O caso Freeport continua a expor a indesmentível politização da justiça. Demonstrando uma inequívoca falta de princípios e embarcando no perigo que é a destruição do estado de direito, os líderes dos partidos políticos, em vez de se demarcarem das múltiplas tentativas de substituição ilegítima dos poderes legalmente exercidos, resultantes dos órgãos representativos consagrados na Constituição, aproveitam o que podem considerar uma vantagem na luta política. Não percebem que será uma vantagem de muito curto prazo e que esta situação é ideal para o germinar de projectos ditatoriais.
Tão ou mais grave que a promiscuidade entre a justiça e a política, caucionada pelos líderes partidários, está o silêncio do titular e dos candidatos ao cargo de Presidente da República. A justiça é um dos pilares do regime democrático. Parece-me tristemente significativo que nenhum dos candidatos tenha considerado este assunto merecedor da sua atenção.
Nota: ler Helena Garrido em Pior é possível.