Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
15 julho 2010
Direitos, liberdades e garantias
A propósito das declarações de Carlos Queiroz sobre uma suposta entrevista que teria dado ao SOL, e da reacção do SOL ao não divulgar as supostas gravações da entrevista para protecção das fontes, mais uma vez me espanto com a forma como a classe jornalística se protege a ela própria, com raras excepções, por acção ou omissão, perante tais atentados ao direito, à dignidade individual e à tão proclamada ética jornalística.
Hoje em dia, com a justificação da total liberdade de expressão e da salvaguarda do interesse público, todos se acham detentores da possibilidade de violar o mais elementar direito à privacidade. Deixou de haver respeito pelas comunicações electrónicas, parecendo natural a publicação de emails, não tendo nada a ver com protecção de fontes nem com interesse nacional, como foi o caso da vergonhosa actuação de Carlos Santos, personagem que se passeou fugazmente pela blogosfera, dando conta de um desequilíbrio de personalidade assinalável, além de falta de carácter, e que foi acarinhado, protegido e usado por vários bloggers.
A publicação em jornais como o SOL de fragmentos cirúrgicos de material pertencente a escutas, que deveriam estar em segredo de justiça, é o dia-a-dia da nossa informação. A própria escuta de conversas em restaurantes dá azo a acusações absolutamente idiotas e a comportamentos inaceitáveis da parte dos que se dizem perseguidos politicamente.
Neste momento, e desde a última campanha eleitoral para as legislativas, a liberdade de expressão passou a ser um bem apenas permitido a algumas pessoas que se arrogam o direito de julgar quem tem ou não credibilidade para escrever ou falar. São os polícias morais da nossa blogosfera, que moveram um ataque ignóbil ao blogue Câmara Corporativa, nunca conseguindo explicar qual o crime praticado pelo ou pelos autores do blogue, para além da discordância política com o que lá se escreve. Avançam agora contra o blogue Aspirina B, transformando em pecado de cobardia o uso de pseudónimos na blogosfera.
Mais extraordinário virem essas acusações de profissionais de informação, que sabem a importância e as razões dos anonimatos e das fontes não identificadas, que prometem proteger a todo o custo.
A manipulação e a intimidação das pessoas que pertencem à área do PS, principalmente à área do governo, é um verdadeiro atentado aos direitos, liberdades e garantias individuais. Estranha forma de defesa da liberdade de expressão.
A culpa de Sócrates
Ao nos obrigar a perder tempo a discutir o seu carácter José Sócrates tem enviesado do debate político. Num momento de crise, deveríamos estar a debater as várias alternativas para sair dela.
José Sócrates é culpado, até, de nos obrigar a debater o seu carácter.
O estado da nação
Tenho dado conta, em vários posts, das muitas desilusões e críticas a este governo e a este PS. Mas hoje, ao ouvir o debate parlamentar sobre o estado da nação, felicito-me por ter votado no PS e em José Sócrates.
A oposição, da esquerda à direita, não é capaz de alinhavar críticas construtivas às políticas governamentais. Para a oposição, da esquerda à direita, o país é uma ilha no fim do mundo, desligada da crise, das economias recessivas, da globalização, de tudo o que existe e existiu à sua volta. Simultaneamente, as reformas que foram começadas e ensaiadas pelo governo, este e o anterior, são o mote para as críticas demagógicas e populistas de quem não quer ou não faz a mínima ideia de como reorganizar os serviços públicos, de saúde e de educação.
Por muitos defeitos que este governo e que este PS tenha, e que são muitos, não há, neste parlamento e neste arco partidário, uma voz, uma ideia, uma oratória com um mínimo de originalidade, de confiança, nada nem ninguém que sugira uma alternativa, para além dos chavões milhares de vezes repetidos, da esquerda à direita.
O estado da nação é mau. Mas seria muito pior se qualquer dos opositores do governo estivesse a governar.
13 julho 2010
Gelo
Paulo Canabarro: Ice Wall
Não quero sentir o calor de uma mão
o abraço de um olhar
qualquer meio sorriso de quem entende
dias de negro e chumbo.
