03 agosto 2010

Aquarela






 


Toquinho


 


Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas
É fácil fazer um castelo...


 


Corro o lápis em torno
Da mão e me dou uma luva
E se faço chover
Com dois riscos
Tenho um guarda-chuva...


 


Se um pinguinho de tinta
Cai num pedacinho
Azul do papel
Num instante imagino
Uma linda gaivota
A voar no céu...


 


Vai voando
Contornando a imensa
Curva Norte e Sul
Vou com ela
Viajando Havaí
Pequim ou Istambul
Pinto um barco a vela
Brando navegando
É tanto céu e mar
Num beijo azul...


 


Entre as nuvens
Vem surgindo um lindo
Avião rosa e grená
Tudo em volta colorindo
Com suas luzes a piscar...


Basta imaginar e ele está
Partindo, sereno e lindo
Se a gente quiser
Ele vai pousar...


 


Numa folha qualquer
Eu desenho um navio
De partida
Com alguns bons amigos
Bebendo de bem com a vida...


 


De uma América a outra
Eu consigo passar num segundo
Giro um simples compasso
E num círculo eu faço o mundo...


 


Um menino caminha
E caminhando chega no muro
E ali logo em frente
A esperar pela gente
O futuro está...


 


E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo, nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença
Muda a nossa vida
E depois convida
A rir ou chorar...


 


Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar
Vamos todos
Numa linda passarela
De uma aquarela
Que um dia enfim
Descolorirá...


 


Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo
(Que descolorirá!)
E com cinco ou seis retas
É fácil fazer um castelo
(Que descolorirá!)
Giro um simples compasso
Num círculo eu faço
O mundo
(Que descolorirá!)

01 agosto 2010

O novo alvo









Ninguém quer debater nada sobre educação. O que interessa são frases feitas e tempos de antena para indignações totalmente disparatadas sem sequer se tentar perceber o que está em jogo. A forma como os vários partidos da oposição, os sindicatos dos professores e muitos comentadores reagiram às declarações da Ministra da Educação em relação ao necessário debate sobre o insucesso e o abandono escolar, recolocando o problema das reprovações numa base diferente daquela que até hoje vigora, pelo investimento das famílias, dos alunos e dos professores no trabalho e na responsabilização, tentando que se aumente o nível de aprendizagem de cada aluno, demonstra, mais uma vez, a falta de verdadeiro debate, não só político como técnico. Mal se fala em pensar a sério sobre qualquer assunto, todos os esforços se unem para matar as ideias à partida, para destruir qualquer embrião de mudança.


 


O objectivo de qualquer escola, de qualquer sociedade, deve ser que todos os seus membros atinjam o mais elevado grau de aprendizagem e de formação, num mundo que se transforma cada vez mais e cada vez mais depressa. Como Isabel Alçada diz, devemos olhar para os melhores resultados atingidos noutros países, com outros sistemas, compará-los e melhorar o nosso. Não nos devemos resignar a ser piores que os outros porque a nossa sociedade não dá valor à educação. É precisamente aí que se deve actuar, a começar nas escolas. Isso exige muito mais dos pais, dos alunos e dos professores, não menos.


 


Já foi encontrado o mote para destruir mais uma Ministra da Educação - a Ministra que quer acabar com os chumbos, acabar com a exigência e o rigor, aumentando o facilitismo.

Splender in the grass











PinK Martini


 


I can see you're thinking baby
I've been thinking too
about the way we used to be
and how to star a new

Maybe I'm a hopeless dreamer
maybe I've got it wrong
but i'm going where the grass is green
if you like to come along

Back when i was starting out
I always wanted more
but every time I got it
I still felt just like before

Fortune is a fickle friend
I'm tired of chasing fate
and when I look into your eyes
I know you feel the same


 


All these years of living large
are starting to do a sin
I wont say it wasn't fun
but now it has to end

Life is moving oh so fast
I think we should take it slow
rest our heads upon the grass
and listen to it grow

Going where the hills are green
and the cars are few and far
days are full of splendor
and at night you can see the stars

Life's been moving oh so fast
I think we should take it slow
rest our heads upon the grass
and listen to it grow

30 julho 2010

António Feio










 


Tal como disse José Pedro Gomes (em baixo, aos 3 minutos), António Feio fez muito pelo teatro. Tanto que hoje, devido ao António, à noite vai haver teatro a passar na RTP1, na SIC e, ao domingo, na RTP2,  coisa raramente vista.


 












O verso e o reverso

Se a subida de 0,1% na taxa de desemprego, em Maio, era um sinal contraditório e foi ligeiramente desvalorizada, porque só teríamos números reais em Agosto, não seria melhor aceitar com a mesma cautela e o mesmo cepticismo a descida de 0,1% do desemprego em Junho, e continuarmos a esperar pelos números reais de Agosto?

