício. E além disso, ninguém está minimamente interessado.
reprodução
Outro exemplo é o Sudário de Turim. Já todos sabíamos que era uma falsificação, feita na Idade Média. Mas Luigi Garlaschelli, um cientista italiano, reproduziu o sudário com as técnicas e os materiais que estariam disponíveis na época em que foi criado.
Lembro-me de ler O triângulo das Bermudas há muitos anos e de pensar seriamente na hipótese de seres estranhos e fenómenos de outros mundos, tal como entrar em discussões apaixonadas sobre a identidade extraterrestre de Jesus Cristo.
É claro que os mitos vão sendo substituídos. Nos tempos que correm são muito mais interessantes os estudos sobre a vida humana de Jesus, o casamento com Maria Madalena, a substituição de Maria Madalena pelo culto da Virgem Mãe, etc.
Mas descobrir que os aviões e os navios desapareciam por causa de gás metano destrói todo o encanto do mistério e do romantismo do triângulo das Bermudas.
Chico Buarque
Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita
Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando e também sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão
Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades
Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão
Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa
Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão
Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se me permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco
Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo o pessoal
Adeus
Marlous Borm: sem título
Dias brancos tórridos
brancos como a cegueira de luz
tanta luz. O ar parado como o raciocínio
imóvel a surda incapacidade de compreender.
Não se notam os contornos dos sentidos
não se sentem as agulhas da tristeza.
O ar parado insuspeito de vida.
Presa do branco
de fios inúteis brancos espessos
de uma teia infinita.
Oskar procura um cofre, procura o pai por toda a cidade de Nova Iorque, tentando calar a dor da ausência provocada pela morte deste no atentado às Twin Towers do World Trade Centre.
Oskar inventa ininterruptamente quando sente as botas pesadas, quando sabe que vai demorar muitas horas a adormecer, angustia-se com a hipótese de novos atentados e com o pânico, tenta equilibrar-se num mundo que se desequilibrou no momento em que os aviões embateram no betão, o fumo, o ruído, os gritos e a ausência, até de um corpo num caixão.
Jonathan Safran Foer escreve um livro deliciosamente triste, cheio de nódoas negras no corpo e na alma, atravessando os bombardeamentos de Dresden e de Hiroxima na 2ª Guerra Mundial e o atentado de 11 de Setembro nos EUA.
Um livro brilhante e comovente - Extremamente alto e incrivelmente perto - de nós.
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...