24 junho 2010

Mandriice

 


Em vez de eliminarem feriados nacionais (alguns, claro, entre os quais o 5 de Outubro, mas mantendo o da Padroeira do Reino de Portugal) e de transformarem o 25 de Abril num dia qualquer, tal como o 25 de Dezembro (na verdade o Natal e a liberdade são quando um homem quiser), sugeria às Deputadas Teresa Venda e Maria do Rosário Carneiro que substituíssem o sábado pela sexta-feira. Um dia de descanso semanal chega e sobra. Além disso já imaginaram a melhoria na produtividade? A crise não justificaria acabar de vez com as pausas laborais? Uma hora para almoço também me parece excessivo. Era até uma medida que permitiria reduzir o número de obesos - muito tempo à mesa aumenta a probabilidade de comer de mais.


 


E porque não acabar com tantos dias de férias? Uma semanita chegava e sobrava. Não sei como não se lembraram ainda de sugerir estas medidas a Bruxelas e aqueles notáveis que falam da economia dos países sem saberem nada deles. Realmente, que madraços somos todos em Portugal.

Um dia como os outros (62)



(...) Dito isto, e sem querer retomar os traços da trama alegadamente descoberta pelo senhor Carlos Santos, importa concluir que a mesma não constitui, desde logo, uma trama, que os factos relatados pelo senhor Carlos Santos nada contêm de ilícito (salvo no que se refere a eventuais actos do próprio) e que aquilo que neles conseguimos detectar diz  sobretudo respeito à aborrecida e inócua organização interna de um blogue de apoio a um partido e um programa políticos, a comunicações dos seus membros entre si e com terceiros (agentes políticos) e à coordenação geral de quem nele escreve (independentes, membros de gabinetes ministeriais e meros filiados no PS). Lamentavelmente (para o denunciante), não vislumbramos, por não existir, qualquer utilização abusiva de meios públicos (computadores; Internet), mas a mera utilização profissional (no caso dos agentes políticos) ou pessoal (no caso dos voluntários e demais filiados) dos mesmos. (...)




(...) Por certas tenho  duas coisas, que julgo partilhar com muitas e boas pessoas e que o senhor Carlos Santos faria bem em recordar (agradecido): que a minha direita despreza delatores, criaturas gelatinosas e pouco masculinas que tudo fazem e penhoram por um momento de fama ou calor humano; e que no mundo da política como eu o vejo e desejo, serão sempre bem vindos adversários políticos como o João Galamba e o Guilherme Oliveira Martins, mas não haverá, junto a mim e aos meus, espaço para entusiastas convertidos da filigrana do senhor Carlos Santos. (...)


 


(Via Da Literatura)

22 junho 2010

Sem destinatário


Jose Parla: Calligraphic Paintings


 


Pelo fundo do que somos restam árvores decepadas. Comemos vagarosamente como se o pensamento nos viesse da filosofia engolida em dias de esmero. Amamos distraidamente sacudindo vestígios da entrega daquele despudor do sentir sem regras nem tempo de suspensão real. Nada como a realidade da percepção que temos da vida sonhada ou vivida. Nossa vida pobre de carne desse calor de gozo dessa quentura de beijo de dor de tanto se gostar.


 


Pelo fundo somos restos mãos pedras livros ou cartas secretas sem destinatário.

Inexistência



Ramos quebrados raízes fundas tudo


arranquei e juntei e cavei buracos


individuais indefesos numa cerca levantada


em muro.


 


Rodeiam-me as sombras geladas das raízes sem vida


com que fui ganhando a minha própria


inexistência.

18 junho 2010

Saramago


José Saramago foi um escritor de excepção, tanto quanto conseguimos, dentro das nossas limitações, incongruências e ignorâncias, avaliar a genialidade na literatura. Não só escrevia excepcionalmente bem como escrevia sobre temas relevantes e compunha personagens inesquecíveis.


 


O Evangelho segundo Jesus Cristo (1991), o livro de todas as polémicas, é dos melhores livros que lhe li. Há muitos escritores de língua portuguesa que mereceriam o prémio Nobel, mas isso não retira valor a Saramago. A inclusão dos seus textos nos livros escolares e o estudo da sua obra é natural. O facto de terem deixado de fora outros escritores não o responsabiliza e não o deslustra, tal como não deslustra quem foi esquecido. Apenas demonstra o pouco cuidado de quem participa na elaboração dos currículos escolares.


 


A obra de José Saramago internacionalizou-se e globalizou-se, fazendo muito mais pela língua portuguesa do que décadas de diplomatas encartados.


 


Como homem político, a outra faceta que conheci de Saramago, não podia estar mais em desacordo, sendo-me antipática a sua figura e o que ela representava, a sua ideologia, a sua vaidade e a sua arrogante certeza de ser detentor da verdade. Mas não é preciso admirar o homem para admirar a sua obra. E a sua foi e é admirável.

16 junho 2010

Náusea

 


Há alturas em que, mais do que o bom senso que nos aconselha a não dar atenção a vermes, está a impotência de quem se vê enxovalhado por manifestar livremente as suas opiniões. Neste momento a publicação de correspondência privada passou a ser aplaudida como um acto de limpeza moral da corrupção suspeitada de tudo e de todos. A blogosfera rejubila com a maledicência e as tentativas de assassinato de carácter de todos quantos se aproximaram ou aproximam das posições do PS ou do governo, alimentando-se da ignomínia duma criatura desprezível.


 


 


A noção que tenho de que é inútil protestar é claríssima. Mas não deixo de dizer, quando o estômago já não suporta tanta náusea, que a calúnia é a arma dos fracos e dos cobardes e que subscrevo a indignação do Eduardo, do Valupi e dos que se incomodam com os inacreditáveis enredos da delirante personagem.

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...