Não quero nada que derreta os muros fundos
fossos de gelo que tão laboriosamente
sustento.
11 julho 2010
Um dia como os outros (64)
(...) Há algum tempo que o BCP está a ser atacado com boatos. Ondas que vêm e vão, incapazes até hoje de gerarem uma notícia - é factualmente falso que o BCP esteja em dificuldades diferentes das dos seus parceiros. Mais: o banco anunciou esta semana que passou vias alternativas de financiamento. (...) Cheira demasiado a vontade de mudar o regime. Passámos da habitual criação de uma onda de insegurança física, - que precede os períodos de fragilidade política lembram-se? -, para a amplificação da insegurança financeira onde o terreno anda mais fértil. Temos aprendido que vale tudo, que alguns acham que os seus fins justificam todos meios. Mas o que se está a passar é de uma irresponsabilidade sem qualificação. Quem quer que seja está a brincar com o fogo.
Os protagonistas
(...) Quanto às figuras do PS que descredibilizam o Parlamento e o partido, e sem saber ao certo a quem alude a Sofia, esse é o menor de todos os problemas. (...)
A propósito desta frase no post do Valupi, por causa de um comentário que fiz a um dos seus posts, tenho a dizer que estou em total desacordo. De facto um dos principais problemas com que o PS se defronta é com a sua credibilidade e com a credibilidade dos seus protagonistas.
O primeiro governo de José Sócrates criou uma imagem de reformismo e de ambição praticamente inéditas. Beneficiou de uma maioria absoluta parlamentar que, em muitos aspectos, pela forma pouco crítica com que fiscalizava as várias iniciativas do governo, não foi mais de que uma caixa de ressonância do núcleo governativo. À volta de Sócrates criou-se um muro de indefectíveis que, ao menor sinal, defendiam e atacavam a torto e a direito, criando um anel oco que se foi alargando à medida que avançava a legislatura. Desse muro fizeram parte José Lello, Vitalino Canas, António Vitorino e Artur Santos Silva, por exemplo.
O PS foi-se calando tendo-se assistido, como é habitual, ao prudente silêncio de quem não queria desagradar ao chefe mas também não queria aparecer colado a ele. É claro que quando os problemas se começaram a avolumar as vozes críticas apareceram, tentando uma demarcação tardia e pouco credível – estou a falar de Marcos Perestrello, por exemplo.
O governo mudou, as circunstâncias também e continuamos a ouvir frases propagandísticas e posturas absolutamente acríticas de José Lello, que manteve colaboração, não sei ainda se mantém, num programa televisivo inenarrável, com outros companheiros da esfera partidária. Assistimos a atitudes inacreditáveis de Ricardo Rodrigues, como o roubo dos microfones, a teatralização mal desempenhada na comissão de inquérito ao caso PT/TVI, ainda por cima com o apoio explícito do líder do grupo parlamentar do PS, Francisco Assis que, com Jorge Lacão, podem ser considerados os fazedores do novo muro envolvente de Sócrates.
A falta de figuras credíveis, de capacidade de discussão da ideologia política, a chicana, as frases feitas, os teatros destes actores que deveriam ser reciclados, retira capacidade aos eleitores de acreditarem na implementação das políticas apregoadas, já para não falar de toda a campanha eleitoral de há alguns meses, desmentida, no imediato, pela actuação governativa.
Também aqui os actores se enganaram na peça. Se as circunstâncias se alteraram, e todos vimos que sim, era indispensável que o chefe do governo falasse ao país, explicasse as alterações, dissesse das dificuldades e das indispensáveis medidas que propunha, em vez de deixar a Passos Coelho essa iniciativa. Onde estão os criativos, os pensadores, os ideólogos, os que têm ambição, os que podem apoiar Sócrates e o governo? Ou que podem substituí-lo dentro do PS? Onde estão as alternativas?
É que as políticas são exercidas por pessoas e por equipas. E a sua falta é um dos maiores problemas deste PS.
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