29 julho 2010

Da Vergonha Atómica à Falta de Vergonha Termonuclear*

Vale a pena compararmos dois editoriais (distanciados de 1 mês) de Pedro Santos Guerreiro, director do Jornal de Negócios online, para percebermos a coerência, a ideologia, a indignação, os conhecimentos e a presciência deste jornalista:


 



Uma vergonha atómica


A utilização da "golden share" é inédita, surpreendente e provavelmente ilegal. Vai contra o mercado, contra a administração e contra a decência. E revela um País próximo do subdesenvolvimento económico.
A bomba atómica é a vergonha atómica. Quem quer mandar em empresas não as privatiza. Quem as privatiza não as renacionaliza depois. O que o Governo fez foi extorsão dos direitos dos donos da PT. O recurso à "golden share" é um regresso aos vergonhosos dias em que o Estado vetou a venda dos bancos de Champalimaud ao Santander. Uma experiência que, aliás, deu no que deu: no descalabro do BCP. (...)
(...) A venda da Vivo é má para a PT. Mas não é má para os seus donos. Seja como for, isso é assunto privado. Se o BES, a Ongoing e outros decidiram tratar da sua vida, isso é com eles. O que aconteceu hoje na Assembleia Geral da PT não foi intervencionismo, nem nacionalismo, nem governação. Foi uma derrota. Uma derrota de Portugal. (...)


 



Vivó Sócrates


(...) Pois o acordo desenhado é favorável a cada um dos quatro lados desta mesa: PT, Governo, Oi e Telefónica. (...)


(...) A “golden share” foi um golpada que surtiu efeito. Do ponto de vista político, capitalizou simpatia na opinião pública, para quem Sócrates é hoje herói. Do ponto do negócio, a intervenção aumentou o preço em mais 350 milhões de euros. (Se, afinal, a “golden share” serve para fazer subir preço, estamos mesmo conversados quanto a interesse nacional… Mas Ricardo Salgado agradeceu antecipadamente a Sócrates por isso). Do ponto de vista da empresa, foi a intervenção de Sócrates que garantiu a manutenção no Brasil. (...)


(...) Foi por accionistas e administração terem estado a remar para lados diferentes que o Governo acabou por intervir, quando percebeu que a sua própria passividade era omissão abusada por alguns. (...) Mas os accionistas podem agradecer a Sócrates por ter conseguido o que eles falharam: mais preço e Brasil. (...)


 


Absolutamente extraordinário.


 


Nota: *Mudança para um título mais apropriado, sugerido por um comentador.

Falta de vergonha

A investigação do caso Freeport iniciou-se há cerca de 6 anos. Segundo a TSF, os Procuradores responsáveis pela investigação declararam que não tinham tido tempo de ouvir José Sócrates e Rui Nobre Gonçalves (para os quais tinham, respectivamente, 27 e 10 perguntas a colocar).


 


Utilizando a aritmética simples isso daria 4,4 perguntas/ano, 0,375 perguntas/mês, 0,0125 perguntas/dia e 1,66 perguntas/ano, 0,138 perguntas/mês e 0,004 perguntas/dia a José Sócrates e Rui Nobre Gonçalves, respectivamente.


 


É portanto compreensível, ainda mais se nos recordarmos que teriam que ser retiradas as horas correspondentes aos dias feriados e de fins-de-semana, de férias e ainda as horas de dormida, satisfação das necessidades de sobrevivência diária e o mínimo de lazer, que tenha sido manifestamente impossível, até pela celeridade avassaladora do processo, como seria de esperar em processos desta gravidade e deste tipo, a falta de tempo para o cabal esclarecimento da verdade.


 


Esperam-se adiamentos e novos prazos pois é claro que estas duas personagens têm ainda muito a explicar ao povo português, mais precisamente a uma parcela dele, aquela que escreve em jornais e alimenta telejornais de pornografia informativa, destilando calúnias e difamação por toda a parte, demonstrando diariamente o apego à liberdade de expressão, à ética e à responsabilidade cívica.


 


Nota: Peço que me desculpem a inexactidão: afinal só a 1 de Outubro de 2008 é que o processo Frreport foi para a mão dos dois Procuradores com falta de tempo. Reforçam-se, assim, as suas razões. Mais transparência e rigor:


 


José Sócrates - 1,22 perguntas/mês; 0,040 perguntas/dia


Rui Nobre Gonçalves - 0,45 perguntas/mês; 0,015 perguntas/dia


 


(via Câmara Corporativa)

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...